SÍNDROME DE HIPERESTESIA FELINA: RELATO DE CASO
Palavras-chave:
SÍNDROME, HIPERESTESIA, FELINA, ETIOLOGIA, MULTIFATORIAL, CAUSA, BASEResumo
A síndrome de hiperestesia felina (SHF) é uma condição clínica rara e que, muitas vezes, tem etiologia desconhecida. Os felinos acometidos, geralmente apresentam comportamentos excessivos de mordedura e lambedura da área lombar, do flanco e até da cauda, além disso os sinais clínicos mais característicos da afecção são os espasmos musculares na região lombo-sacra devido a hipersensibilidade e a presença de ondulações na pele, ainda, o animal pode apresentar vocalização. Devido a essa apresentação clínica, os felinos com a síndrome podem ter como causa base enfermidades sistêmicas, dermatológicas ou distúrbios comportamentais. Assim, o presente estudo tem como objetivo relatar o caso de um paciente com diagnóstico presuntivo de síndrome de hiperestesia felina cursando com alterações dermatológicas e comportamentais. Foi atendido no Hospital de Clínicas Veterinárias da FV - UFPel, um felino macho, sem raça definida, de 4 anos, castrado. O tutor relatou que aproximadamente 6 meses o paciente vinha apresentando prurido intenso generalizado, além de se mordiscar nos locais de maior coceira, chegando a causar lesões. Foi mencionado ainda, que o felino não socializava de forma harmônica com os demais gatos da casa, o que gerava momentos estressantes para o mesmo. No exame físico, foi visualizado rarefação pilosa com áreas de alopecia na região dorsal, presença de descamação moderada, ainda o paciente apresentava hipersensibilidade e fasciculações na região acometida. Além disso, haviam lesões crostosas na região de base de cauda e abdômen, assim como presença de ectoparasitas (pulgas). Devido ao curso do quadro com presença de alterações dermatológicas, optou-se pela realização de exames complementares para a exclusão de diagnósticos diferenciais, incluindo citologia cutânea, a qual mostrou presença moderada de neutrófilos picnóticos e macrófagos; exame parasitológico de pele, onde não foram encontrados ectoparasitas na amostra e ainda, se realizou uma cultura fúngica, na qual os resultados deram negativo para a presença de fungos patogênicos. Em razão dos resultados, o diagnóstico sugestivo foi de síndrome de hiperestesia felina de causa alérgica e comportamental. Dessa forma, prescreveu-se anti-pulgas spot on (Imidacloprida 100mg e Moxidectina 10mg) uma pipeta a ser aplicada na região da nuca, além de um anti-inflamatório esteroidal a (Prednisolona 5mg, via oral, 1 comprimido/24h por 7 dias e após 1 comprimido a cada 48h por mais 7 dias) com o objetivo de reduzir o prurido do paciente. Concomitantemente, foi prescrito Amitriptilina (5mg, via oral, 1 cápsula/24h) e Gabapentina (50mg, via oral, 1 cápsula/12h) ambas por 30 dias, como terapia. O paciente retornou após 2 meses para avaliação, foi observada uma leve evolução positiva do quadro, o tutor relatou redução considerável do prurido e uma melhora no aspecto do pelame em relação a última consulta. Entretanto, referiu que o felino ainda apresentava crises de hiperestesia, principalmente em resposta ao toque na região dorsal do animal. De acordo com a literatura, a resposta dos pacientes, após a instituição da terapia, ocorre de forma lenta, geralmente, com 6 meses nota-se evolução. Manteve-se o tratamento medicamentoso da Gabapentina e Amitriptilina com as doses já citadas e aliou-se uma terapia tópica com o uso de Allerderm® Spot-On (1 pipeta a cada 15 dias), Hidrapet® shampoo (banhos terapêuticos deixando o produto agir por 10 minutos) e o Hidrapet® condicionador (uso após banho) esses produtos foram inseridos a fim de promover a reestabelecimento da barreira cutânea e diminuir a resposta do felino aos estímulos. A síndrome de hiperestesia felina (SHF) tem causa multifatorial, mas é comumente associada a causas comportamentais, principalmente estresse e ansiedade e, ainda, patologias dermatológicas que podem estar envolvidos na etiologia da síndrome, ambos fatores estavam presentes no felino acompanhado e podem estar relacionados com o quadro clínico do paciente em questão. A hiperestesia é um sinal clínico neurológico da SHF, que se caracteriza por uma hipersensibilidade dolorosa, essa manifestação, que ocorreu no animal relatado, pode ocorrer também em outras enfermidades. Desta forma, o diagnóstico da SHF se baseia em uma anamnese detalhada e exame físico, além do descarte dos principais diagnósticos diferenciais, ressaltando a importância da realização de exames complementares. O tratamento da SHF é embasado na tentativa de resolução das causas base, nessa situação específica, a terapêutica se direcionou para as causas dermatológicas e comportamentais, sendo observada uma melhora do quadro clínico. O presente relato corrobora para os demais estudos em relação a essa enfermidade multifatorial que é a síndrome de hiperestesia felina Destaca-se a importância dos exames complementares, a fim de estabelecer um diagnóstico por exclusão de outras causas de base e, assim definir o tratamento assertivo e conferir qualidade de vida aos felinos e aos tutores.Downloads
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Publicado
2022-11-23
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
SÍNDROME DE HIPERESTESIA FELINA: RELATO DE CASO. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 14, 2022. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/112403. Acesso em: 19 abr. 2026.