EXPEDIÇÃO DE ESTUDOS NO ENSINO SUPERIOR: POSSIBILIDADES DO FAZER PEDAGÓGICO PARA FUTUROS PROFESSORES
Palavras-chave:
Expedição, estudos, Inovação, Pedagógica, Ensino, MCT, Jardim, BotânicoResumo
Este trabalho se originou de uma expedição de estudos vinculada ao componente curricular de Didática das Ciências Biológicas, do curso de Licenciatura em Ciências Biológicas da Universidade Federal do Pampa - campus São Gabriel, na qual foi possível observar várias dimensões e possibilidades de Ensino, baseadas na pluralidade metodológica e inovações pedagógicas. Atividades diferenciadas que ultrapassam os muros da universidade, potencializam diferentes sentidos criativos e dialógicos com as realidades locais e servem de exemplo para futuras práticas profissionais docentes, abrindo um leque de percepções quanto a espaços propulsores de práticas de ensino-aprendizagem significativas e dinâmicas. O objetivo deste trabalho foi realizar uma expedição de estudos ao Museu de Ciência e Tecnologia da PUC (MCT) e Jardim Botânico (JB), na cidade de Porto Alegre, para observar a variabilidade e a potencialidade dos espaços não formais para se trabalhar com educação, além de fomentar discussões acerca das políticas públicas em relação a estes espaços. Para as visitações foi utilizado um guia disponibilizado pela professora orientadora contendo alguns itens necessários de observação atenta, além de recursos para captura de fotos e escrita. Anteriormente à visitação, foi pesquisado no site do MCT e do JB questões pertinentes a serem exploradas com a equipe de visitação. Na chegada à cidade, fomos guiados primeiramente ao JB onde tivemos uma guia para apresentar o local e explicar sobre seu funcionamento e quais atividades de ensino, pesquisa e extensão eram realizadas lá, pois o Jardim abriga centros de pesquisa com discentes de graduação e pós-graduação atuando nele, juntamente de profissionais da área, assim como o MCT. Posteriormente, nos direcionamos ao MCT, onde foi disponibilizado um tempo inicial para explorar o espaço de forma livre, para averiguar os ambientes de cada andar. O prédio possui 3 andares que articulam-se com diferentes temáticas da área de Ciências da Natureza. Num segundo momento, no Museu, tivemos a visitação guiada com foco em conhecer os laboratórios e as atividades de Ensino desenvolvidas. Os registros escritos e fotográficos serviram de base para os dados analisados. Ao comparar os dois espaços de visitação, encontramos diferenças alarmantes em relação à estrutura, manutenção de acervos, quadro de funcionários, atividades desenvolvidas e organização. É nítido que existe um cenário de políticas que desfavorecem o JB, visto sua precarização por se tratar de um ambiente de natureza pública, sofrendo diversos cortes orçamentários que dificultam seu pleno funcionamento. Infelizmente este cenário se estende aos diversos espaços e setores que trabalham com pesquisa e educação, quando mantidos pelo poder público. Enquanto o MCT é um espaço de natureza privada, atrelado a interação direta do público com as exposições permanentes que abusam de tecnologias, recursos e coleções variadas. Nele, foram observados os laboratórios de Química, Física e Biologia e, dialogado com os professores responsáveis de cada um, no contexto, analisamos o quanto é fácil a realização de aulas práticas no Museu, em relação a obtenção de material e disponibilidade orçamentária. O quadro de professores do MCT é bem jovem, com educadores que ainda estão cursando sua pós-graduação e que tentam inovar pedagogicamente nas suas aulas. Já o JB conta com professores com mais tempo de profissão, porém, isto não reflete numa má qualidade de ensinar, pois eles tentam utilizar dos poucos recursos que possuem e do vasto e lindo espaço do local para tornar as visitações e aulas mais inovadoras. Os objetivos traçados com este trabalho foram alcançados, na medida em que com a expedição de estudos ao Museu de Ciência e Tecnologia da PUC (MCT) e Jardim Botânico, detectou-se uma grande riqueza e variabilidade de propostas didático-pedagógicas para se trabalhar com educação nestes dois espaços, além de reflexões críticas acerca do funcionamento e gestão dos mesmos, principalmente em relação às políticas que os mantém. Contudo, o profissional docente pode articular os seus planejamentos e intervenções utilizando estes espaços como potencializadores de aprendizado, devido seu papel de pôr o estudante num caráter ativo de protagonismo, na medida em que interage diretamente com o objeto estudado. Muitos são os obstáculos enfrentados pelo docente para desenvolver aulas diferenciadas e que usufruam destes locais, por várias causas, entre elas: falta de recursos financeiros da escola/instituição, falta de tempo para conclusão das atividades letivas, deficiência na formação acadêmica que não estimula o desenvolvimento de trabalhos diferenciados, por comodismo ao sistema tradicional de ensino e, muitas vezes, resistência à inovar pedagogicamente. Dessa forma, cabe ao professor, ao sistema de ensino e as políticas de formação docente, incentivar e legitimar o uso de ambientes não formais para a vivência educativa de discentes e docentes.Downloads
Os dados de download ainda não estão disponíveis.
Downloads
Publicado
2022-11-23
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
EXPEDIÇÃO DE ESTUDOS NO ENSINO SUPERIOR: POSSIBILIDADES DO FAZER PEDAGÓGICO PARA FUTUROS PROFESSORES. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 14, 2022. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/112635. Acesso em: 17 abr. 2026.