IMPACTOS DA FISIOTERAPIA INTRADIALÍTICA NA FORÇA MUSCULAR DE DOENTES RENAIS CRÔNICOS: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA.
Palavras-chave:
Hemodiálise, Fisioterapia, Exercício, físicoResumo
Hodiernamente um grande número de pessoas sofre de Doença Renal Crônica (DRC), com acentuada prevalência durante a última década. Nesse sentido, o tratamento através de máquina especializada é capaz de regular o equilíbrio hidroeletrolítico do paciente e garantir a eliminação de substâncias tóxicas acumuladas no organismo. A DRC gera várias complicações, diretamente proporcionais ao tempo de tratamento afetando severamente o sistema musculoesquelético, devido às alterações metabólicas e os efeitos catabólicos gerados em decorrência da desnutrição, do desequilíbrio hormonal e da anemia crônica, resultando em perda de massa muscular, aumento da fadiga, diminuição da capacidade funcional e adoção de um estilo de vida sedentário. Nesse sentido, justifica-se a realização de exercícios resistidos e aeróbicos no período intradialítico, já que existem solutos que se encontram retidos na musculatura e que após a diálise, associada ao período intradialítico ativo, são reequilibrados. Entendendo que o fisioterapeuta possui competências preventivas, de melhorias e de retardo das complicações provenientes da doença renal, o presente relato tem como objetivo evidenciar os impactos da fisioterapia intradialítica na força muscular de doentes renais crônicos. Trata-se de um relato de experiência no qual foram avaliados 20 doentes renais crônicos dentro de um período de 9 meses (junho de 2021 a março de 2022), que realizavam hemodiálise três vezes por semana na Clínica Renal da cidade de Uruguaiana no Rio Grande do Sul, vinculada ao Hospital Santa Casa de Caridade do referido Município. As ações foram conduzidas por estagiários do décimo semestre do curso de Fisioterapia da Universidade Federal do Pampa, durante a carga horária destinada às práticas do estágio curricular obrigatório supervisionado. O atendimento fisioterapêutico foi realizado nas primeiras duas horas do tratamento hemodialítico, respeitando a condição clínica do participante, com duração estimada em 20 minutos. A avaliação de força muscular foi realizada através do Escore Medical Research Council (MRC). Os exercícios eram realizados na posição de decúbito dorsal ou sedestação, em uma poltrona reclinável. Ao início do atendimento fisioterapêutico eram conduzidos exercícios de aquecimento, seguidos de exercícios metabólicos, exercício aeróbico com utilização de um cicloergômetro portátil, exercícios de resistência muscular para membro superior (contralateral à fístula arteriovenosa) e membros inferiores com faixa elástica, halter ou caneleira de 1kg e alongamentos de membros superiores e inferiores. Ao final da sessão, eram propostos exercícios de relaxamento envolvendo a conscientização respiratória. A natureza voluntária da participação e os procedimentos de garantia de confidencialidade e anonimato dos dados foram descritos para os participantes. Do total de 20 participantes, 14 eram do sexo masculino (70%) e a média de idade foi de 55,2 ±17,0 anos. Todos os pacientes apresentavam pelo menos uma comorbidade, onde a hipertensão arterial foi mais prevalente, pois esteve presente em 90% dos participantes. Quanto à atividade física, 17 são sedentários. Além disso, a avaliação da força evidenciou que a média no MRC foi 43, sendo que a mesma escala pressupõe que valores abaixo de 48 são indicativos de fraqueza muscular. Durante as avaliações, a maioria dos avaliados relatou sensação de fraqueza muscular e cansaço, bem como dificuldade para realização das atividades de vida diária, contribuindo significativamente para questões de autoestima e confiança frente ao tratamento. Após as intervenções foi possível constatar que a fisioterapia quando realizada durante a hemodiálise, proporcionou diminuição de sintomas como fraqueza muscular, dores musculares e melhora da qualidade de vida, evidenciada através de relatos da autoconfiança adquirida e da independência na realização das atividades de vida diária. Ainda, diante das propostas empregadas, verificou-se maior esclarecimento a respeito da importância da monitorização da pressão arterial e acentuado comprometimento dos pacientes quanto à adesão ao tratamento, maior entendimento e enfrentamento, além de ampliar a disseminação de conhecimento a respeito da doença renal crônica. A Fisioterapia quando realizada no período intradialítico é capaz de impactar positivamente na força muscular de doentes renais crônicos. Por fim, foi possível analisar o estreitamento das relações paciente-terapeuta e oferecer subsídios para compreensão da necessidade do fisioterapeuta como parte imprescindível da equipe de saúde no setor de hemodiálise.Downloads
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Publicado
2022-11-23
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
IMPACTOS DA FISIOTERAPIA INTRADIALÍTICA NA FORÇA MUSCULAR DE DOENTES RENAIS CRÔNICOS: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 14, 2022. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/112473. Acesso em: 17 abr. 2026.