PERFIL DAS MULHERES QUE NÃO RETORNAM PARA BUSCAR O EXAME CITOPATOLÓGICO
Palavras-chave:
Atenção, primária, saúde, Saúde, Mulher, Colo, útero, Exame, citopatológicoResumo
No ano de 2004, a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher foi implementada pelo Ministério da Saúde buscando incluir ações que envolvessem as necessidades das mulheres em diferentes aspectos do ciclo vital e não apenas no processo gravídico-puerperal. Dentre as ações previstas na política, haviam aquelas ligadas ao câncer de colo de útero, também denominado como Neoplasia Intra-epitelial Cervical. Entre as ações de prevenção para esse agravo, tem-se o exame citopatológico, também denominado Papanicolau ou preventivo. Consiste em um exame com baixo custo e que é desenvolvido gratuitamente na Atenção Primária à Saúde, sendo recomendado para as mulheres entre os 25 e 64 anos. Essa orientação está associada à alta incidência de lesões em grau avançado nessa faixa etária. Contudo, apesar de todas as evidências científicas apontarem para a efetividade do exame citopatológico no rastreamento do câncer de colo de útero, na prática profissional, observa-se que aproximadamente 40% das usuárias que realizam o exame não retornam ao serviço para buscar o laudo, comprometendo, assim, a realização do tratamento, quando necessário. Nesse sentido, o presente trabalho tem por objetivo analisar o perfil das mulheres que não retornam para buscar o exame preventivo. Este estudo corresponde a um Trabalho de Conclusão de Curso de Enfermagem da Universidade Federal do Pampa, campus Uruguaiana. Trata-se de uma pesquisa delineada como qualitativa, exploratória e descritiva. A coleta de dados encontra-se em andamento e está sendo realizada em uma Estratégia de Saúde da Família, localizada no bairro Cabo Luiz Quevedo, no município citado. A coleta de dados iniciou no mês de julho de 2022 e envolve a realização de entrevista semiestruturada individual. A pesquisa está sendo desenvolvida com mulheres, que realizaram o exame citopatológico entre fevereiro de 2021 a fevereiro de 2022 e não retornaram para buscar o laudo do exame. Para a operacionalização da coleta de dados, foi solicitado que a enfermeira do serviço indicasse mulheres que atendessem aos critérios. Posteriormente, tem-se realizado ligações telefônicas para as mulheres indicadas, a fim de lembrá-las sobre a retirada do laudo do exame citopatológico. Na ocasião, são agendados os horários e datas em que elas podem ir até o serviço para a retirada do laudo, conforme a disponibilidade da enfermeira do serviço. Nessas ocasiões, após a consulta com a enfermeira, a acadêmica realiza a abordagem direta e pessoal à participante com o objetivo de convidá-la para participar do estudo. Até o momento, participaram da pesquisa 11 mulheres, das quais a maioria 45% (n=5) tem o ensino médio completo; 45% (n=5) são casadas; 55% (n=6) são do lar; 64% (n=7) tem somente um filho; 90% (n=10) realizaram o último exame citopatológico há mais de um ano; 73% (n=8) tiveram a primeira menstruação entre 10 a 15 anos; 36% (n=4) vivenciaram a primeira relação sexual aos 15 anos; 55% (n=6) apresentam histórico familiar de câncer de mama, ovário e/ou útero e 82% (n=9) relataram vida sexual ativa. A partir dos resultados, pondera-se que, dentre as justificativas para ausência de retorno ao serviço, podem estar associadas à ocupação das mulheres, visto que a maioria das participantes é do lar, o que pode dificultar o seu deslocamento até o serviço, uma vez que a rotina do lar pode acarretar na falta de tempo e, inclusive, o esquecimento quanto à retirada do laudo do exame. Contudo, é preciso destacar que mais da metade das entrevistadas possuem histórico familiar de câncer de mama, ovário e/ou útero, o que representa um fator de risco para o desenvolvimento do câncer nesse público e, consequentemente, a necessidade de realização de exames periódicos e maior rastreamento. Nesse sentido, reconhece-se que o rastreamento contribui para a identificação precoce de desordens celulares, que podem caracterizar o câncer de colo de útero. No momento, outras correlações estão sendo realizadas quanto ao perfil das mulheres e os fatores de risco para o desenvolvimento do câncer de colo de útero. Contudo, vale reforçar a importância de os profissionais de saúde destacarem a importância das usuárias retornarem ao serviço para a retirada do laudo do exame citopatológico e outros exames realizados, considerando a possibilidade de diagnóstico precoce e tratamento, quando necessário. Nesse contexto, ressalta-se o papel do enfermeiro na sensibilização das mulheres quanto à necessidade do autocuidado, promoção da saúde e prevenção de agravos. É preciso fomentar a realização de atividades de educação em saúde, que contribuam para a assistência integral à saúde da mulher, a prevenção e o rastreamento precoce de agravos, como o câncer de colo de útero.Downloads
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Publicado
2022-11-23
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
PERFIL DAS MULHERES QUE NÃO RETORNAM PARA BUSCAR O EXAME CITOPATOLÓGICO. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 14, 2022. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/112524. Acesso em: 17 abr. 2026.