Síndrome de Horner: relato de caso
Palavras-chave:
Síndrome, Horner, Protrusão, Terceira, Pálpebra, Neurônio, MotorResumo
A síndrome de Horner (SH) não é uma patologia, mas sim um conjunto de sinais clínicos que ocorrem quando há lesão da inervação simpática para o globo ocular e seus anexos, sendo eles o neurônio motor superior de primeira ordem, neurônio motor pré-ganglionar de segunda ordem ou neurônio motor pós-ganglionar de terceira ordem. Assim, as principais manifestações são: miose, anisocoria, enoftalmia e protrusão da terceira pálpebra, bem como, em alguns casos, também pode ocorrer aumento da temperatura da face e da região do pavilhão auricular externo. Dado a isso, por meio da realização de exame físico, neurológico, oftálmico, otoscópico, e muitas vezes exames complementares de imagem, pode-se concluir a causa dessas manifestações clínicas e conduzir a um tratamento adequado. Desta forma, este trabalho tem como objetivo relatar o caso de uma fêmea canina sem raça definida de 13 anos, atendida no Hospital Veterinário da Universidade Federal do Pampa em Uruguaiana/RS, no qual apresentou sinais clínicos indicativos de SH. Desse modo, durante o exame físico o animal apresentava protrusão de terceira pálpebra, enoftalmia e ptose palpebral em olho direito, perda de visão bilateral e ressecamento leve dos olhos e, além disso, o animal não apresentou resposta aos testes luminosos estando com reflexo de ameaça, reflexo pupilar direto e cruzado ausentes. Ademais, também foi realizado o teste de fluoresceína, o qual é utilizado para detectar lesões de córnea, filme lacrimal e ducto nasolacrimal, porém não foram evidenciadas alterações. Com relação ao diagnóstico, foi realizado um exame radiográfico de tórax por suspeita de neoplasia, porém foi descartada, pois não foram evidenciadas massas em mediastino. Outrossim, também foi solicitado exame hematológico e bioquímico onde o animal apresentou anemia, anisocitose e policromasia leve, trombocitopenia, leucopenia e hiperproteinemia. Em decorrência à hiperproteinemia, leucograma com níveis abaixo dos valores de referência, linfonodos aumentados e a cidade de Uruguaiana/RS possuir elevado número de casos de Leishmaniose, a qual pode ser uma causa infecciosa para SH, foi realizado o teste TR DPP® Leishmaniose Visceral Canina, no qual foi confirmado o quadro de leishmaniose no animal. Além disso, em seu retorno ao hospital veterinário, foi observado um aumento de volume na região nasal lateral direita, com aparecimento de secreção purulenta em região de incisivo lateral e canino direito, dessa forma suspeitou-se de fístula em região da arcada dentária superior, a qual poderia estar ocasionando a SH, devido a conexão existente entre o plano nasal e o ducto lacrimonasal, possibilitando espalhar a infecção para a glândula da terceira pálpebra, levando à protrusão de terceira pálpebra. Para controlar o ressecamento ocular foi receitado um colírio de lágrima artificial (Lacrima Plus®), e devido à anemia e a trombocitopenia que a cadela apresentava, foi recomendado aos tutores a realização de uma transfusão sanguínea e a administração de ácido tranexâmico (Transamin®), um anti-hemorrágico inibidor de plasminogênio. Também foi feita antibioticoterapia utilizando clindamicina no intuito de combater a infecção na região do incisivo lateral e canino direito. Em vista do que foi citado acima, pode-se concluir através dos sinais clínicos e dos exames realizados, que este provavelmente se tratava de um caso de SH, onde as suas possíveis causas foram a fístula dentária e a leishmaniose, porém houve uma piora no quadro clínico, onde o animal parou de se alimentar e ingerir água, teve epistaxe bastante acentuada e foi eutanasiado em outra clínica veterinária por solicitação dos tutores, impedindo que fossem feitos outros testes para confirmar a etiologia da síndrome.Downloads
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Publicado
2022-11-23
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Síndrome de Horner: relato de caso. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 14, 2022. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/112384. Acesso em: 17 abr. 2026.