TRATAMENTO FISIOTERAPÊUTICO EM DISFUNÇÃO NEUROGÊNICA DO TRATO URINÁRIO INFERIOR (DNTUI) EM CRIANÇA EM IDADE ESCOLAR: RELATO DE CASO

Autores

  • Victoria Cardoso
  • Franciely Antunes Dineck
  • Kaueli Rodrigues Amaral
  • Fernanda Vargas Ferreira
  • Juliana Campodonico Madeira

Palavras-chave:

Extensão, Comunitária, Bexiga, Urinária, Neurogênica, Fisioterapia

Resumo

Introdução: Disfunção neurogênica do trato urinário inferior (DNTUI) é conceituada como a disfunção do trato urinário inferior originada por distúrbios do mecanismo neurológico de controle da micção, e pode envolver o Sistema Nervoso Central (SNC) e/ou o Sistema Nervoso Periférico (SNP). Os sintomas podem ser relacionados à fase de enchimento vesical como incontinência urinária (IU), urgência, noctúria e alteração na frequência miccional; já na fase de esvaziamento pode haver hesitação miccional, jato intermitente, jato fraco e esforço miccional. Outrossim, outras complicações mais graves podem ocorrer, tais como, infecções do trato urinário, sepse, obstrução ureteral, refluxo vesico ureteral e insuficiência renal. Adicionalmente, pode haver disfunção intestinal (eg., constipação intestinal - CI, incontinência fecal IF) em associação à disfunção vesical, sendo que, nesse caso, a International Childrens Continence Society (ICCS) recomenda o uso do termo disfunção vesical e intestinal (DVI). Conforme aponta a ICCS a Fisioterapia Pélvica em Uropediatria e a Uroterapia são elencadas como primeiras linhas de tratamento, se citando recursos como cinesioterapia dos músculos do assoalho pélvico, alarme, eletroterapia, diário miccional e Biofeedback-EMG. Objetivo: Relatar um plano de tratamento fisioterapêutico para IF e IU em criança com diagnóstico clínico de lipomeningocele assistida no projeto de extensão Práticas Fisioterapêuticas em Saúde Pélvica da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), Campus Uruguaiana. Método: Relato de caso realizado entre julho e agosto de 2022 o qual participou criança de 10 anos do sexo feminino com queixa de incontinência dupla (urinária e fecal). Como instrumentos se usaram ficha de avaliação fisioterapêutica utilizada pelo Grupo de Estudos e Pesquisa em Fisioterapia e Saúde Pélvica (GEPEFISP) e para aplicação em domicílio se empregaram diário miccional (2-3 dias), diário evacuatório (3 dias) e Escala de Fezes de Bristol (3 dias, no mínimo). Resultados: A criança foi acompanhada pela mãe em todos os encontros. A criança apresentou déficit de equilíbrio, marcha ceifante e na avaliação funcional do assoalho pélvico, a criança mostrou sensibilidade nas regiões dos dermátomos S2-4 e se observou, mediante solicitação, contração da musculatura do assoalho pélvico (MAP) com uso de musculatura abdominal. Desse modo, o plano de tratamento fisioterapêutico foi desenvolvido em 8 atendimentos com duração de 1 hora, sendo constituído de exercícios para melhorar o equilíbrio e a propriocepção (exemplos, na bola suíça, no jump, uso de bases instáveis); para a IF, neuromodulação do nervo tibial posterior ou na região parassacral (S2-3) por meio do uso da Estimulação Elétrica Nervosa Transcutânea (TENS) (f=5Hz, largura de pulso=200ms, tempo=20 minutos e intensidade no limiar sensitivo), cinesioterapia da MAP em associação à fase expiratória, uso de recursos como bola suíça para trabalhar mobilidade pélvica e recursos lúdicos como a utilização de jogos e de brincadeiras. Outrossim, se realizaram orientações voltadas às funções intestinal e vesical a fim de contemplar a Uroterapia. A mãe relatou que a criança sentiu o desejo evacuatório e que apresentou melhor controle fecal com os atendimentos; também reportou que a criança relatou vontade de urinar (desejo miccional). Conclusão: Apesar de o estudo incluir apenas um caso, nossos resultados indicaram que a abordagem fisioterapêutica pélvica gerou um efeito positivo sobre os desejos evacuatório e miccional, ao encontro dos objetivos voltados à melhoria dos sintomas e da qualidade de vida.

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Publicado

2022-11-23

Como Citar

TRATAMENTO FISIOTERAPÊUTICO EM DISFUNÇÃO NEUROGÊNICA DO TRATO URINÁRIO INFERIOR (DNTUI) EM CRIANÇA EM IDADE ESCOLAR: RELATO DE CASO. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 14, 2022. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/113083. Acesso em: 10 jun. 2026.