IMPORTÂNCIA DA ASSOCIAÇÃO DO EXAME ULTRASSONOGRÁFICO E DA CITOLOGIA ESFOLIATIVA NO DIAGNÓSTICO DAS ALTERAÇÕES DE VESÍCULA URINÁRIA.
Palavras-chave:
Neoplasia, Ultrassonografia, CitologiaResumo
As doenças do trato urinário inferior em felinos são muito comuns, possuindo várias etiologias e podendo ser de causa bacteriana, fúngica ou parasitária. O exame ultrassonográfico é um dos exames complementares de eleição, pois proporciona a identificação de diversas alterações do trato urinário como cálculos, dilatações do sistema coletor, neoplasias e inflamações. Além disso não é um exame invasivo e possibilita a diferenciação de alterações da parede e do lúmen da vesícula urinária. Foi atendido no Hospital Veterinário da Universidade Federal do Pampa, no dia 06 de julho de 2022, felino domiciliado, macho, 5kg, castrado de 10 anos de idade. A queixa principal do tutor era de estrangúria e hematúria. O animal possuía histórico de uretrostomia, realizada em 2017 após um episódio de obstrução, e desde janeiro de 2022 apresentava queixas de disuria, estrangúria e hematúria sendo tratado duas vezes para cistite bacteriana. Com o objetivo de investigar a causa das cistites recorrentes solicitou-se o exame ultrassonográfico. Para isto o paciente foi posicionado em decúbito dorsal, e a varredura abdominal realizada em sentido anti-horário, com probe convexa na frequência de 9 MHz. A vesícula urinária estava repleta por conteúdo anecogênico, com presença de material ecogênico sedimentado. Notou-se espessamento generalizado (5,0mm) da parede. Em porção cranial foi observado um espessamento mais significativo, com bordas irregulares e superfície heterogênea, associado a difícil delimitação da estratificação das camadas não sendo possível a realização do diagnóstico diferencial entre neoplasia vesical ou coágulo aderido. Diversos são os padrões ultrassonográficos de neoplasias descritos na literatura, havendo maior menção sobre carcinoma de células transicionais, cujo padrão caracteriza-se por massa de formato irregular, com base ampla, complexa a hipoecoica. O coágulo no lúmen ou na parede da vesícula urinária variam em ecogenicidade, formato e morfologia. Além disso, de modo geral, são hiperecogêncios, não sombreados, e podem se acomodar na vesícula urinária. Porém, se forem grandes ou aderentes, à parede, e com aspecto hipoecoico, podem ser confundidos com neoplasma. Com o objetivo de fazer o diagnóstico diferencial das suspeitas estabelecidas no exame ultrassonográfico foram coletadas amostras de urina em tubo EDTA, por meio de sondagem, acompanhada de citologia esfoliativa. No aspecto macroscópico, não foram observadas alterações na urina. Na microscopia, observou-se discreta presença de glóbulos de proteína e pequena quantidade de cristais semelhantes ao oxalato de cálcio, sendo tais características incompatíveis com a suspeita clínica de neoplasia. Sendo assim, os achados da citologia indicam cistite, pois não foi encontrado nenhum tipo celular maligno, a urina estava com aspecto normal, havia presença de cristais, achado esse comum em cistite, sendo assim, o material aderido encontrado, tratava-se de um coágulo. Com os achados clínicos indicando cistite, o animal foi tratado com antibióticos, pois coágulos podem ser substrato para bactérias, entretanto, o animal não retornou para novas avaliações desde então. Portanto, ao realizar o exame ultrassonográfico, o médico veterinário deve conhecer as limitações diagnósticas oferecidas pelo exame, assim como os possíveis diferenciais. Por mais que o diagnóstico definitivo não seja realizado, em alguns casos, por meio da ultrassonografia, esta é capaz de proporcionar um direcionamento, que associado há exames complementares de baixa complexidade, como a citologia esfoliativa, podem oferecer um diagnóstico preciso.Downloads
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Publicado
2022-11-23
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
IMPORTÂNCIA DA ASSOCIAÇÃO DO EXAME ULTRASSONOGRÁFICO E DA CITOLOGIA ESFOLIATIVA NO DIAGNÓSTICO DAS ALTERAÇÕES DE VESÍCULA URINÁRIA. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 14, 2022. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/112383. Acesso em: 17 abr. 2026.