O PROCESSO DE IDENTIFICAÇÃO DE UM DOADOR VOLUNTÁRIO EM UM LABORATÓRIO DE ANATOMIA HUMANA: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA
Palavras-chave:
doação, corpos, identificação, cadáveres, laboratório, anatomia, humanaResumo
Entre 1485 e 1515 o artista Leonardo da Vinci deu o passo inicial em sua carreira para estudar e produzir ilustrações acerca da anatomia humana. Para isso, ele usou como base o corpo de pessoas que haviam falecido há pouco tempo. No entanto, como essa prática era proibida na época por convicções religiosas que regiam a sociedade do século XIV, esse estudo era feito em porões para que ele não sofresse uma punição pela Igreja católica e pelo Estado. Atualmente, o uso de corpos cadavéricos para estudos referentes à anatomia humana é regulamentado e permitido pela lei. Entretanto, para isso é necessário o cumprimento de uma série de etapas para que essa atividade esteja dentro das normas. Uma delas é a identificação do corpo. Neste trabalho será abordado um relato de experiência vivido por monitores, orientadores e técnicos referente ao cumprimento desse procedimento no recebimento da primeira doação de corpo voluntário para o laboratório de anatomia da Universidade Federal do Pampa - Campus Uruguaiana. Esse trabalho tem o objetivo de esclarecer o processo de identificação de um cadáver em um contexto de doação voluntária de corpos. O recebimento e a identificação do corpo ocorreram no dia 03/08/2022 após sua chegada no carro da funerária e posteriormente ao funeral. Cumprindo uma tradição e em respeito ao doador, foi realizada uma prece silenciosa agradecendo pelo gesto altruísta. Logo após, iniciamos o processo de preparação do corpo em que um deles se baseia na identificação. Quanto à metodologia utilizada, em primeiro momento, após retirar o corpo do caixão e colocá-lo sobre o carro-maca, foram tiradas fotografias de diversos ângulos nas posições de decúbito dorsal e lateral do corpo com a vestimenta, exatamente como foi entregue pela funerária, para que elas possam ser arquivadas juntas com os documentos de identificação do cadáver, o termo de doação de cadáver, e a certidão de óbito em uma pasta do laboratório. Vale destacar que, devido ao peso do doador e ao cuidado que era necessário para manter as características físicas do corpo durante a movimentação no carro-maca, foram necessárias três pessoas para realizar o procedimento, ressaltando a complexidade que essa atividade demonstrou. Posteriormente, retiramos as vestimentas do doador e repetimos o procedimento descrito anteriormente. Em um segundo momento, iniciamos a coleta das impressões digitais de todos os dedos das mãos do doador com o uso de uma bolsa embebida com tinta de carimbo para que também pudessem ser guardadas junto aos outros documentos referentes à doação e identificação para compor a ficha individual de cadáver (FIC). Houve uma certa dificuldade para coleta das impressões digitais devido à posição e estado de rigidez em que se encontravam os dedos, visto que eles já apresentavam um certo grau de formalização realizado pelo tanatopraxista da funerária. Após realizar outros procedimentos de preparo do corpo, como tricotomia e limpeza, iniciamos em um terceiro momento, a fixação dos números de identificação no polegar direito, dedo hálux e no lóbulo da orelha em ordem crescente, por meio de lacres numerados. Por fim, foi preenchida a FIC do doador com todas as suas características, como dados de identificação: a idade, as medidas (altura e peso), data de nascimento, de moradia antes do falecimento, do grupo étnico a qual pertencia possíveis cicatrizes e marcas corporais além das informações supracitadas. Nela contém informações essenciais para a caracterização e o registro do corpo a ser estudado no laboratório. Assim, finalizamos a identificação do corpo com êxito e demos continuidade no processo de preparação e tratamento para a conservação do doador voluntário de corpo para garantir a manutenção de suas características anatômicas. Esse processo é de extrema importância, uma vez que ele traz uma série de garantias após a realização de dissecções além de resguardar legalmente a instituição quanto a reclamações futuras ou conferências posteriores. Além disso, a participação nesse processo traz uma experiência ímpar, tanto para os orientadores quanto para os monitores, visto que receber a primeira doação voluntária de corpos da história do laboratório e prepará-lo possui uma importância singular para a Instituição e para os alunos que, posteriormente, irão ter acesso à uma nova ferramenta de aprendizado que irá aumentar a familiaridade com o corpo humano e seu vasto leque de estruturas. Por fim, ademais, os conhecimentos obtidos nessa prática se perpetuarão entre outros alunos e servirá como base em caso de uma nova doação de corpo para o laboratório de anatomia da universidade.Downloads
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Publicado
2022-11-23
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
O PROCESSO DE IDENTIFICAÇÃO DE UM DOADOR VOLUNTÁRIO EM UM LABORATÓRIO DE ANATOMIA HUMANA: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 14, 2022. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/112556. Acesso em: 17 abr. 2026.