FISIOTERAPIA NO AMBULATÓRIO DE QUIMIOTERAPIA: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA

Autores

  • Carla Souza
  • Natiéle dos Santos Costa
  • Lauriane Romero de Almeida
  • Bárbara Garcia Figueiredo
  • Fernanda Vargas Ferreira

Palavras-chave:

Oncologia, Neuropatia, Periférica, Induzida, pela, Quimioterapia, Reabilitação, Fisioterapia

Resumo

Introdução: O câncer é um termo abrangente de mais de 100 diferentes tipos de tumores malignos que apresenta multiplicação celular anômala e risco de metástase. Com base no estadiamento, condições clínicas e recursos, os principais tratamentos englobam cirurgia, hormonioterapia, radioterapia e quimioterapia os quais podem resultar em efeitos colaterais imediatos ou tardios. O tratamento quimioterápico se caracteriza por possuir compostos químicos que agem contra as células neoplásicas, no entanto, pelo caráter sistêmico, interferem também nas células sadias. O grau de toxicidade é variável, sendo que, a neuropatia periférica induzida pela quimioterapia (NPIQ) é uma doença progressiva, permanente e que pode ser irreversível. A NPIQ pode se expressar por meio de sintomas como dor, dormência, formigamento e sensibilidade ao frio nas mãos e nos pés. Tal sintomatologia advém da degeneração dos nervos periféricos que leva a uma deficiência na condução dos estímulos sensoriais, motores e autônomo. Para fins ilustrativos, compostos de platina (cisplatina, carboplatina) podem gerar manifestações clínicas como parestesia simétrica dolorosa ou dormência em uma distribuição meia-luva, ataxia sensorial com disfunção da marcha; taxanos (docetaxel, palitaxel) podem gerar parestesia simétrica dolorosa ou dormência em uma distribuição meia-luva, diminuição da vibração ou propriocepção, fraqueza ocasional, ataxia sensorial e disfunção da marcha. Objetivo: relatar a experiência de pessoas em tratamento quimioterápico, em especial, a sintomatologia a partir da perspectiva dos usuários, e a abordagem fisioterapêutica na NPIQ. Método: Este trabalho é um relato de experiência dos usuários que estão sob tratamento de quimioterapia, seus sintomas referidos e a abordagem da fisioterapia a pessoas com diagnóstico de câncer assistidas no ambulatório de quimioterapia de um hospital municipal da fronteira-oeste que apresentem características de NPIQ. A experiência proveniente da vivência em campo prático no Ambulatório de Quimioterapia ocorreu no período de abril a setembro de 2022. Foram assistidos usuários atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) que realizaram tratamento quimioterápico em diferentes etapas, de ambos os sexos, provenientes das cidades da região da fronteira oeste do Rio Grande do Sul, que encontravam-se realizando a infusão dos medicamentos no ambulatório de quimioterapia nas terças e quintas feiras. Os mesmos relataram alteração cinético-funcional e os efeitos de toxicidade relacionados ao tratamento quimioterápico. Resultados: Os usuários reportaram diminuição da sensibilidade das extremidades tanto de membro superior quanto de membro inferior, formigamento, e perda de força. Relataram tais sintomas após terem realizado mais de três ciclos de quimioterápicos. Os fármacos utilizados foram taxanos, derivados de platina, bortezomibe e alcaloides da vinca. Os mesmos relataram dificuldades para a realização de atividades de vida diária e na locomoção, as quais repercutiram sobre a qualidade de vida e na adesão ao tratamento. As condutas fisioterapêuticas envolveram exercícios terapêuticos em conformidade com a individualidade de cada usuário e para dessensibilização se empregaram materiais de diferentes texturas e temperaturas. Adicionalmente, os usuários relataram medo e ansiedade acerca da NPIQ e demais possíveis efeitos colaterais advindos da quimioterapia como alopecia, mucosite oral, diarreia, constipação intestinal, fadiga e irregularidade no ciclo menstrual, uma vez que, há desconhecimento e divulgação de informações errôneas. Nesse sentido, a educação em saúde é fundamental por meio de orientações como não exposição à radiação solar, já que, alguns quimioterápicos podem aumentar a sensibilidade ao sol (fotossensibilidade), bem como prática de atividade física, como caminhadas. Conclusão: A escolha do campo prático, conforme orientação do Programa de Residência Integrada Multiprofissional em Saúde Coletiva, se mostrou uma experiência gratificante que propiciou interação com equipe multiprofissional e a ampliação do olhar da Fisioterapia em Oncologia no que tange à necessidade de conhecer melhor os efeitos colaterais referentes aos tratamentos antineoplásicos e suas reverberações, contribuindo assim, para a melhora da qualidade de vida e da integralidade.

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Publicado

2022-11-23

Como Citar

FISIOTERAPIA NO AMBULATÓRIO DE QUIMIOTERAPIA: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 14, 2022. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/112488. Acesso em: 18 abr. 2026.