TUBERCULOSE BOVINA - RELATO DE CASO

Autores

  • Isabella Santiago Sarcero
  • Letícia Romani Simone
  • Izabela Dalcin Marques
  • Tatiana Klafke
  • Irina Lubeck

Palavras-chave:

Tuberculose, Zoonose, Sanidade, Animal, Gado, Leiteiro

Resumo

A tuberculose bovina é uma zoonose causada pela bactéria Mycobacterium, mais frequentemente pela espécie M. bovis, e secundariamente por M. avium e M. tuberculosis, tendo sua principal forma de infecção a via respiratória. A enfermidade é preocupante para a saúde única e o atual trabalho tem como objetivo relatar a ocorrência da enfermidade e entender sua epidemiologia durante o cotidiano. Sabe-se que animais criados em sistema de confinamento exigem maior atenção, já que o microrganismo é transmitido, principalmente, via aerossóis. A transmissão pela via digestiva também ocorre, especialmente em animais jovens, como bezerros, quando ingerem leite materno ou água contaminada. No estado do Rio Grande do Sul, a maior prevalência da doença ocorre em bovinos de leite. A tuberculose em bovinos se apresenta, principalmente, de forma subclínica, no entanto, os animais podem apresentar: perda de peso, febre, anorexia, dispneia, tosse, corrimento nasal seroso, linfonodos periféricos aumentados de tamanho e perdas de até 25% na produção de carne e/ou leite. Em agosto de 2022, foi solicitado atendimento em uma propriedade leiteira no município de Guarani das Missões RS. A ação foi desenvolvida por profissional liberal em conjunto com a Fiscalização da Defesa Agropecuária do Estado. Na referida propriedade, havia a ocorrência de tuberculose bovina e, na oportunidade foi realizada uma segunda testagem nos animais em decorrência de resultados indefinidos que haviam ocorrido na primeira verificação do gado. A metodologia utilizada foi o Teste Cervical Comparativo (TCC), pois possui maior especificidade e sensibilidade, é utilizado quando os animais já tiveram testes prévios inconclusivos e consiste, resumidamente, em duas etapas; a primeira com a inoculação de 0,1 ml de M. bovis e M. avium na tábua do pescoço por via intradérmica, realizando tricotomia adequada na região juntamente com a mensuração da prega de pele antes da aplicação, para modo de comparação após 72 horas; a segunda etapa consiste em uma nova aferição da prega do pescoço, e realiza-se a subtração dos valores resultando na diferença entre eles. Reações com diferença entre a tuberculina bovina e a aviária menores que 2mm são negativas, entre 2 a 3,9mm são inconclusivas e maiores que 4mm são positivas. Após o intervalo de tempo necessário exigido pelo teste, houve o retorno para a propriedade e foi realizada a mensuração da prega de pele, contabilizando e comparando ao final a variação obtida no dia da inoculação e no dia da leitura, resultando na testagem de todos os 47 bovinos presentes na propriedade (com animais desde 8 meses até com mais de 36 meses de idade). Após a interpretação dos testes, 5 vacas foram positivas, dentre elas 4 vacas maiores de 24 meses e 1 terneiro de 8 meses, sendo esse supostamente infectado por ingerir colostro de outro animal infectado, e 6 vacas indefinidas (maiores que 24 meses). Ao final da apuração e análise do resultado, a Inspetoria Agropecuária do Estado, juntamente com o médico veterinário responsável, selecionou os animais positivos, sendo estes marcados a fogo candente para diferenciação do restante do rebanho e encaminhamento de fotos dos mesmos com identificação e características ao MAPA, acompanhado do pedido de abate sanitário e indenização ao proprietário (em média R$ 1.500,00 reais por animal). Dessa forma, os animais positivos foram isolados até a liberação para o abate, que deve ser realizado em frigorífico devidamente inspecionado e sendo as despesas, como transporte e abate, de responsabilidade do produtor. Acredita-se que a positividade dos animais tenha decorrido da entrada de um novo lote com 11 animais na propriedade, todos supostamente testados e negativos. Contudo, ao se investigar o caso, descobriu-se que, na propriedade de origem das 11 vacas introduzidas houve falha no sistema de identificação dos animais, deflagrando a troca de brincos entre animais sem o teste. Assim, suspeita-se que esse novo lote foi o ponto de partida para a proliferação da doença, já que não se podia afirmar a negatividade dos testes em decorrência na falha de identificação. A partir deste trabalho, é possível perceber a importância do controle da sanidade dos animais de uma propriedade a fim de evitar disseminação de doenças como a tuberculose. A testagem dos animais para a tuberculose previamente à entrada em uma propriedade é essencial para manter os animais livres da bactéria, ainda mais tratando-se de uma zoonose muito relevante na saúde pública. A separação de animais positivos é outro fator importante nesta problemática, visto que erros na identificação dos animais podem causar prejuízos e transtornos, principalmente tratando-se de uma doença que se apresenta-se muitas vezes de forma assintomática para os bovídeos. Ademais, ressalta-se o trabalho dos órgãos de vigilância do estado no controle de doenças, políticas públicas que influenciam a detecção e controle de zoonoses que impactam diretamente na redução de casos.

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Publicado

2022-11-23

Como Citar

TUBERCULOSE BOVINA - RELATO DE CASO. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 14, 2022. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/113026. Acesso em: 10 jun. 2026.