O BRASIL QUE AINDA ESCRAVIZA
Palavras-chave:
Escravidão, contemporânea, Grande, reportagem, direitos, humanos, vulnerabilidade, social, Fronteira, oesteResumo
O BRASIL QUE AINDA ESCRAVIZA Maicon de Matos Mendes, discente de graduação, Universidade Federal do Pampa, Campus São Borja Sara Alves Feitosa, docente, Universidade Federal do Pampa Email do autor: maiconmendes.aluno@unipampa.edu.br O trabalho se refere a uma grande reportagem desenvolvida para o componente obrigatório de Jornalismo Especializado, do curso de Jornalismo, da Universidade Federal do Pampa, campus São Borja, que busca aprofundar o debate sobre a Escravidão Contemporânea. Tendo como gancho jornalístico os resgates de trabalhadores em condições análogas à escravidão em granjas do interior do município de São Borja, que ocorreram entre janeiro e fevereiro de 2022 e tiveram uma cobertura superficial por grande parte da mídia local. Neste sentido, o objetivo desta reportagem foi o de aprofundar a compreensão do caso, através do relato de pessoas que trabalharam diretamente nele, como o delegado da Polícia Federal em São Borja, Márcio Alves Mathias, o procurador do Ministério Público do Trabalho em Uruguaiana, Hermano Martins Domingues, responsável pelo caso e um ex-funcionário de uma das granjas onde ocorreram os resgates, cujo nome foi mantido em sigilo como um meio de protegê-lo de possíveis represálias. Além disso, a reportagem buscou partir do caso ocorrido em São Borja para falar da escravidão contemporânea a nível nacional, buscando entender o que explica o aumento no número de casos de resgates de 2018 até o presente momento. Para isso contou com a colaboração de especialistas no assunto, como a pesquisadora do Grupo de Pesquisa Trabalho Escravo Contemporâneo, Flávia de Almeida Moura, também autora de dois livros sobre o assunto. Também colaboraram com a reportagem a Doutoranda em Direito e pesquisadora com experiência em trabalho escravo contemporâneo, Raíssa Roussenq Alves, autora do livro Entre o silêncio e a negação: o trabalho escravo contemporânea sob a ótica da população negra e a Doutora em Direito e especialista em Direitos Humanos, Adriana Hartemink Cantini.Para o desenvolvimento da reportagem, foi empregada uma análise que foi do micro ao macro, partindo de um caso local para explorar a problemática da escravidão contemporânea no Brasil através de diversos ângulos, entre eles o do trabalho infantil, a herança da escravidão colonial e o impacto na população negra e a representação do assunto na arte e na mídia. A base teórica-metodológica para a produção da reportagem (LAGE, 1993) observou as técnicas de produção jornalística em três etapas: pré-produção, produção e pós-produção. Além disso, foram usados dados obtidos através do Painel de Informações e Estatísticas do Trabalho no Brasil, que colocam São Borja como o município com mais autos de infração lavrados em relação a irregularidades trabalhistas e de trabalho análogo à escravidão, em todo Brasil até o momento de finalização da reportagem. Os dados também evidenciam o aumento no número de casos de resgates de pessoas em condições análogas à de escravo de 2018 para cá, sendo que em 2017 houveram 640 resgates e 1.154 em 2018, média que se manteve nos anos que se seguiram. Também foram usados dados retirados do Observatório da Erradicação do Trabalho Escravo e do Tráfico de Pessoas, que demonstram o perfil racial dos resgatados, sendo a grande maioria definido como mestiços; a escolaridade dos resgatados, formado por uma maioria de analfabetos e pessoas que estudaram somente até o 5º ano do ensino fundamental; e os setores mais frequentemente envolvidos nos resgates, sendo eles a criação de bovinos e o cultivo de cana de açúcar. A reportagem, então, foi capaz de revelar, através de relatos de fontes diretamente ligadas ao caso, as condições precárias e desumanas nas quais os trabalhadores eram mantidos, além de denunciar, através do relato de um ex-funcionário de uma das granjas onde ocorreram os resgates e que já trabalhou em outras granjas da região, que a prática era algo comum, que acontecia todos os anos e não somente nas granjas autuadas. Também apresentou, através de fontes especializadas no assunto, os motivos que explicam o aumento do número de casos como estes nos últimos anos, sendo eles as reformas no âmbito trabalhista, que trouxeram mais precarização no mercado de trabalho, flexibilizaram as cadeias produtivas e retiraram direitos, a crise econômica aprofundada pela pandemia, a fome, que aumentou drasticamente nos últimos anos, a vulnerabilidade social, a concentração de terras e a impunidade. Sua divulgação posterior na i4 - Plataforma de Notícias, agência de jornalismo experimental do curso de Jornalismo da Unipampa, foi capaz de preencher a lacuna deixada pela mídia local na cobertura sobre o caso e oferecer uma dimensão maior do problema a nível local e nacional.Downloads
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Publicado
2022-11-23
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
O BRASIL QUE AINDA ESCRAVIZA. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 14, 2022. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/112668. Acesso em: 17 abr. 2026.