UM ESTUDO DE ETNOMATEMÁTICA: A UTILIZAÇÃO DE CÓDIGOS

Autores

  • Lucas Garcia
  • Angela Maria Hartmann

Palavras-chave:

Ensino, Fundamental, Matemática, Códigos, Termo, desconhecido, Anos, Iniciais

Resumo

A Etnomatemática, de acordo com Ubiratan DAmbrosio, compõe-se de um conjunto de técnicas para entender, explicar e lidar com o ambiente social, cultural e natural, desenvolvido por grupos culturais. A educação matemática, constitui-se como um programa de pesquisa, com desdobramentos pedagógicos, que visa reconhecer as práticas de natureza matemática, tais como contar, medir, comparar e classificar de grupos culturais distintos. Este resumo relata a experiência de aplicação de uma oficina com atividades de etnomatemática em uma turma de quinto ano do Ensino Fundamental de uma escola pública do município de Caçapava do Sul, RS. A realização dessa oficina é parte das atividades de prática pedagógica do componente curricular Etnociências, do curso de Ciências Exatas - Licenciatura, da Universidade Federal do Pampa, Campus Caçapava do Sul, RS. A oficina foi pensada para ser realizada de forma interativa com os alunos, visando que eles pudessem desenvolver seu próprio entendimento sobre a utilização de códigos para representar o preço de custo de produtos vendidos no comércio da cidade. O objetivo da oficina foi ressaltar o uso cada vez mais frequente de códigos e trabalhar sua criação de modo a facilitar o entendimento dos alunos sobre incógnitas ou termos desconhecidos em cálculos. No primeiro momento da oficina, contextualizamos o assunto com os alunos, explicando como os códigos eram usados na antiguidade para cifrar mensagens durantes as guerras gregas e, mais recentemente, na Segunda Guerra Mundial, com a utilização pelos alemães da máquina Enigma, até chegar em exemplos mais próximos como códigos de programação e códigos de barras. Após essa apresentação inicial, explicamos que, em Caçapava do Sul, os comerciantes utilizavam códigos para que os clientes não conseguissem saber o preço de custo dos produtos comercializados. Esse código facilitava aos comerciantes conceder descontos na hora da venda do produto. Esta criptografia era feita de uma maneira simples: os comerciantes escolhiam uma expressão e atribuíam um número de zero a nove para cada letra. Se a mesma letra aparecia mais de uma vez na expressão, ela recebia o mesmo valor que da primeira vez. Para explicar melhor esse processo de criação, mostrou-se que o passo inicial é a escolha de uma expressão curta. Usamos como exemplo a expressão QUATRO COPOS. Em seguida, numeramos cada letra até chegar no primeiro O da palavra COPOS. Ressaltamos, então, que a mesma letra não poderia assumir dois valores diferentes. Para prosseguir a codificação, continuamos numerando a próxima letra: o P. Quando chegamos no S, o último número foi 9. Por fim, propusemos que se atribuísse o número zero à letra X, já que não havia nenhuma outra letra possível na expressão escolhida. Dessa forma, a codificação ficou assim: Q = 1; U = 2; A = 3; T = 4; R = 5; O = 6; C = 7; P = 8; S = 9 e X = 0. Após a demonstração desse exemplo de codificação, solicitamos aos alunos que codificassem expressões criadas por eles. Os alunos realizaram essa tarefa sem grandes dificuldades, criando códigos com expressões como: PÃO DE QUEIJO (tendo o X como zero); VENTILADOR; SAPATO VERMELHO (atribuindo o número 10 à letra H, um código um pouco mais difícil de ser decifrado). Como última atividade, propusemos a decodificação dos códigos criados. Os alunos passaram seus códigos para o colega da frente para que ele tentasse descobrir qual era a expressão codificada. Por falta de tempo, não foi possível avaliar a resolução de todas as decodificações. Porém, os alunos que concluíram a tempo, conseguiram decodificar todas as letras corretamente e já estavam desvendando a expressão. Observou-se durante a atividade que os alunos do quinto ano entenderam que um número pode ser representado por uma letra e que se pode conhecer a letra representada pelo número. Acreditamos que esse entendimento pode ajudar em cálculos futuros que envolvem incógnitas. A aplicação dessa atividade de Etnomatemática evidenciou alguns pontos positivos. Um deles é que alunos se envolvem no desafio apresentado e ficam entusiasmados para aprender Matemática. Em relação aos conceitos de codificação e decodificação e do entendimento que uma letra pode representar um número, observamos que eles foram de fácil compreensão por essa turma. Os conceitos aprendidos nessa atividade podem ser úteis para os alunos nos anos seguintes, quando forem estudados cálculos como o de termo desconhecido, uma vez que eles assimilaram que esse termo é um número. Avaliamos que atividades de Etnomatemática podem constituir um auxílio para o ensino de conhecimentos relativos à matemática escolar, uma vez que facilitam a compreensão por fazerem parte do dia a dia da comunidade em que vivem e por contemplarem um raciocínio lógico em suas práticas. Pode-se atestar como útil o uso da abordagem Etnomatemática para o ensino de conceitos que muitas vezes são taxados de difíceis, por serem distantes e descontextualizados da realidade do aluno.

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Publicado

2022-11-23

Como Citar

UM ESTUDO DE ETNOMATEMÁTICA: A UTILIZAÇÃO DE CÓDIGOS. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 14, 2022. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/112619. Acesso em: 17 abr. 2026.