LESÃO TENDÍNEA E NA BOLSA SUBTENDÍNEA DO MÚSCULO INFRAESPINHAL EM EQUINO: RELATO DE CASO

Autores

  • Jamile Machado
  • Dioi Bataglim Severo
  • Lawinya Oliveira Machado
  • Lessana de Moura Gonçalves
  • Aline de Moura Jacques

Palavras-chave:

equinos, lesão, traumática, tecidos, moles

Resumo

Equinos são frequentemente destinados a atividades esportivas e recreativas que exigem velocidade e resistência, isso expõe seus membros à tensão contínua e risco de lesões no aparelho locomotor que impactam negativamente seu desempenho atlético, sendo assim, um diagnóstico eficaz e preciso das alterações do sistema músculo esquelético pode afetar diretamente a recuperação do animal. Alterações na articulação escapulo-umeral e estruturas adjacentes são de difícil diagnóstico devido a sobreposição de estruturas e grande massa muscular presentes na região, na maioria dos casos as lesões podem ocorrer devido a danos diretos responsáveis, por quedas, coices e objetos cortantes. Sendo assim, este trabalho tem o objetivo de relatar um caso no qual houve demora no atendimento veterinário após a ocasião do trauma e descrever o tratamento e procedimento cirúrgico realizado, ressaltando a importância do diagnóstico e tratamento precoce para a recuperação em casos de lesões em equinos. Um equino, fêmea, Quarto de Milhade aproximadamente três anos, 350 Kg, deu entrada para o atendimento no Centro de Práticas Veterinárias (CPV) da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões em Santiago, Rio Grande do Sul. Durante a anamnese, foi relatado que o animal havia sido atingido por um coice no membro torácico esquerdo em dezembro de 2021, após este evento o animal apresentou edema da região escapulo-umeral e havia suspeita clínica de fratura do tubérculo maior cranial do úmero. Depois de algum tempo o edema da região diminuiu, mas houve uma supuração de líquido viscoso na região articular. O animal foi levado para atendimento no CPV em outubro de 2022 onde foi realizado o exame clínico, no qual apresentou claudicação de elevação grau1 ao trote, edema moderado e secreção de líquido seroso. Dado o tempo de evolução da lesão foi descartada alteração intra-articular, pois o pequeno grau de claudicação e ausência de maiores complicações não condiz com este tipo de afecção. Considerando que a lesão encontrava-se na região da articulação escapulo-umeral, a suspeita clínica foi alteração no tendão e bolsa sinovial subtendínea do músculo infraespinhal. As bursas ou bolsas são compartimentos cheios de líquido produzido pela membrana sinovial, que tem como objetivo a redução do desgaste produzido pelo atrito entre os músculos, ligamentos ou tendões com as superfícies ósseas durante a realização dos movimentos, reduzindo a possibilidade de lesões causadas por atrito. Foi realizado como exame complementar para auxiliar no diagnóstico, a ultrassonografia da articulação e tecidos adjacentes. No exame ultrassonográfico foi evidenciado um canal acidental que comunica com o meio externo na altura do tendão do músculo infraespinhal e bolsa subtendínea, regiões anecóicas compatíveis com edema, resultante de lesão nestas estruturas.Iniciando o tratamento da afecção, foi realizado o procedimento cirúrgico com a diérese do tecido acompanhando a comunicação visualizada e então colocado um dreno para limpeza e tratamento das estruturas através da fístula. Realizou-se a infiltração intra-articular com Acetonida de triancinolona (Retardoesteroide®) e também na fístula como tratamento local, para ajudar na diminuição do processo inflamatório, foi recomendado tratamento de 5 dias com 10 ml de flunixinameglumina (Flumax®) por via intravenosa e 20 ml de penicilina (Penfort®) por via intramuscular. Sete dias após o procedimento a paciente não apresentava mais claudicação evidente, o dreno está sendo removido gradativamente a cada sete dias para que ocorra adequadamente a cicatrização da lesão. Considerando que equinos são animais atletas e a progressão da lesão pode diminuir ou impedir os movimentos do membro, afetando o desempenho esportivo do animal. Conclui-se que é de extrema importância a precocidade e precisão do diagnóstico e tratamento das alterações nos tecidos moles na altura desta articulação, para que ocorra o mais rápido possível o retorno às atividades, às quais é destinado, a perda da função do membro por dor local pode levar à atrofia ou danos de toda musculatura regional, como no paciente em questão.

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Publicado

2022-11-23

Como Citar

LESÃO TENDÍNEA E NA BOLSA SUBTENDÍNEA DO MÚSCULO INFRAESPINHAL EM EQUINO: RELATO DE CASO. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 14, 2022. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/112385. Acesso em: 17 abr. 2026.