RELATO DE CASO: DIOCTOPHYME RENALE EM CÃO RESGATADO NA CIDADE DE PELOTAS/RS

Autores

  • Natiele Kuter Lopes
  • Natiele Lopes
  • Taila Lilge Scheer
  • Ariane Diniz da Silveira
  • Gustavo Kayser Boelhouwer
  • Sergio Jorge

Palavras-chave:

animal, cão, Dioctophyme, renale, hospedeiro, parasita

Resumo

O Dioctophyme renale ou verme gigante do rim como também é conhecido, é um nematoide que parasita os rins de mamíferos domésticos, silvestres e humanos, podendo atingir até um metro de comprimento na fase adulta e destruir totalmente o órgão afetado de seu hospedeiro definitivo. Esse parasita possui o ciclo evolutivo indireto, sendo o hospedeiro definitivo o cão e o hospedeiro intermediário anelídeos oligoquetas, conhecidos como minhocas de água doce, anfíbios e peixes. O hospedeiro intermediário se contamina através da ingestão de ovos do parasita, a partir do momento que o hospedeiro definitivo ingere um destes hospedeiros intermediários contaminados, ocorre a infestação, podendo atingir principalmente os rins e menos frequentemente a cavidade abdominal, sendo o rim direito o mais acometido por estar mais próximo ao duodeno. O animal parasitado pode eliminar ovos através da urina, contaminando os hospedeiros intermediários. Em Pelotas/RS, no ano de 2021, foi atendida uma cadela de aproximadamente um ano, em uma clínica particular da cidade, sem raça definida, com 4 kg, recentemente castrada, desvermifugada e sem protocolo vacinal. O animal havia sido resgatado há cerca de dois meses, os proprietários relataram que o animal era errante, vivia em área urbana com muita vegetação e presença de coleções de água, com costumes alimentares poucos seletivos, esses são fatores predisponentes para contaminação. Durante a consulta, enquanto feita a anamnese foi possível observar dor lombar, temperatura retal de 39,5ºc e apatia. Os sinais clínicos apresentados foram hematúria, poliúria, polidipsia, anorexia e perda de peso. Para realização de exame complementar, a paciente foi encaminhada a uma clínica de imagem para ultrassonografia, sendo possível visualizar imagens tubulares hiperecogênicas com centro anecogênico no rim direito, havendo compatibilidade com Dioctophyme renale, o rim esquerdo estava com as estruturas preservadas e na cavidade abdominal não foram encontrados parasitas. Após a realização do exame de imagem, o animal foi encaminhado para cirurgia de nefrectomia unilateral, sendo o único tratamento eficaz neste caso. Na inspeção pós-operatória do rim , encontrou-se um Dioctophyme renale de aproximadamente 20 cm, o parênquima renal estava totalmente destruído, com intensa quantidade de líquido sanguinolento e espessamento da cápsula. No pós-cirúrgico, o animal foi encaminhado para casa, foi receitado amoxicilina com clavulanato 22 mg/kg, B.I.D., por durante 7 dias e dipirona, 25 mg/kg, T.I.D, em casos de dor e o tutor foi orientado a fazer limpeza da ferida cirúrgica com soro fisiológico e troca do curativo diariamente até a retirada dos pontos que foram retirados dez dias pós a cirurgia. A dieta da paciente foi alterada para quantidade de sódio, potássio e fósforo moderado e ingestão hídrica adequada. No retorno foi possível observar uma excelente recuperação, o animal se encontrava com comportamento normal, se alimentando adequadamente e sem a presença de sangue na urina. Com base no relato de caso é possível concluir que é de extrema importância que os animais vivam em locais higienizados e com alimentação de forma selecionada, sendo fundamental um diagnóstico precoce para que não haja danos maiores, por isso, a população deve sempre ser orientada sobre o parasita, principalmente em lugares com maior susceptibilidade, como em Pelotas que é um local de alta incidência de casos, por ser uma cidade de água doce exposta e alto índice de umidade.

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Publicado

2022-11-23

Como Citar

RELATO DE CASO: DIOCTOPHYME RENALE EM CÃO RESGATADO NA CIDADE DE PELOTAS/RS. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 14, 2022. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/112382. Acesso em: 17 abr. 2026.