DESAFIOS DO TRABALHADOR DA SAÚDE NA BUSCA ATIVA
Palavras-chave:
Saúde, Trabalhador, Atenção, Primária, Agentes, ComunitáriosResumo
A Atenção Primária à Saúde (APS) representa a porta de entrada prioritária na Rede de Atenção à Saúde (RAS), no qual é a ordenadora do cuidado, desenvolvendo ações de promoção e proteção da saúde, assim como, de prevenção de agravos, diagnóstico, tratamento, reabilitação e redução de danos. Na operacionalização da RAS destaca-se a importância da atuação das equipes multiprofissionais, que têm o compromisso de desenvolver uma assistência amparada pelos princípios e diretrizes do Sistema único de Saúde (SUS), como a integralidade, norteada por ações interdisciplinares. Dentre os membros da equipe, os Agentes Comunitários de Saúde (ACS) são de suma importância para a fortificação do vínculo com a comunidade, realizando busca ativa, visitas domiciliares (VD), cadastramento das famílias e fornecendo orientações diversas, a fim de, fomentar o processo de trabalho dentro da APS em relação ao planejamento da assistência. Ao refletir sobre o processo de trabalho do ACS, evidencia-se que há uma organização do trabalho baseada na escuta qualificada e no diálogo, frequentemente, presentes na articulação das VDs e na execução de busca ativa, que agregam o processo assistencial ao permitir a identificação de casos singulares em relação aos notificados no território. Contudo, a realização de busca ativa demonstra as fragilidades da APS ao identificar usuários que não estão ativos ou vinculados ao serviço e revela as inconsistências nos dados registrados nos pontos da rede de atenção à saúde. Em relação ao profissional, estas atividades podem incorrer em sobrecarga relacionada ao aumento das demandas de uma ampla população adstrita e à falta de recursos. Objetivou-se relatar os desafios de um grupo de acadêmicos realizando busca ativa na atenção primária à saúde. Trata-se de um relato de experiência desenvolvido por discentes de enfermagem, sobre os desafios na realização de uma busca ativa no qual, três discentes, uma professora e uma ACS na atividade prática do componente de Enfermagem no Cuidado à Saúde da Criança e Adolescente realizaram a busca de cinco puérperas/mães e seus respectivos filhos para o acompanhamento continuado da mulher e do crescimento e desenvolvimento das crianças menores de um ano. A atividade prática consistiu na realização de uma busca ativa junto a uma ACS, que por sua vez representa uma marca frequente deste profissional e que geralmente está associado às VDs, surgindo como os principais meios de estabelecer a presença dos agentes no território e articulando a comunidade com o serviço de saúde. Neste caso, a observação da rotina da ACS proporcionou a compreensão sobre as ações em saúde, em que esta última relatou que o seu trabalho envolve processos como o acompanhamento das condições de saúde, orientações sobre o serviço disponibilizado e que acaba sendo sobrecarregado, principalmente, quando somam-se fatores adversos. Alguns desses fatores se apresentaram como usuários do serviço que informam erroneamente o endereço de residência, o afastamento da ESF relacionado ao não retorno para consultas de puericultura, fragilizando a relação com a rede de saúde e dificultando a busca ativa para os profissionais envolvidos. A busca ativa demandou um deslocamento por um território amplo, que foi facilitado pela utilização do carro da ACS que nos acompanhou, porém houve dificuldade para encontrar os endereços, resultando no desencontro com todas as usuárias que estavam na lista. Dessa forma, destaca-se que a falta de vínculo entre a comunidade e o serviço de saúde contribuiu para a pouca resolutividade da ação. Contudo, a atuação destes profissionais integra a coordenação do serviço junto a uma equipe multiprofissional, manejando as informações, acompanhando e avaliando o processo de promoção e prevenção em saúde que muitas vezes pode enfrentar desafios como falta de transporte ou de materiais, insegurança, caminhadas extensas, cansaço acumulado, estresse e desencontro dos usuários. Portanto, as fragilidades se relacionam a sobrecarga de serviço, a falta de ferramentas para operacionalizar as ações, a imposição de exigências da gestão que podem prejudicar o trabalho e saúde mental de todos os profissionais da ESF. Conclui-se que a atuação de ACSs e demais profissionais conta com o amparo de suas expertises, atuação compartilhada e criação de vínculo entre serviço e usuários conforme a Política Nacional de Atenção Básica, a fim de estabelecer uma assistência de promoção, prevenção e proteção à saúde. O desenvolvimento destas práticas deve começar com a garantia de meios que ofereçam menos fragilidades à saúde dos trabalhadores com a criação de um ambiente de trabalho colaborativo onde a equipe possa descontrair, discutir e interagir sobre esses assuntos e determinar quais métodos podem ser incorporados para melhorar as condições de trabalho.Downloads
Os dados de download ainda não estão disponíveis.
Downloads
Publicado
2022-11-23
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
DESAFIOS DO TRABALHADOR DA SAÚDE NA BUSCA ATIVA. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 14, 2022. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/113136. Acesso em: 9 jun. 2026.