LONGITUDINALIDADE DO CUIDADO NO CONTEXTO GRAVÍDICO- PUERPERAL: RELATO DE EXPERIÊNCIA

Autores

  • Emile Ramos
  • Mariana Pinto da Fontoura
  • Juliana Campodonico Madeira
  • Fernanda Vargas Ferreira

Palavras-chave:

Atenção, Primária, Saúde, Cuidado, Pré-Natal, Pós-Natal, Fisioterapia, Coletiva

Resumo

Introdução: A longitudinalidade do cuidado é uma qualidade da Atenção Primária à Saúde (APS) e propicia melhor identificação das necessidades de saúde, especialmente, no que tange ao período gravídico-puerperal. Nesse sentido, a Estratégia Saúde da Família (ESF) e sua equipe se mostram como responsáveis pelo caráter longitudinal, desde a gestação que, como processo fisiológico, gera inúmeras alterações físicas e psíquicas, tais como, aumento das mamas, hipertrofia miocárdica, aumento do volume do útero gravídico, elevação do diafragma e hiperextensão dos joelhos; além de, labilidade emocional e distúrbios do sono. No puerpério, especialmente, mediante a consulta puerperal, se objetiva principalmente à detecção precoce de fatores de risco de morbimortalidade; além de ser uma oportunidade para o acompanhamento do aleitamento materno (AM) e do recém- nascido. Outrossim, os estágios curriculares se propõem a assegurar ao discente a realização de atividades práticas em diferentes níveis de atenção e de atuação (eg., ESF, ambulatorial, hospitalar) e no Curso de Fisioterapia da UNIPAMPA o Estágio Supervisionado em Fisioterapia Ambulatorial, Saúde Pública e Comunitária I tem como propósito integrar o discente à realidade social e profissional do campo de atuação da Fisioterapia. Objetivo: Relatar a experiência de longitudinalidade do cuidado de mulher no contexto gravídico-puerperal assistida em ESF no município de Uruguaiana/RS. Método: Reportar ações fisioterapêuticas voltadas à gravidez e ao puerpério de primigesta assistida entre fevereiro e setembro de 2022. Resultados: Primigesta, 25 anos, iniciou assistência fisioterapêutica com 30 semanas gestacionais e com diagnóstico de hipotireoidismo na gestação que apresenta como características TSH (hormônio estimulador da tireoide) acima do valor de referência para o trimestre gestacional e hormônios T3 e T4 normais. Essa condição clínica pode favorecer pré-eclâmpsia, prematuridade, descolamento prematuro de placenta e abortamento. Dessa forma, a gestante foi classificada como de alto risco, que é conceituada como aquela na qual a vida ou a saúde da mãe e/ou do feto e/ou do recém-nascido têm maiores chances de serem atingidas que as da média da população considerada. No primeiro dia de visita domiciliar, mediante o acesso à Caderneta da Gestante que é um documento no qual deve ser registrado todo e qualquer procedimento e exame realizado na gestação, colheram-se informações como data provável de parto (DPP), número de consultas de pré-natal e exames laboratoriais. A gestante apresentava sinais vitais: normotensa com PA 110X70mmHg, FC 78 bpm; T axilar 36ºC e eupneica FR 20 cpm. A primigesta negou hábitos nocivos como etilismo e tabagismo e se apresentou como sedentária. Em termos de via de nascimento, ela relatou preferência pelo parto vaginal. Outrossim, se conversou com a gestante sobre os potenciais benefícios da prática de exercícios terapêuticos na gestação como restabelecimento do equilíbrio muscular, melhor condicionamento cardiorrespiratório, alívio de sintomatologia dolorosa e melhora do humor. Também se destacou que a Fisioterapia, por meio de orientações e condutas específicas, pode favorecer o parto vaginal, ao encontro da sua fala inicial. Nesse primeiro dia se realizaram exercícios terapêuticos: mobilidade pélvica; condutas respiratórias, especialmente, pelo relato da gestante de ser ansiosa; alongamentos globais e orientações cotidianas. Sequencialmente, ao longo dos atendimentos (1x/semana e com duração em torno de 45 minutos), foram realizados, além dos exercícios já mencionados, exercícios metabólicos, relaxamento e orientações ergonômicas; além do uso de modelos anatômicos (ex.: pelve). Elaboraram-se folhetos educativos com base nas necessidades da gestante, como por exemplo, dúvidas sobre as vias de nascimento; aleitamento materno; o que levar na bolsa da maternidade e vacinação do bebê de 0 a 1 ano de idade. Deve-se mencionar que a gestante recebeu orientações sobre o trabalho de parto, reforçando a importância da sua liberdade de movimento na parturição. Em abril ocorreu o nascimento de seu filho, via parto vaginal, sem intercorrências. O contato com a usuária continuou via WhatsApp, até que a mesma comentou que gostaria de receber visita puerperal, já que, apresentava inúmeras dúvidas e receios acerca do cuidado com o bebê. Assim, as visitas foram retomadas (continuam até hoje) com o propósito principal de promover educação em saúde (ex.: fissura mamilar, dar banho, cortar as unhas do bebê). Adicionalmente, em virtude de dúvidas da mãe, se passaram informações sobre o desenvolvimento infantil, bem como se mostraram atitudes / posições / movimentos que podem favorecer o ganho de habilidades. Conclusão: A visita domiciliar no contexto da APS, realizada no estágio supervisionado, permitiu adequar os cuidados de acordo com as necessidades reais da usuária e família, possibilitando uma experiência longitudinal.

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Publicado

2022-11-23

Como Citar

LONGITUDINALIDADE DO CUIDADO NO CONTEXTO GRAVÍDICO- PUERPERAL: RELATO DE EXPERIÊNCIA. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 14, 2022. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/113089. Acesso em: 10 jun. 2026.