TOXICOSE POR PICADAS DE ABELHAS EM UM CÃO

Autores

  • Enddie Dominique da Silva Alves
  • Fellipe Puget Marengo
  • Patrick da Silva Magalhães
  • Victor Cassano
  • Vitória de Souza Matheus
  • João Pedro Scussel Feranti

Palavras-chave:

Abelhas, Emergência, Toxicose, Canino, Fluidoterapia

Resumo

As abelhas possuem um órgão inoculador de veneno (ferrão), contendo glândulas veneníferas anexas que, ao picar o animal, pode resultar em reação de hipersensibilidade alérgica, devido à toxicose por várias picadas. O número de ferroadas e consequentemente a quantidade de veneno inoculado no animal, constituem um importante fator com relação ao prognóstico deste paciente. Essas lesões são consideradas emergências clínicas e requerem uma rápida intervenção médica. O objetivo do presente relato é descrever o tratamento clínico efetuado em um canino que foi atacado por um enxame de abelhas. Um cão, SRD, três anos, não castrado, 22 kg, foi atendido com a queixa de que, acidentalmente o animal havia sido picado por várias abelhas e apresentou êmese com um conteúdo repleto de abelhas. Ao exame físico, o animal apresentava-se prostrado, com hematúria, petéquias na mucosa oral e na região abdominal, taquipneia, mioclonia e temperatura retal normal. Com base na conduta emergencial, o paciente foi encaminhado para a estabilização, onde foi instituída oxigenoterapia, simultânea a fluidoterapia com ringer lactato, bem como, administração de Prometazina (0,3 mg/kg, IV, TID, por 5 dias), Tramadol (5 mg/kg, IV, TID, por 3 dias), Ondansetrona (0,3 mg/kg, IV, TID, por 2 dias), Metronidazol (15mg/kg, IV, BID, por 3 dias), Dipirona (25mg/kg, IV, TID, por 5 dias) e Amoxicilina + Clavulanato de Potássio (20 mg/kg, SC, SID, por 7 dias). Na sequência, foram retirados inúmeros ferrões do animal com um objeto plano e fino. Na avaliação bioquímica, haviam aumentos significativos de ureia (86 mg/dl), ALT (90,3 UI/L) e creatinina (1,7 mg/dl). Na ultrassonografia foram observadas alterações como, fígado de dimensões moderadamente aumentadas e com diminuição da ecogenicidade, alças intestinais com paredes moderadamente espessas, além dos linfonodos mesentéricos moderadamente aumentados. No segundo dia de internação, o padrão respiratório normalizou e, no quarto dia, o paciente voltou a se alimentar e a urina já apresentava coloração normal. A mioclonia permaneceu até o nono dia. O paciente teve alta hospitalar no 12° dia. Após 20 dias do acidente, o animal retornou e realizou-se nova colheita de sangue, estando o hemograma e bioquímico próximos da normalidade. As manifestações clínicas costumam ser decorrentes da inoculação de substâncias vasodilatadoras presentes no veneno e podem cursar com rabdomiólise e crise hemolítica e, concomitantemente, a hemoglobinúria e a mioglobinúria geram necrose tubular, culminando em insuficiência renal aguda. A apitoxina, conhecida como melitina, compõe 75% do veneno das abelhas, atua como detergente, destruindo a membrana celular, além de liberar aminas vasoativas, como histamina e serotonina, aumenta a permeabilidade vascular e causa vasodilatação. A reação anafilática é mais severa e a gravidade do quadro clínico tem relação com a quantidade de ferrões. A toxicose por picada de abelhas é uma emergência clínica e necessita de agilidade e cuidado intensivo com o animal, sendo importante a instituição de um rápido tratamento afim de melhorar o prognóstico do paciente. O uso de anti-histamínico foi ideal para controlar os efeitos da liberação de histamina e o uso dos antibióticos para prevenção de infecções secundárias, comuns nesses acidentes. A fluidoterapia foi efetivada para manter a volemia, evitando dessa forma, agravamento de problemas renais e, a oxigenoterapia para garantir a manutenção das vias aéreas. Conclui-se que a conduta emergencial escolhida foi adequada, associada a melhora clínica e mínimos efeitos residuais.

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Publicado

2022-11-23

Como Citar

TOXICOSE POR PICADAS DE ABELHAS EM UM CÃO. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 14, 2022. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/112413. Acesso em: 17 abr. 2026.