RELATO DE EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA: ASSISTÊNCIA INTERDISCIPLINAR À ÚLCERA VENOSA

Autores

  • Matheus Silvelo Franco
  • Victória Braseiro Vernes
  • Mylena Francini da Rosa
  • Geovana dos Santos Nunes
  • Ana Laura Alves Saraiva
  • Rodrigo de Souza Balk

Palavras-chave:

Interdisciplinaridade, Úlcera, Venosa, Enfermagem, Fisioterapia

Resumo

A úlcera venosa ocorre em decorrência de um distúrbio vascular que compromete especialmente membros inferiores. A fisiopatologia ocorre pela elevação da pressão intravascular que acomete as válvulas responsáveis pelo retorno venoso e promove um fluxo retrógrado, causando estase sanguínea. A estase resulta na formação de edema e ruptura de vasos, que deixam de suprir os tecidos adjacentes e favorecem a degeneração celular. Dentre os profissionais atuantes da atenção básica, enfermeiros e fisioterapeutas assumem importante função no tratamento das úlceras venosas, seja por meio de procedimentos curativos, terapias alternativas ou educação em saúde. Estes profissionais atuam para prover a melhora na qualidade de vida destes indivíduos, a fim de minimizar desconfortos, adequar o fluxo sanguíneo e facilitar o processo cicatricial. Entretanto, na prática profissional, a interdisciplinaridade, que é definida como a interação de diferentes profissionais, é mal compreendida, desconsiderada ou relacionada ao encaminhamento clínico. Neste sentido, o objetivo do trabalho é ressaltar a importância da interdisciplinaridade a partir de um relato de caso de úlcera venosa referente a uma visita domiciliar conjunta realizada por acadêmicos de enfermagem e fisioterapia. Trata-se de um relato de caso reflexivo das ações extensionistas realizadas pelo Programa de Educação Tutorial: Práticas Integradas em Saúde Coletiva (PET-PISC) vinculado à Estratégia Saúde da Família (ESF) 07 do município de Uruguaiana. As atividades desenvolvidas pelo PET-PISC visam promover visitas domiciliares interdisciplinares para que, acadêmicos, junto aos profissionais da atenção básica, acompanhem as demandas de saúde da comunidade. Além disso, o grupo discute os casos em reunião com a finalidade de traçar possibilidades terapêuticas. O caso em questão refere-se a uma usuária de 87 anos, aposentada, viúva e com diagnósticos clínicos de Insuficiência Cardíaca (IC) e Úlcera Venosa (UV). A visita domiciliar foi solicitada em decorrência de desconfortos e necessidades. Estavam presentes na visita uma Agente Comunitária de Saúde e dois acadêmicos, um de enfermagem e outro de fisioterapia. A idosa reside junto a cuidadora em casa de alvenaria com adequadas condições de saneamento e sob condições socioeconômicas favoráveis. Na anamnese, relatou que esteve internada devido a complicações da IC e UV, e que no momento estaria em tratamento farmacológico contínuo, fazendo uso de digoxina, hidralazina e furosemida para a IC e ceftriaxona para otimizar o processo cicatricial da UV. Quando questionada sobre hábitos de vida, relatou deambulação eventual; alimentação razoável e com predileção de carboidratos; hidratação rara; eliminações fisiológicas normais; e sono prejudicado por episódios de agitação. Durante a visita apresentou sintomas característicos da IC, como fadiga, náuseas, dispnéia e ortopnéia. No exame físico, foi identificado sinais de comprometimento circulatório sistêmico pela presença de pulsos filiformes (+2), enchimento capilar lento (<3seg) e mucosas descoradas, além da disfunção venosa no membro inferior direito, evidenciado por edema, isquemia tecidual (hiperpigmentação) e ulceração. Dentre as competências técnicas, foram realizadas a preparação e administração intramuscular da ceftriaxona (antibiótico), curativo asséptico nas ulcerações e avaliação física de fisioterapia. Além das condutas procedimentais, foram realizadas orientações sobre a continuidade da terapia farmacológica e cuidados com os curativos. Ainda, foram propostas medidas não farmacológicas, como: elevar e mobilizar membros inferiores, deambular eventualmente, não usar meias ou calças apertadas e evitar posições que desfavorecem o retorno venoso, como cruzar as pernas ou ficar muito tempo em ortostase. Com isso, a visita fomentou discussões pautadas na interdisciplinaridade, considerando as ações conjuntas da enfermagem e fisioterapia relevantes, otimizadoras e complementares para o tratamento de úlcera venosa. Houve engajamento dos acadêmicos em considerar um plano de cuidado coletivo, visando a integralidade. A úlcera venosa é apenas uma das diversas complicações que caracterizam as demandas da atenção básica, outras condições de saúde também necessitam de atenção coletiva e cooperativa. Apesar dos serviços de saúde, na maioria das vezes, desconsiderar a interação profissional, se faz necessário alternativas assistenciais, como a visita domiciliar conjunta que permite uma assistência mais abrangente.

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Publicado

2022-11-23

Como Citar

RELATO DE EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA: ASSISTÊNCIA INTERDISCIPLINAR À ÚLCERA VENOSA. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 14, 2022. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/113114. Acesso em: 9 jun. 2026.