RELATO DE CASO- PAPILOMATOSE BOVINA

Autores

  • Thuanne Brancão
  • Nikolas Bahr
  • Tamires Santos
  • Jordani Cardoso
  • Juliano Prietsch
  • Eduardo Schmitt

Palavras-chave:

Vacina, autógena, Excisão, cirúrgica, Imunoestimuladores, Auto-hemoterapia

Resumo

A papilomatose bovina, causa prejuízos econômicos no rebanho bovino, seu impacto está relacionado com lesões nas carcaças, redução na produção, taxa de crescimento, contaminação do leite, custos com tratamento e mão de obra. As lesões ocorrem de maneira multifocal e podem ser de morfologia plana, pedunculados e/ou grão de arroz, já sua disseminação pode ocorrer por contato direta, fômites ou vetores. Seu diagnóstico é fundamentado através dos dados clínicos, histopatológicos, epidemiológicos ou pelo exame de PCR, sendo este último o que apresenta maior sensibilidade e especificidade. Diante disso, o presente trabalho teve como objetivo relatar um caso clínico de papilomatose bovina, com o intuito de orientar e diminuir possíveis perdas econômicas com relação a esta enfermidade. Este caso clínico ocorreu com um animal atendido pela clínica de ruminantes da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), onde se tratava de uma fêmea bovina, da raça holandesa, com aproximadamente 12 meses e oriunda de uma propriedade leiteira comercial localizada no município de Turuçu, Rio Grande do Sul, Brasil. Durante a inspeção foi notado a presença de verrugas, portanto para exames complementares mais específicos foi feito a retirada de amostras dessas verrugas e o material foi encaminhado para o Laboratório de Virologia e Imunologia da UFPel. O resultado obtido foi de papilomatose bovina. Posteriormente, houve o retorno a propriedade, onde na anamnese, ao ouvir o relato do proprietário, observou-se a evolução da enfermidade (aparecimento de mais verrugas), ao realizar o exame clínico geral, constatou-se que os parâmetros fisiológicos eram os seguintes: frequência cardíaca de 62 batimentos por minuto (bpm), frequência respiratória 31 movimentos por minuto (mpm), temperatura corporal (TC) 38,8°C e 2 movimentos ruminais completos em 2 minutos. Ao avaliar as lesões, notou que se encontravam na região caudal da articulação escapula-umeral, devido a isso optou-se pela excisão cirúrgica. Para o procedimento foi realizada a antissepsia e anestesia do local; Retirada dos papilomas com auxílio de bisturi, pinças e cureta; com auxílio de gases foi realizada a hemostasia e as suturas com pontos isolados simples, fio não absorvível e monofilamentoso. Além disso, as amostras foram armazenadas e enviadas ao laboratório de Virologia e Imunologia da UFPel, para a formulação de vacina autógena. Durante o acompanhamento clínico do paciente foi mencionado o surgimento de novas lesões pelo corpo do animal, sendo assim houve uma consulta de retorno à propriedade, onde foi solicitada uma nova remoção cirúrgica dos papilomas, a seguir foi realizado a aplicação da primeira dose da vacina autógena e após 30 dias a segunda dose, sendo cada dose 10ml. Ao avaliarmos este caso, observamos que este é um caso comum em bovinos, principalmente nesta faixa etária, pois é um dos momentos em que os animais estão com o sistema imunológico mais imunocomprometido, devido aos desafios de desmame, primeira lactação, estresse alimentar, manejo excessivo e instalações precárias, no entanto animais jovens são os que demonstram melhor resposta contra os papilomas. Para isso, a vacina autógena é uma técnica bastante satisfatória na evolução dos quadros quando comparado aos produtos comerciais, tendo em vista que a vacina será específica para a cepa patogênica do animal, enquanto os produtos comerciais são de menor especificidade, já que existe uma variedade grande de cepas de papiloma vírus. A remoção cirúrgica é uma opção que pode ser empregada de acordo com a necessidade do produtor, comumente utilizada por estética, exposição de animais ou mesmo quando não ocorre a regressão do quadro clínico. Além disso, a utilização de fármacos imunoestimuladores pode ser uma estratégia que amenize os problemas causados pela papilomatose. Sua ação se dá através da estimulação de mediadores de imunidade celular e ativa a população dos linfócitos T, sendo a ivermectina uma das opções de aplicação, pois além de efeito imunológico possui ação antitumoral e cicatrizante, outra alternativa visando combater o papiloma, seria a utilização de auto-hemoterapia, sendo por muitas vezes a primeira opção eleita, visto o baixo custo da terapia e sua eficiência estatística relatada em estudos. Pode se concluir que existem diversas alternativas visando o tratamento da papilomatose bovina. Sendo que a utilização da excisão cirúrgica associada com a vacina autógena foi satisfatória para a resolução do quadro relatado.

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Publicado

2022-11-23

Como Citar

RELATO DE CASO- PAPILOMATOSE BOVINA. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 14, 2022. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/112395. Acesso em: 17 abr. 2026.