DESEMPENHO ACADÊMICO DE DISCENTES DE MICROBIOLOGIA GERAL E VETERINÁRIA NOS PERÍODOS PRÉ PANDEMIA, ENSINO REMOTO EMERGENCIAL E RETORNO PRESENCIAL

Autores

  • Leticia Moreira
  • Débora Perin
  • Irina Lubeck
  • Carolina Kist Traesel

Palavras-chave:

Microbiologia, Geral, Veterinária, Ensino

Resumo

As disciplinas de Microbiologia Geral (MG) e Microbiologia Veterinária (MV) estão presentes nos semestres iniciais da grade curricular ofertada pelo curso de Medicina Veterinária da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), sendo a primeira composta por 30 horas em aulas teóricas e 30 horas em aulas práticas, totalizando 60 horas, e a segunda constituída de 45 horas em aulas teóricas e 30 horas de aulas práticas, totalizando 75 horas. O curso oferece 80 vagas anualmente, divididas em ingressos semestrais de 40 vagas. Até o ano de 2019, os componentes eram ofertados de forma presencial, com aulas práticas que poderiam ser realizadas em laboratórios presentes no campus. Em 2020, com o início da pandemia da Covid-19, a Unipampa aderiu às Atividades de Ensino Remoto Emergenciais (AEREs), quando as aulas passaram a ser ofertadas de forma remota via Google meet. Neste período, as formas de ensino nos componentes citados sofreram adaptações, sendo necessária a modernização didático-pedagógica e o emprego de metodologias ativas de aprendizado, com auxílio de ferramentas digitais. As aulas práticas foram realizadas de forma alternativa pelos acadêmicos, nas suas residências ou em laboratórios virtuais. Das atividades práticas realizadas durante as AEREs inclui-se a preparação de meios de cultivo em casa, seguida da coleta e inoculação de microrganismos presentes no cotidiano dos acadêmicos. A presente análise foi realizada com objetivo de comparar o desempenho dos discentes em MG e MV entre os períodos pré-pandemia (semestres letivos 2018-1, 2018-2, 2019-1 e 2019-2), durante a pandemia (2020-1, 2020-2, 2021-1 e 2021-2) e no retorno do ensino presencial (2022-1). Para isso, foi utilizado o histórico de componentes curriculares, fornecido pela docente responsável, que contém informações sobre o número de aprovações e reprovações. Para deflagrar possíveis diferenças entre os períodos mencionados, o método utilizado foi a comparação das somas do total de matriculados em cada período, das aprovações por nota e das reprovações por nota e por frequência, de todas as turmas (A, B, C e D), e os resultados foram convertidos em porcentagem. No período pré pandemia, 232 discentes (média de 58 por semestre) estiveram matriculados em MG, destes, 71,1% obtiveram aprovação por nota e 28,9% não alcançaram a média. Enquanto que em MV, o número de discentes foi de 229 (média de 57,25 por semestre), sendo que 69,9% atingiram a média e 30,1% reprovaram por nota ou frequência. Durante o período de AEREs, o número de matriculados foi menor do que nos anos anteriores, totalizando 194 (48,5/semestre, em média) em MG e 186 (46,5/semestre, em média) em MV, porém, houve um aumento no número de aprovações, chegando a 83,5% em MG e 87,6% em MV, superando o valor do período anterior. Consequentemente, o índice de reprovação em AEREs acabou reduzido quando comparado ao período pré-pandemia: 16,5% em MG e 12,4% em MV. No ano de 2022, com a volta do ensino presencial, pôde-se perceber que algumas metodologias de ensino instituídas em AEREs puderam continuar sendo desenvolvidas, na dependência da disponibilidade de ferramentas digitais e de acesso à rede. No entanto, logo no primeiro semestre de 2022, foi detectado um decréscimo no número de matriculados, o qual chegou a 45 em MG e 40 em MV. Isto deveu-se a dois motivos prováveis, à menor retenção por reprovação no período de AEREs e ao fato da necessidade de fixar residência em Uruguaiana, sede do Campus onde está localizado o curso. Ainda, foi possível observar uma queda no desempenho acadêmico, em ambos os componentes, quando comparado aos períodos anteriores. Em 2022-1, no componente de MG, obteve-se índices de 46,6% de aprovações e 53,4% de reprovações (10 por nota, 12 por frequência e 2 não completaram a disciplina); enquanto que em MV, 47,5% obtiveram aprovação e 52,5% não alcançaram a média (18 por nota e 3 por frequência). Como MG é um componente do 1º semestre, acredita-se que alguns aprovados no Sisu optaram por não cursar Medicina Veterinária presencialmente em Uruguaiana. Os altos índices de reprovação no retorno presencial possivelmente refletem impressões evidenciadas pelos docentes em sala de aula virtual: dificuldade em avaliar o aprendizado acadêmico com as formas de avaliação disponíveis, e dificuldade dos acadêmicos em acompanhar efetivamente as aulas e em estudar de forma eficiente os conteúdos, para o ensino ser convertido em aprendizado. Atualmente, em 2022-2, estão matriculados 47 na disciplina de MG e 42 em MV, entretanto, só será possível saber se houve melhora no desempenho, em comparação ao 2022-1, no final do semestre letivo. Assim, pode-se concluir que o período de AEREs trouxe contribuições que permaneceram, especialmente na metodologia de ensino, no entanto, é difícil implementar estas metodologias sem o compromisso e a responsabilidade dos discentes, além de ser improvável o sucesso na avaliação do processo de ensino-aprendizagem pelos métodos convencionais.

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Publicado

2022-11-23

Como Citar

DESEMPENHO ACADÊMICO DE DISCENTES DE MICROBIOLOGIA GERAL E VETERINÁRIA NOS PERÍODOS PRÉ PANDEMIA, ENSINO REMOTO EMERGENCIAL E RETORNO PRESENCIAL. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 14, 2022. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/112389. Acesso em: 17 abr. 2026.