MASTECTOMIA REGIONAL ASSOCIADA À LINFADENECTOMIA AXILAR UTILIZANDO MARCAÇÃO LINFÁTICA POR AZUL DE METILENO

Autores

  • Maria Eduarda Rodrigues Costa
  • Catherine Konrad Nava Calva
  • Anna Vitória Horbe
  • Leonel Félix Leão Neto
  • Maria Lígia de Arruda Mistieri

Palavras-chave:

exérese, tumoral, estadiamento, linfadenectomia, azul, metileno

Resumo

Neoplasias mamárias são comuns em fêmeas caninas, sendo a maioria de caráter maligno. A excisão cirúrgica é a abordagem terapêutica ou paliativa indicada, sendo a mastectomia regional indicada para tumores únicos, menores que três centímetros, não localizadas em M3. A linfadenectomia regional é indicada na detecção de metástases regionais, sendo importante componente na decisão terapêutica e prognóstica. O azul de metileno é um marcador linfático comprovadamente eficaz na marcação de tecidos linfáticos, dada a dificuldade na identificação destes, já que normalmente se assemelham ao tecido adiposo que os circundam. Assim, o objetivo do presente relato é relatar um caso de mastectomia regional associada à linfadenectomia axilar utilizando marcação linfática por azul de metileno em canino. Foi atendido no Hospital Veterinário da Universidade Federal do Pampa um canino maltês, fêmea, 8 anos, castrada, com queixa de aumento de volume em cadeia mamária esquerda há dois meses e histórico de administração de contraceptivos até os quatro anos de idade. Ao exame físico constatou-se um nódulo caudal à M2 esquerda, com aproximadamente 2 cm em seu maior eixo. Na avaliação radiográfica torácica e ultrassonográfica abdominal não foram constatadas alterações sugestivas de metástases a distância. Optou-se pela realização de mastectomia regional associada à linfadenectomia axilar esquerda, com marcação linfática por azul de metileno. Iniciou-se o procedimento infiltrando o corante na dose de 0,5mg/kg, intradérmico, na região periaureolar da mama torácica cranial esquerda, antes da antissepsia definitiva. Passados 30 minutos da infiltração, incisou-se a pele na região axilar esquerda, sob a região dos músculos peitoral profundo e superficial, o subcutâneo foi divulsionado em direção crânio-dorsal até a identificação do linfonodo axilar. Notou-se adequada marcação dos vasos linfáticos e linfonodo. Este, foi resseccionado e armazenado em formol. Reduziu-se o espaço morto com PGA 2-0 em padrão simples contínuo, subcutâneo com PGLA 3-0 em padrão zigue-zague e pele em padrão colchoeiro com nylon 4-0. Imediatamente após, realizou-se incisão em forma elíptica ao entorno de M1 a M3 esquerda; hemostasia e dissecção das paredes torácica e abdominal, alcançadas com bisturi monopolar. As artérias e veias epigástricas craniais foram isoladas e ligadas com fio PGA 2-0. Lavada a ferida operatória com solução fisiológica morna, realizou-se walking suture com PGA 2-0 para redução do espaço morto e aproximação das bordas. O subcutâneo foi reduzido em padrão zigue zague, utilizando PGA 3-0 e a dermorrafia em padrão colchoeiro, com Nylon 4-0. A paciente recebeu alta hospitalar no mesmo dia do procedimento com prescrições de meloxicam (0,1mg/kg/SID/5 dias), dipirona (25mg/kg/TID/4 dias), tramadol (2mg/kg/TID/3 dias) e cefalexina (30mg/kg/BID 10 dias), além de limpeza com solução fisiológica e troca de curativo a cada 12 horas, bem como controle ambiental. Os pontos foram retirados aos 10 dias de pós operatório. Não houve complicações. O exame histopatológico diagnosticou tumor misto benigno e o linfonodo livre de alterações. O estadiamento tumoral é fundamental para a decisão da técnica cirúrgica empregada, terapêutica ou paliativa, o que por vezes é diretamente proporcional ao trauma cirúrgico causado. Os estudos imagiológicos servem de exames de triagem padrões na tomada de decisões terapêuticas em casos de tumorações, dada a alta incidência de malignidade nesses casos. O azul de metileno é uma técnica potencial na identificação do linfonodo sentinela, facilitando a sua remoção. Os vasos linfáticos podem ser invadidos por células tumorais e quando ocorre, na maioria dos casos o linfonodo sentinela é o primeiro órgão a sofrer implantação por tais células. Assim, a linfadenectomia possui finalidade diagnóstica, sendo fundamental para o estabelecimento do prognóstico do paciente. De acordo com os consensos atuais sobre tratamento dos tumores mamários em cadelas, a mastectomia regional associada à linfadenectomia torna-se a conduta terapêutica de eleição nos casos em que existem lesões menores que 3 cm não localizadas em M3. A mastectomia total unilateral é recomendada quando são constatadas lesões múltiplas, maiores que 3 cm ou localizadas em M3, de qualquer dimensão. Assim, conclui-se que, nesse caso, o adequado estadiamento acarretou em conduta menos traumática, sendo a realização da mastectomia regional associada à linfadenectomia, a alternativa terapêutica adequada.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Downloads

Publicado

2022-11-23

Como Citar

MASTECTOMIA REGIONAL ASSOCIADA À LINFADENECTOMIA AXILAR UTILIZANDO MARCAÇÃO LINFÁTICA POR AZUL DE METILENO. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 14, 2022. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/113036. Acesso em: 9 jun. 2026.