PSEUDOCIESE EM UM CANINO

Autores

  • Tiphany Lazzarotto
  • Maria Eduarda da Silva de Garcia
  • Ana Gabriela da Silva da Rosa
  • Manoela Larré Oyenard
  • Milena Polla Ordakowski
  • Claudete Izabel Funguetto

Palavras-chave:

Cio, Galactorreia, Gestação, Gravidez, psicológica

Resumo

A pseudociese, pseudogestação ou gestação psicológica trata-se de um conjunto de alterações comportamentais e fisiológicas em cadelas não gestantes, geralmente não castradas, no período de seis a quatorze semanas após o estro. Essa síndrome pode ocorrer mesmo sem haver histórico de cópula, ou quando esta cópula não resulta em fecundação. Após a ocorrência do estro, sinais comportamentais de gestação são observados no período pré, peri e pós-parto, como prostração ou agitação, agressividade com outros cães ou pessoas, falta de apetite ou ganho de peso dependendo do caso, lambedura constante das mamas ou da região, corrimento vaginal mucopurulento ato de fazer ninhos, adotar objetos inanimados ou filhotes de outras fêmeas, aumento das mamas, uma vez que a queda nos níveis de progesterona, associado a um aumento da prolactina são os fatores que predispõem cadelas a apresentarem a falsa gestação. Essa enfermidade pode colaborar para a ocorrência de neoplasias e dermatites mamárias, além da mastite ocasionada pelo excesso de leite retido que favorece o crescimento de bactérias. O objetivo do presente trabalho é descrever os sinais observados e o manejo efetuado em um canino com pseudociese. Uma fêmea canina, da raça Shih-tzu, com um ano e seis meses de idade, foi atendida no Hospital Veterinário da Unipampa (HUVET), na cidade de Uruguaiana, Rio Grande do Sul, com histórico de queixa que a três meses, a paciente apresentou sinais de estro. Segundo relato da tutora, a paciente obteve mudança de comportamento e apresentou sinais físicos que mimetizavam prenhez, ocasionando em um aumento de volume abdominal e em tecido mamário, galactorréia (produção de leite) e dor na palpação das mamas. O médico veterinário responsável deliberou a solicitação exames complementares de sangue, como perfil bioquímico, hemograma, de urina, urinálise, além de ultrassonografia abdominal, nos quais, não foram evidenciadas alterações significativas. Devido a intensa galactorreia apresentada, foi instituído o uso de Metergolina (0,5 mg/kg, BID, VO, por oito dias). A paciente apresentou uma resposta satisfatória com o tratamento, resultando na diminuição do volume do tecido mamário, bem como a galactorreia. Embora não foram observadas alterações nos exames requeridos, indicou-se a realização da esterilização da paciente por meio da técnica cirúrgica ovariohisterectomia (OVH), que consiste na remoção dos ovários e útero, devido ao episódio com sinais clínicos compatíveis com pseudociese, a fim de evitar recidivas. A OVH foi realizada, sem complicações transoperatórias. O prognóstico dos pacientes com pseudociese após a OVH tende a ser favorável. Torna-se claro os malefícios causados pela pseudociese canina como o aumento da probabilidade de tumores mamários devido ao estímulo frequente do tecido mamário, de toda a forma, como opção para evita-la, indica-se a OVH precoce nas fêmeas caninas. Nos pacientes com uma intensa galactorreia, é recomendado o uso de fármacos antigalactogênicos, como a Metergolina, substância que inibidora da ação da prolactina, hormônio este responsável pela manutenção da secreção de leite. Observa-se com frequência na rotina clínica de pequenos animais, a pseudociese, por isso, torna-se de fundamental importância o conhecimento da afecção, para adequada resolução clínica. Conclui-se com o presente caso que a terapêutica efetuada, por meio do uso de fármaco e posteriormente a realização de OVH, foi efetiva, associada a excelente recuperação pós-operatória.

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Publicado

2022-11-23

Como Citar

PSEUDOCIESE EM UM CANINO. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 14, 2022. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/113030. Acesso em: 14 maio. 2026.