RELATO DE CASO: ENTEROLITÍASE EM POTRO

Autores

  • Fellipe Puget Marengo
  • Claudia Acosta Duarte
  • Sabrina de Almeida

Palavras-chave:

Síndrome, cólica, enterotomia, equinos, enterólito

Resumo

Embora avanços no diagnóstico e aprimoramento de técnicas médicas, anestésicas e cirúrgicas tenham otimizado o prognóstico aos pacientes nas últimas décadas, a cólica é uma síndrome clínica que persiste entre as principais afecções que causam mortes em equinos. Os enterólitos são massas ou concreções mineralizadas encontradas no intestino grosso de cavalos, formadas a partir de um núcleo central, por minerais como amônia, magnésio ou cristais de fosfato, evoluindo progressivamente em seu crescimento ao longo de meses e anos. O formato dos enterólitos podem ser classificados como esférico, nodular, elíptico ou irregular, sendo que vários podem estar presentes em um mesmo animal. O enterólito pode causar obstrução na flexura pélvica, cólon transverso, cólon maior dorsal direito e cólon menor, regiões que, anatomicamente, ocorre diminuição do lúmen intestinal. Os sinais clínicos podem ser inapetência, hiporexia, diminuição de produção das fezes, hipomotilidade intestinal, dores leves e intermitentes, progredindo para dor severa que não alivia mediante analgesia. O tratamento clínico se dá por meio de analgesia e administração de grandes volumes de líquido intravenoso, podendo viabilizar a eliminação de pequenos enterólitos via retal. Quando não há possibilidade da eliminação via retal, o procedimento de eleição é a celiotomia, sendo possível o acesso pela linha média ventral ou pelo flanco, com o intuito de localização e retirada dos enterólitos. As técnicas operatórias para remoção de enterólitos em cólon maior e menor de equinos incluem enterotomias, ressecção e anastomose intestinal ou ainda ressecção, colostomia e enteroanastomose. O prognóstico é reservado e a sobrevida do paciente depende do estado cardiovascular e da integridade da área intestinal afetada. A taxa de sucesso da cirurgia em animais com boa condição física varia de 90% a 95%. O objetivo do presente relato é descrever o tratamento clínico e cirúrgico de um caso de enterolitíase em um potro de 2,5 anos. No primeiro atendimento, realizado à campo, o paciente macho, da raça Crioula, com 340 kg, apresentava cólicas intermitentes, posição de micção, tempo de preenchimento capilar (TPC) aumentado, desidratação, apatia e prostração. Foi realizada fluidoterapia intravenosa, utilizando 15 litros de ringer com lactato, e houve melhora clínica imediata. O animal recuperou o apetite e pastejou. Na manhã seguinte foi encaminhado para a Comfort Equi Clínica Médica de Equinos, na cidade de Cruz Alta, Centro Norte do estado do Rio Grande do Sul. O paciente já apresentava motilidade reduzida, e foi realizada fluidoterapia com infusão de lidocaína de 0,05 mg/kg/min. O diagnóstico se deu por meio dos sinais clínicos observados, principalmente pela dor irresponsiva a analgesia, além da cólica intermitente. O paciente foi encaminhado ao procedimento cirúrgico, sendo realizada, inicialmente, a enterotomia da flexura pélvica para remoção de um enterólito e do conteúdo compactado. Posteriormente, foi realizada enterotomia do cólon menor para retirada dos demais enterólitos. No pós-cirúrgico foi efetuado tratamento usando Ceftriaxona intravenosa na dose de 11 mg/kg, de 12 em 12 horas por cinco dias, Gentamicina intravenoso na dose de 6,6 mg/kg, associado com 20.000 UI/kg de benzilpenicilina potássica uma vez ao dia por seis dias, metronidazol oral na dose de 25mg/kg, uma vez ao dia por 6 dias e omeprazol oral na dose de 2 mg/kg, uma vez por dia ao longo de 5 dias. Como terapia antiinflamatória, optou-se pelo uso da flunixina meglumina intravenosa na dose de 1,1 mg/kg, de 12 em 12 horas por 3 dias. Realizou-se a restrição na dieta, apenas com forragem nas primeiras semanas aumentando intervalo de pastejo, iniciando com 10 minutos na primeira semana, 15 minutos na segunda semana e assim sucessivamente, repondo o incremento de concentrado na dieta. Na ferida cirúrgica foi empregado uso de ducha de água corrente por 10 minutos e curativo, sendo a limpeza do curativo usando gaze com soro, gaze seca e pomada a base de clorexidina, duas vezes ao dia, além de aplicação tópica de rifamicina em spray (10 mg/ml). A recuperação se deu em 15 dias e o paciente obteve alta. Tendo em vista a importância da enterolitíase, é necessária atenção à predisposição genética, manejo alimentar e hídrico, aliando a rotina de exercícios que visam a prevenção desta afecção. Conclui-se que o crescimento dos casos de enterolitíase deve-se certamente ao maior número de animais estabulados, favorecendo assim o aparecimento do enterólito em animais cada vez mais jovens, estando intimamente ligado à qualidade de alimentação e água fornecidas ao cavalo. É necessário conscientizar os proprietários em relação à gravidade dos casos de cólica e buscar alternativas eficientes para que os médicos veterinários possam realizar um diagnóstico preciso e correto e, assim permitir uma rápida intervenção cirúrgica, elevando os índices de sucesso na terapia empregada, melhorando o prognóstico significativamente,

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Publicado

2022-11-23

Como Citar

RELATO DE CASO: ENTEROLITÍASE EM POTRO. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 14, 2022. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/112417. Acesso em: 17 abr. 2026.