APRENDIZAGEM BASEADA EM PROJETOS: PROBLEMATIZANDO POSSIBILIDADES DE TRABALHO EM EQUIPE NAS AULAS DE CIÊNCIAS

Autores

  • Lorena Garces Silva
  • Bianca Maria de Lima
  • Lisete Funari Dias

Palavras-chave:

Aprendizagem, Colaborativa, Ensino, Ciências, Tecnologias, Digitais, Metodologias, Ativas

Resumo

Este trabalho apresenta parte de uma pesquisa de mestrado em andamento, sendo desenvolvido a partir de um projeto piloto cuja base teórica está estruturada na Aprendizagem Baseada em Projetos (ABP) com enfoque na colaboração, explorando a possibilidade de uso de tecnologias digitais na disciplina de Ciências para alunos do sexto ano do Ensino Fundamental com o tema Lentes. A partir dessas considerações, elaborou-se a seguinte questão de pesquisa: Como se apresentam as evidências de aprendizagem por colaboração (aluno/aluno; aluno/professor; aluno/tecnologias digitais) durante uma intervenção em sala de aula de Ciências utilizando a metodologia ABP e tecnologias digitais? Dessa forma, o objetivo da pesquisa é problematizar as possibilidades de trabalho em equipe em sala de aula e as possíveis aprendizagens que podem ocorrer por meio da colaboração aluno/aluno, aluno/professor. A pertinência da proposta está relacionada com os mecanismos de aprendizagem dos alunos que sempre foram alvo de muitos questionamentos e objetos de estudo, relacionando-os ao importante movimento para a qualidade do Ensino de Ciências com a utilização de metodologias ativas, entre elas a ABP. A pesquisa é de natureza qualitativa, elegendo-se a pesquisa-ação como técnica de investigação em campo, que se dará a partir da participação da pesquisadora e da comunidade na qual a intervenção deve ocorrer. O público alvo da pesquisa são os 24 estudantes e o professor de Ciências do sexto ano do Ensino Fundamental de uma escola estadual do município de Dom Pedrito-RS. O período utilizado foi o segundo semestre do ano de 2021, logo após o retorno da escola ao presencial. Os dados passaram por um conjunto de técnicas da Análise de Conteúdo, sendo que a discussão dos resultados considera a categoria denominada possibilidades de aprendizagem em colaboração. Com o início da intervenção, era esperado que evidências de aprendizagem colaborativa fossem apresentadas através do diálogo e interação entre os grupos de estudantes, com o professor regente, com a pesquisadora e com o material didático, seja em sala de aula ou interação no blog construído com a finalidade de elaboração de respostas às atividades utilizando as tecnologias digitais. Na análise da interação em sala de aula e blog foi possível perceber que os estudantes compreenderam as diferenças entre os diversos tipos de lentes que manipularam, além de apresentarem indícios de colaboração entre os colegas. Quando foram convidados a manusear os materiais didáticos, como um quebra-cabeças do olho humano, confeccionado pela professora pesquisadora, demonstraram maior interesse pela atividade, o que confirma as várias evidências descritas na literatura que atividades experimentais aumentam o interesse dos alunos. Os estudantes realizaram os exercícios, porém apresentavam pouca interação como possibilidade de compartilhar conhecimento. Percebeu-se que várias atividades foram feitas por um estudante e apenas copiada pelos outros colegas, pois as respostas eram basicamente iguais, o que demonstra a dificuldade de trabalhar em equipe e construir conhecimento de forma colaborativa. A utilização do blog não aconteceu como esperado, pois os estudantes não demonstraram interesse pela ferramenta além de realizar a tarefa solicitada em aula. Outro fator a ser relatado é que alguns smartphones não carregavam a parte de comentários do blog, onde os alunos deveriam escrever as respostas das atividades das mini lições. Vale ressaltar que no decorrer da aplicação do projeto foram enfrentadas algumas dificuldades em relação ao comportamento da turma e algumas interrupções por fatores externos durante as aulas, o que levou a alteração do planejamento inicial que contemplava quatro aulas para seis aulas. A partir desse projeto piloto, algumas variáveis impediram os resultados esperados, entre elas o retorno recente às atividades presenciais escolares no ano de 2021, bem como, as limitações sanitárias devido a pandemia do Covid-19. Durante a descrição reflexiva das atividades, pode-se inferir algumas hipóteses para aperfeiçoar uma segunda aplicação, uma delas seria pensar que a escolha de uma turma mais madura, ou seja, de oitavo ou nono ano, desenvolveria mais satisfatoriamente a parte de interação com relação a discutir os conceitos de Ciências entre os colegas. Outra, seria em relação às atividades e material levado pela pesquisadora, o que talvez não tenha sido suficiente para envolver os estudantes do sexto ano no projeto. A utilização dos recursos digitais como forma de interação pesquisador/aluno, tal como o blog, não trouxe entusiasmo, o que pode ser justificado pelo tempo insuficiente destinado para a exploração do material e problemas com internet. Entende-se que algumas dessas questões fazem parte do cotidiano escolar, mas é necessário que se pense sobre elas, pois acabam prejudicando o andamento da aula e consequentemente a aprendizagem.

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Publicado

2022-11-23

Como Citar

APRENDIZAGEM BASEADA EM PROJETOS: PROBLEMATIZANDO POSSIBILIDADES DE TRABALHO EM EQUIPE NAS AULAS DE CIÊNCIAS. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 14, 2022. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/112613. Acesso em: 19 abr. 2026.