CISTOTOMIA, NEFRECTOMIA E OVARIOHISTERECTOMIA EM UM CANINO COM UROLITÍASE: RELATO DE CASO

Autores

  • Mirela Libardi
  • Andriele da Silva
  • Fernanda Orlandi
  • Marcio Luís de Medeiros
  • Marcisa Petry Ludwig
  • Gustavo Forlani Soares

Palavras-chave:

Urolitíase, Cistotomia, Nefrectomia, Ovariohisterectomia

Resumo

A urolitíase é comumente observada na clínica de cães e gatos e ocorre pela associação de diferentes fatores fisiológicos e/ou patológicos que favorecem o acúmulo de sais minerais na urina, que em altas concentrações propiciam a formação de cristais, que podem se agregar originando urólitos. Os tipos de cálculos são classificados de acordo com sua composição mineral predominante, sendo os mais frequentes os de estruvita e oxalato de cálcio. A formação de um urólito pode se dar em qualquer região do trato urinário, porém eles são mais frequentemente encontrados na vesícula urinária e uretra. Em casos de ureterolitíase, pode ocorrer hidroureter, dilatação da pelve renal, hidronefrose e insuficiência renal. Com a obstrução crônica das vias urinárias, ocorre a diminuição do aporte sanguíneo renal, perda de nefrons, atrofia do parênquima renal e fibrose. Porém, nem sempre a presença de um urólito vesical implicará em manifestações clínicas, já que ele pode permanecer inativo, dissolver-se ou crescer, e em casos de ureterolitíase ou nefrolitíase unilateral, o rim contralateral sofre alterações compensatórias que mascaram os sinais clínicos. Contudo, quando a manifestação clínica está presente, pode se apresentar por algia, disúria, formação de pólipos, obstrução e infecção do trato urinário. O objetivo deste trabalho é relatar um caso onde foi necessário realizar as técnicas cirúrgicas de nefrectomia, cistotomia e ovariohisterectomia no mesmo procedimento, em um canino com urolitíase. No dia 06/09/2022, na Clínica Veterinária PetMed Saúde Animal, localizada no município de Caxias do Sul - RS, foi recebido o encaminhamento de um paciente canino, fêmea, de nove anos de idade, da raça boxer, para realização de procedimento cirúrgico de nefrectomia direita e cistotomia para retirada de urólitos. O animal realizou ultrassonografia abdominal, onde foi constatado que o rim direito possuía formação nodular compatível com neoplasia ou granuloma inflamatório/infeccioso. Na vesícula urinária, se constatou processo inflamatório/infeccioso severo e presença de duas formações compatíveis com cálculos intraluminais, além de presença de sedimento e celularidade na urina. O laudo ultrassonográfico também constatou efusão peritoneal e hepatopatia aguda. Também foi realizado hemograma completo e perfil bioquímico, onde as únicas alterações séricas detectadas foram discreta hipoalbuminemia, ureia levemente aumentada, fosfatase alcalina consideravelmente aumentada. Além disso, a avaliação radiográfica e a urinálise também seriam importantes exames complementares pré-cirúrgicos a serem empregados neste caso, porém, por questões de custo, não foi possível a realização. O paciente foi conduzido ao procedimento cirúrgico no dia 07/09/2022, para realização de cistotomia para retirada dos urólitos e nefrectomia direita. Durante o procedimento, se notou que o ovário direito se encontrava aderido ao rim direito, e estava com dimensão aumentada e com alteração na morfologia, por isso, se optou pela realização da ovariohisterectomia, juntamente com as outras técnicas cirúrgicas. Os urólitos retirados mediam aproximadamente 5 cm x 5,5 cm e 3,5 cm x 3,5 cm. O procedimento cirúrgico foi bem-sucedido e o animal se recuperou satisfatoriamente, e recebeu analgesia e antibioticoterapia. O rim e ovário direito foram enviados para exame histopatológico, onde os achados renais foram de hidronefrose e pielonefrite acentuada, e no ovário pôde-se observar fibrose e presença de folículos atrésicos. Os urólitos não foram enviados para análise físico-química, o que seria um exame complementar importante para nortear a necessidade de uma terapia pós-cirúrgica, especialmente por não ter sido realizada a urinálise. Vale ressaltar que lesões renais unilaterais não costumam ser consequência de urólitos vesicais, por isso, se supõe que os urólitos podem ter obstruído o meato ureteral direito, ou existiu uma ureterolitíase que, após gerar as alterações no parênquima renal, o urólito foi expelido para a vesícula urinária. A gravidade das lesões pode ter passado despercebida, já que o rim contralateral pode compensar a função do rim lesionado, e os sinais clínicos tendem a ser discretos. Esse fato explicaria a dimensão dos urólitos. Desse modo, concluímos que a urolitíase é uma importante desordem do trato urinário de cães e gatos, e que neste caso, as alterações unilaterais no parênquima renal e ovariano associadas a urolitíase vesical são atípicas. Por isso, se faz importante realizar o presente relato do ocorrido.

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Publicado

2022-11-23

Como Citar

CISTOTOMIA, NEFRECTOMIA E OVARIOHISTERECTOMIA EM UM CANINO COM UROLITÍASE: RELATO DE CASO. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 14, 2022. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/112386. Acesso em: 17 abr. 2026.