O PUNITIVISMO ESTRUTURAL EM REPORTAGEM MULTIMÍDIA

Autores

  • Giovanna Vitoria
  • Cassiano Ireno Battisti
  • Bianca Bichet Ramires
  • Sara Alves Feitosa

Palavras-chave:

Punitivismo, Sistema, Carcerário, Jornalismo, Especializado, Produção, Multiplataforma

Resumo

O PUNITIVISMO ESTRUTURAL EM REPORTAGEM MULTIMÍDIA Bianca Bichet Ramires, discente de graduação, Universidade Federal de Pelotas, Campus Pelotas Cassiano Ireno Battisti, discente de graduação, Universidade Federal do Pampa, Campus São Borja Giovanna Vitória Rodrigues Pereira, discente de graduação, Universidade Federal do Pampa, Campus São Borja Sara Feitosa, docente, Universidade Federal do Pampa e-mail primeiro autor: giovannapereira.aluno@unipampa.edu.br O trabalho desenvolvido no componente curricular obrigatório de Jornalismo Especializado, teve como proposta dar visibilidade à questão do punitivismo estrutural. Segundo o Núcleo de Estudos da Violência da USP e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil carrega o título de 3° país do mundo com maior população carcerária e isso tem muito haver com a mentalidade de punição construída ao longo dos tempos. Durante o domínio da Igreja Católica, um dos meios de punir passou a ser comandado por esta instituição, o chamado cárcere eclesiástico. Além disso, durante a história existiu punições por reciprocidade, como a Lei de Talião (olho por olho, dente por dente), ou seja, a punição era proporcional com o crime cometido. Ao observar a falta de uma contextualização histórica e do debate em si sobre o tema, decidimos dar visibilidade a essa questão pouco problematizada. O punitivismo se faz presente em comportamentos sociais contemporâneos justamente pela ideia construída de justiça, que tem como base o punitivismo estrutural. Fenômenos desencadeados pela cultura do cancelamento são provenientes dessa base punitivista. Além dessas temáticas, abordamos os problemas que cercam o sistema prisional, algumas características do sistema vigente em São Borja, políticas de reinserção e o conceito de justiça restaurativa. Foi pensado no tema A sede por vingança: o punitivismo estrutural para a produção de grande reportagem em decorrência de São Borja estar se preparando para receber um novo presídio, levando em conta a localização geográfica da Universidade na produção. O trabalho tem como objetivos compreender como o punitivismo começou e como ele impacta as pessoas, informar sobre o sistema prisional e o punitivismo estrutural e pontuar as características dos apenados, com enfoque no Rio Grande do Sul. A reportagem foi desenvolvida durante os meses de junho a agosto de 2022, seguindo a metodologia de produção de reportagem jornalística especializada de Nilson Lage (2011), onde há o uso da expressão "informação jornalística" para designar a reportagem como gênero de texto que se aprofunda nas temáticas ao combinar o interesse jornalístico com o uso de dados em sua construção. Associada ao projeto de ensino Agência Experimental de jornalismo i4 Plataforma de Notícias, a produção contou com uma grande reportagem e um podcast narrativo, sendo publicado nas plataformas Medium e Youtube, além do site e da página no Instagram do projeto de ensino. Na grande reportagem foram utilizados hiperlinks, gráficos e fotografias. Recolhemos dados do Ministério da Justiça, Superintendência dos Serviços Penitenciários (SUSEPE), Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Diante dos dados da SUSEPE realizamos gráficos para demonstração das informações coletadas, a fim de conscientizar sobre o sistema prisional e informar as características dos apenados no Brasil, com enfoque no Rio Grande do Sul. Foram realizadas diversas entrevistas com entidades que representam órgãos federais, especialistas e outros. Os resultados obtidos através da produção são que o punitivismo é uma característica enraizada em nossa sociedade e um grande desencadeador de problemas sociais, como a superlotação nas penitenciárias, os linchamentos e a cultura do cancelamento, fortemente atrelada ao pensamento punitivista. Além disso, a produção evidenciou a seletividade penal da população carcerária, que em esfera nacional se constitui principalmente de pessoas pobres, negras e pardas. Entretanto, no Rio Grande do Sul o perfil médio dos apenados se constitui principalmente de brancos, sendo observadas também características como o grau de escolaridade e o tipo de delito cometido. Foi observado que em relação ao tipo de delito cometido há uma discrepância grande entre homens e mulheres. No Rio Grande do Sul, as mulheres são presas em 95% dos casos por causa do tráfico de drogas, enquanto os homens correspondem a 25%. Em relação ao Presídio Estadual de São Borja foi observado que possui 86 apenados acima de sua capacidade, mas que são desenvolvidas diversas atividades de recreação e reinserção. A equipe de reportagem também concluiu após a produção de que as políticas de reinserção se fazem necessárias e de que a justiça restaurativa pode ser um caminho para a resolução de conflitos dentro de um contexto que foge do mero pensamento punitivista. Palavras-chave: Punitivismo; Sistema Carcerário; Jornalismo Especializado; Produção Multiplataforma;.

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Publicado

2022-11-23

Como Citar

O PUNITIVISMO ESTRUTURAL EM REPORTAGEM MULTIMÍDIA. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 14, 2022. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/112676. Acesso em: 17 abr. 2026.