RELATO DE EXPERIÊNCIA: DIFICULDADES ENFRENTADAS POR DISCENTES NO AMBIENTE LABORATORIAL NO CONTEXTO PÓS-PANDÊMICO
Palavras-chave:
Microbiologia, Formação, acadêmica, Medicina, medicinaResumo
O curso de Medicina da Universidade Federal do Pampa é subdividido em 3 ciclos de ensino: básico, clínico e estágio obrigatório, de forma que cada um possui dois anos divididos em quatro semestres, totalizando 6 anos de curso com 12 semestres. Nesse contexto, o primeiro ciclo visa contemplar disciplinas que construam uma base acerca das ciências que debatem e envolvem a constituição e o funcionamento do corpo humano, possibilitando que nos momentos seguintes, seja possível compreender melhor o processo de saúde-doença e a criação de um raciocínio clínico. Nesse sentido, os três primeiros períodos do ciclo básico buscam compreender as matérias de anatomia, histologia, citologia, embriologia, fisiologia, fisiopatologia, farmacologia e bioquímica, enquanto o quarto atende as temáticas de imunologia, farmacologia, microbiologia e patologia. Entretanto, tendo em vista os impasses impostos pela pandemia e a necessidade de adaptação para o meio digital e remoto, notou-se que os estudantes do segundo, terceiro e quarto semestres demonstraram dificuldade em se habituarem ao meio laboratorial, uma vez que tal ambientação deveria ter ocorrido desde o primeiro semestre. Contudo, os discentes tiveram tais vivências somente através de plataformas como Google Meet e Atlas onlines, evadindo completamente da experiência prática laboratorial. Dessa forma, o presente trabalho tem como objetivo relatar os desafios enfrentados na adaptação dos acadêmicos ao laboratório após o período pandêmico, bem como o impacto que este contexto exerce sobre a formação em medicina. Neste relato de experiência, serão reportadas algumas questões inerentes à relação entre o desenvolvimento do conhecimento, habilidades e atitudes que são desenvolvidos desde os semestres iniciais relacionados ao ambiente laboratorial. Isto posto, é válido pontuar que o ambiente laboratorial possui alguns protocolos e normas de biossegurança que visam proteger a integridade física de seus frequentadores, a garantia de qualidade e execução correta de técnicas, bem como, o correto manuseio dos equipamentos e materiais, aumentando a vida útil dos mesmos, uma vez que estes costumam ter um alto valor monetário atribuído. Observou-se que os estudantes não possuíam familiaridade com as normas de biossegurança, o que faz com que tenham maior receio no manuseio de materiais de origem biológica, o que denota uma necessidade dos discentes desenvolverem estas habilidades e receberem um treinamento mais adequado para manter o local seguro, visto que tais regras se aplicam para outros ambientes de promoção de saúde. Por conseguinte, princípios básicos de biossegurança como o ato de higienizar as mãos após manipular os materiais, não levar a mão ao rosto (principalmente à boca e aos olhos), utilização de cabelo preso, manter o jaleco fechado, não ingestão de água e alimentos no recinto, ação de evitar o uso de aparelhos celulares, descartar de forma correta os diferentes tipos de materiais, manter o ambiente higienizado, separar o avental em um compartimento separado do restante da mochila são práticas que deveriam estar presentes todo o tempo. Essas e outras orientações precisaram ser explicadas e supervisionadas, principalmente nos primeiros encontros, pelos docentes durante as aulas, e tais atitudes foram cobradas em avaliação formativa. Ademais, a falta de contato com o microscópio também causou estranhamento em um primeiro momento, pois já seria esperado que os graduandos soubessem como manusear o mesmo, o que atrapalhou e prolongou alguns processos, como conseguir encontrar o foco ideal e identificar os diferentes tipos celulares, ou ainda expor as objetivas e lâminas ao risco de serem danificadas. Com base no exposto, notou-se que o ensino remoto, embora tenha sido de grande importância para evitar a interrupção das atividades acadêmicas em momentos de pandemia, delongou a adaptação dos alunos no ambiente prático laboratorial, preparando-os tardiamente para a inserção nesse cenário tão importante para a consolidação do aprendizado, mas que possui riscos e exige a necessidade de um treinamento adequado. Assim, para que as lacunas do conhecimento fossem preenchidas, demandou-se grande esforço por parte dos discentes e docentes, evidenciando a importância da vivência presencial, tanto no cenário teórico como no prático para a consolidação do conhecimento e construção do aprendizado sem afetar negativamente a formação em medicina.Downloads
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Publicado
2022-11-23
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
RELATO DE EXPERIÊNCIA: DIFICULDADES ENFRENTADAS POR DISCENTES NO AMBIENTE LABORATORIAL NO CONTEXTO PÓS-PANDÊMICO. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 14, 2022. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/112597. Acesso em: 17 abr. 2026.