RELATO DE EXPERIÊNCIA: ATUAÇÃO DO NUTRICIONISTA NO CUIDADO NUTRICIONAL DE PACIENTE COM MORTE ENCEFÁLICA
Palavras-chave:
Morte, encefálica, Terapia, Nutricional, Enteral, NutriçãoResumo
Morte Encefálica é definida como perda completa e irreversível das funções encefálicas, que resulta na cessação das atividades corticais e do tronco encefálico. O processo de doação de órgãos e tecidos é complexo e envolve diversas etapas, o que torna necessário a atuação de uma equipe multiprofissional capacitada a fim de garantir que todos os passos sejam seguidos e possibilitar que esse potencial doador não apresente alterações capazes de comprometer o processo de doação. As etapas variam de identificação e manutenção de vida do potencial doador, abertura do protocolo de determinação de morte encefálica, comunicação à família e aos órgãos responsáveis e entrevista com a família para verificar se há desejo de doação. Ainda, antes de dar início à cirurgia de doação de órgãos é necessário que haja a identificação dos receptores compatíveis para os órgãos que poderão ser doados. A manutenção do potencial doador envolve uma gama de cuidados como: manutenção hemodinâmica, ventilatória, hidroeletrolítica, térmica, endócrina e nutricional. O presente trabalho tem o objetivo de relatar a experiência do profissional nutricionista residente em Urgência e Emergência no Hospital Santa Casa de Uruguaiana, no cuidado nutricional para a manutenção de vida de um potencial doador de órgãos desde a fase de determinação de morte encefálica até o momento da realização do transplante. Após sofrer um trauma cranioencefálico grave, que possua potencial de causar morte encefálica, os pacientes tendem a apresentar gasto energético basal aumentado, resultante da tempestade simpática inflamatória que antecede a morte cerebral, ocasionando um estado hiper catabólico. Após cessar a atividade cerebral, sendo definida morte encefálica, o gasto energético diminui entre 15 a 30%, devido à ausência de atividade muscular espontânea e do metabolismo cerebral. Diante disso, é necessário que o gasto energético basal do indivíduo seja calculado através de equações preditivas, e seja ofertado entre 70 e 85% do gasto energético basal. Visando garantir que haja combustível exógeno para manter massa magra, função imune e evitar complicações metabólicas. É fundamental que a terapia nutricional enteral (TNE) seja mantida durante todo o processo, sendo necessário cessar a terapia nutricional apenas em casos onde drogas vasoativas estejam sendo administradas em alta vazão, evitando risco de isquemia mesentérica. No caso experienciado, foi calculado o gasto energético basal do potencial doador através da equação de Harris-Benedict, que leva em consideração peso, altura e idade do indivíduo. Foi ofertada dieta via sonda nasoentérica, em sistema aberto, gravitacional, intermitente, com fórmula enteral polimérica, normoproteica, com densidade calórica 1,2 kcal/mL, de forma a suprir 70% do gasto energético basal do potencial doador. Não houve necessidade de interromper a TNE por elevada vazão de drogas vasoativas. A terapia nutricional enteral foi mantida até o momento em que o doador foi encaminhado ao bloco cirúrgico, possibilitando que fosse realizado transplante de fígado, rins direito e esquerdo. Em conclusão, percebe-se a importância do profissional nutricionista como parte de uma equipe multidisciplinar em unidades de terapia intensiva frente a diversos casos clínicos, com destaque para os casos de manutenção de doador de órgãos e realização de transplantes. Pois, ao garantir o cuidado e o suporte nutricional adequado se possibilita auxiliar na manutenção de órgãos e tecidos em condições propícias para o novo transplantado.Downloads
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Publicado
2022-11-23
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
RELATO DE EXPERIÊNCIA: ATUAÇÃO DO NUTRICIONISTA NO CUIDADO NUTRICIONAL DE PACIENTE COM MORTE ENCEFÁLICA. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 14, 2022. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/112540. Acesso em: 17 abr. 2026.