RELATO DE EXPERIÊNCIA: RESISTÊNCIA DE PACIENTES PORTADORES DE DIABETES MELITTUS 2 AO TRATAMENTO DIETOTERÁPICO
Palavras-chave:
Diabetes, melittus, Doenças, crônicas, Atenção, primária, saúdeResumo
O diabetes melittus tipo 2 é uma doença crônica não transmissível que, na maioria dos casos, é evitável e tratável quando os fatores de risco são identificados precocemente. Além disso, trata-se de uma das doenças crônicas que mais crescem no mundo e é considerada um grande problema de saúde pública. Estima-se que o número total de pessoas com diabetes chegue a 578 milhões em 2030 e 700 milhões em 2045. Por ser uma doença crônica e que acomete um grande número de pessoas, os custos para o seu tratamento acabam se tornando expressivos. No Brasil, esses custos já superam cerca de 10 bilhões de reais. Apesar da importância do tratamento não farmacológico para o manejo da doença e prevenção de complicações, um dos maiores problemas encontrados na Atenção Primária à Saúde é a baixa adesão ao tratamento. Nesse contexto, o presente relato de experiência tem como objetivo descrever as dificuldades de uma profissional nutricionista com relação à adesão dos portadores de diabetes tipo 2 ao tratamento dietoterápico em uma Estratégia de Saúde da Família da fronteira oeste do Rio Grande do Sul. Este é um relato de experiência referente aos atendimentos realizados desde o início da atuação na residência, em março de 2022. Durante os atendimentos, foi possível observar que a maioria dos usuários portadores de diabetes possuem uma grande resistência quanto ao tratamento dietoterápico por motivos diversos. Dentre os motivos citados e observados durante as consultas, estão os relatos relacionados ao uso de medicamentos, o que muitos usuários consideram suficiente para o tratamento, aliados à dificuldade na alteração de hábitos adquiridos ao longo de suas vidas. Destacam-se ainda as questões relacionadas às condições financeiras, ao acesso inadequado aos alimentos considerados mais saudáveis, à dificuldade em aceitar o diagnóstico e a resistência em aceitar orientações, além da rede de apoio familiar ineficiente, entre outros motivos. Além disso, observa-se com certa frequência que esses pacientes comparecem às consultas com o nutricionista apenas para atender uma exigência médica, sem a vontade necessária para realizar mudanças no seu estilo de vida (relatado por eles mesmos durante as consultas). Diante deste cenário, observa-se a necessidade de flexibilidade nesses atendimentos. Assim, realizar um atendimento mais acolhedor, entendendo a individualidade de cada usuário, seja no tratamento dietoterápico específico, seja considerando as condições financeiras, rotina ou aspectos emocionais. Nesse contexto, utilizar estratégias para aumentar a motivação, como comemorar e incentivar o paciente a cada pequeno passo dado, a cada mudança e conquista em relação à sua alimentação e hábitos de vida pode ter um impacto positivo. Nesse sentido, a educação em saúde tem mostrado grande efeito positivo e tem se tornado uma grande aliada ao tratamento de doenças crônicas. A Educação Alimentar e Nutricional (EAN) está entre uma das melhores opções para trabalhar com esse público, pois nesse método o nutricionista acaba desenvolvendo atividades educativas onde procura trocar e buscar conhecimento adequado para cada paciente com isso tornando-o um sujeito ativo no processo de aprendizagem, conhecimento e mudança. Os grupos desenvolvidos em algumas Estratégias de Saúde da Família direcionados a pacientes hipertenso e diabéticos (HiperDia), torna-se muito importante nesse processo, pois o usuário tem um acompanhamento multiprofissional, onde cada um acaba desenvolvendo seu papel para sanar as dúvidas desses pacientes sejam elas relacionadas a alimentação, a medicações, doenças secundárias, valores adequados de glicemia, pressão, entre diversos questionamentos. Nesse grupo eles acabam tendo uma troca com outras pessoas diagnosticadas com a mesma doença e conseguem relatar seus medos e anseios. Essa troca acaba sendo muito importante para que mudanças importantes sejam alcançadas. Diante de todo exposto mostra-se a importância do atendimento multiprofissional incluindo o nutricionista no acompanhamento do paciente desde o diagnóstico da doença, para que logo no início o paciente já tenha o acompanhamento e receba orientações evitando assim a dificuldade na adesão ao tratamento dietoterápico.Downloads
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Publicado
2022-11-23
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
RELATO DE EXPERIÊNCIA: RESISTÊNCIA DE PACIENTES PORTADORES DE DIABETES MELITTUS 2 AO TRATAMENTO DIETOTERÁPICO. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 14, 2022. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/113150. Acesso em: 10 jun. 2026.