CARCINOMA HEPATOCELULAR EM CANINO

Autores

  • Maria Laura Ballvé Castillo Porto
  • Gabriele Marques Lopes
  • Saymon Silva Rocha
  • Érika Lopes Benevenute
  • João Pedro Scussel Feranti

Palavras-chave:

Neoplasmas, Fígado, Histopatológico, Quimioterapia, Anemia

Resumo

O carcinoma hepatocelular (CHC) é uma neoplasia maligna primária, originada nos hepatócitos e de baixa incidência na rotina de pequenos animais. É incomum em cães, porém, mais documentado em animais idosos, sem raça predisposta. É caracterizado como maciço, apresentando-se unifocalmente, multinodular e com tamanho e crescimento exuberantes. Os animais costumam apresentar sinais clínicos tardios, como distensão abdominal, êmese, perda de peso, poliúria e polidipsia. Geralmente, as opções terapêuticas incluem intervenção cirúrgica e/ou quimioterapia. Este trabalho tem como objetivo relatar o caso de um cão diagnosticado com um CHC e, demonstrar a importância de exames periódicos em animais geriátricos. Foi atendido um cão, macho, de 11 anos de idade, Yorkshire Terrier, com 4,8 kg e com histórico de já ter realizado esplenectomia total. Os tutores buscaram atendimento de rotina, visto que, no ano anterior, o paciente apresentou crises recorrentes de pancreatite. Foi relatado que o mesmo mantinha a alimentação com ração gastrointestinal e peito de frango. Foram solicitados exames complementares como, hemograma, bioquímicos e ultrassonografia abdominal. Dentre os achados, foi evidenciado anemia normocítica normocrômica, aumento nos níveis de ALT (211 U/L) e, na ultrassonografia abdominal, foram observados microcálculos aderidos à parede da vesícula biliar e rins parcialmente senis. Foram prescritos alguns medicamentos para uso domiciliar e agendado um retorno para controle. O paciente retornou ainda anêmico, porém a ALT havia diminuído (132 U/L) e, na ultrassonografia constatou-se diminuição dos cálculos em vesícula biliar. No entanto, 45 dias após, o paciente retornou apresentando vômitos. Realizou-se nova bateria de exames, onde, o hemograma indicou apenas trombocitose, a ALT permanecia elevada (170 U/L) e, na ultrassonografia foi observado um nódulo em fígado. Devido ao achado, efetivou-se colheita de tecido hepático através de CAAF e CAF, a partir de uma punção guiada por ultrassonografia, tendo-se como resultado, sugestivo de carcinoma hepatocelular. Com base na suspeita, o paciente foi submetido a lobectomia hepática e a amostra foi encaminhada para exame histopatológico, confirmando o diagnóstico de CHC, bem como, a ausência de células neoplásicas na margem cirúrgica. Após sete dias do procedimento cirúrgico, o paciente retornou apresentando vômitos e diarreia enegrecida. Foram solicitados novamente exames complementares. No hemograma, observou-se neutrofilia e monocitose. A ALT apresentava aumento significativo (>1000 U/L), sugestivo de necrose de hepatócitos e a ultrassonografia foi sugestiva de pancreatite, gastrite e reação inflamatória na região da lobectomia. Realizou-se terapia medicamentosa afim de corrigir as alterações observadas e, após isso, o animal apresentou estabilidade do quadro, com melhora considerável na avaliação hepática, porém, com a ALT ainda acima dos níveis fisiológicos (257 U/L). O paciente foi avaliado e submetido a tratamento quimioterápico com doxorrubicina. Foram realizadas três sessões de quimioterapia, sem intercorrências e o paciente apresentou diminuição considerável nos níveis de ALT (109 U/L). Os tutores foram recomendados a seguir com as consultas rotineiras para o controle da doença, com intuito de identificar possível recidiva através da ultrassonografia. Os testes que avaliam as funções hepáticas (FA, ALT, GGT e albumina) são essenciais para auxiliar o médico veterinário no diagnóstico de possíveis afecções. Dentre os tumores hepáticos documentados, o adenoma hepatocelular e o sarcoma histiocístico são considerados diagnósticos diferenciais para o CHC. Um dos exames complementares indicados para auxiliar no diagnóstico e estadiamento desses pacientes é a radiografia e/ou tomografia torácica, afim de avaliar possíveis metástases pulmonares. Indica-se a ressecção cirúrgica como melhor terapia, visto que a quimioterapia com doxorrubicina apresenta uma taxa de 10% de eficácia em CHC. Quanto ao método de ressecção cirúrgica, as taxas de sobrevida e recidiva tumoral foram iguais na cirurgia convencional e na laparoscópica. Em casos que a ressecção cirúrgica não pode ser realizada, a quimioterapia com cisplatina e a radioterapia podem melhorar a sobrevida dos pacientes, embora o tecido hepático normal não possa ser submetido à radiação cumulativa. Em alguns casos, a silimarina é indicada até a realização do procedimento cirúrgico pois controla a permeabilidade da membrana hepática impedindo a penetração de toxinas. Conclui-se que o CHC deve ser considerado como diagnóstico diferencial, principalmente no atendimento de pacientes geriátricos com alterações hepáticas, bem como, ressalta-se a importância das consultas e exames de rotina nesses pacientes e o encaminhamento para um serviço especializado.

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Publicado

2022-11-23

Como Citar

CARCINOMA HEPATOCELULAR EM CANINO. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 14, 2022. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/112400. Acesso em: 17 abr. 2026.