ACOMPANHAMENTO DO ITINERÁRIODOS DE PACIENTES DA UTI NA REDE DE SAÚDE DE URUGUAIANA: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA

Autores

  • Guilherme Nunes Salbego
  • Carla Gabriela Rodrigues de Souza
  • Rafael Tamborena Malheiros
  • Fernanda Vargas Ferreira
  • Marta Fioravanti Carpes

Palavras-chave:

UTI, fraqueza, muscular, qualidade, vida

Resumo

Sabe-se que a longa permanência de pacientes em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) causa impactos a longo prazo no desempenho funcional desses, porém essas consequências e complicações tardias ainda não estão completamente esclarecidas, visto que a maioria desses pacientes não segue o acompanhamento em sua rede de saúde. Estudos que acompanharam pacientes críticos após as altas hospitalares evidenciam que os pacientes podem apresentar: baixa funcionalidade, fraqueza muscular, sequelas neuropsicológicas seguidas de dificuldade à interação social, imobilização prolongada, sepse e uso excessivo de drogas. Assim, os sobreviventes de internações em UTI são acometidos de muita perda na qualidade de vida, o que implica em alterações físicas, cognitivas e psiquiátricas após a alta hospitalar, em especial os pacientes de longo período de internação na unidade. Devido ao alto grau de dependência que os pacientes da UTI se encontram ao receber alta as complicações e reinternações são recorrentes, com isso, o objetivo desse estudo foi acompanhar o desfecho clínico e a assistência prestada na rede de saúde municipal aos egressos da Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Santa Casa de Caridade da cidade de Uruguaiana-RS, bem como, o acesso à reabilitação no sistema público de saúde. Trata-se de um estudo de abordagem descritiva do tipo relato de caso, realizado no Hospital Santa Casa de Caridade de Uruguaiana dentro de um projeto de extensão: Capacidade funcional, Autonomia, Movimento e Independência do Hospital a Residência e Reabilitação (CAMInHaRR). Dividido em três etapas: Etapa I: Nesta etapa realizamos a seleção dos participantes, através da identificação e acompanhamento de todos os pacientes internados na UTI. Na primeira abordagem, foi explicado os objetivos do projeto e convidados a participar. Etapa II: Os pacientes que concordaram em participar do estudo, foram avaliados quanto ao grau de dependência para as atividades de vida diária (AVD), força muscular, dispneia nas AVD, alterações cognitivas e qualidade de vida, também foi averiguado a região de residência do paciente para investigar o suporte social e de saúde à disposição, além disso foi identificado o cuidador do indivíduo. Etapa III: Após 30 dias, os pacientes que residem em Uruguaiana receberam uma ligação e então foi aplicado um questionário baseado no Índice de Barthel e mmrc dispneia, além de conter perguntas relacionadas ao vínculo com a atenção secundária e primária. Foram internados na UTI, no período de abril a julho 115 pacientes com os mais diversos tipos de acometimentos de saúde. Destes, foram acompanhados no andar clínico e avaliados 27 e após a alta, o projeto conseguiu rastrear 6 sujeitos que estavam cadastrados no CELK ® ️ Saúde: sistema de gestão em saúde que gerencia o fluxo de trabalho do município conectando diversos estabelecimentos de saúde e armazenando informações. Os casos contavam com 2 pacientes do sexo masculino e 4 do sexo feminino, e todos passaram mais de 10 dias internados. A causa da internação foi Acidente Vascular Encefálico (AVE), infarto agudo do miocárdio, pós operatório de laparotomia exploratória e crise asmática. Os pacientes relataram ainda apresentar algum tipo de déficit funcional e ou algum sintoma de dispneia. Todos possuíam vínculos com suas Estratégias de Saúde da Família de referência, porém não foram visitados e passaram somente em consultas com profissionais especialistas da atenção secundária. Uma está realizando fisioterapia para reabilitação encaminhada, via projeto CAMInHaRR, para atendimento no estágio de fisioterapia Hospitalar e Ambulatorial da Unipampa, duas relataram estar na fila de espera para realização do tratamento, nesses casos não foi possível inserir imediatamente nos estágios da Unipampa por falta de vaga via Sistema Único de Saúde, uma relatou ter sido indicado o tratamento fisioterapêutico, mas não recebeu encaminhamento e um paciente não foi encaminhado e nem sugerido a fisioterapia. Portanto, podemos relatar que os pacientes acabam tendo um vínculo descontínuo com a atenção primária e que são referenciados mais à atenção secundária, por causa das complicações no estado de saúde após a alta hospitalar. Assim, a capacidade funcional destes pacientes não têm o devido enfoque que deve ter, além de enfrentarem entraves dentro da rede que dificultam o acesso ao tratamento fisioterapêutico. Sendo assim, faz-se necessário um olhar integral ao paciente egresso da Unidade de Terapia Intensiva , junto de todo o contexto que lhe cerca.

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Publicado

2022-11-23

Como Citar

ACOMPANHAMENTO DO ITINERÁRIODOS DE PACIENTES DA UTI NA REDE DE SAÚDE DE URUGUAIANA: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 14, 2022. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/113098. Acesso em: 14 maio. 2026.