Entrópio espástico por blefaroespasmo em um gato

Autores

  • Leticia Lima
  • Paula Hoch Bayer
  • Valentina Espindola Iung
  • Clarissa Soares Moreira
  • Luana Kaefer de Souza
  • Gustavo Forlani Soares

Palavras-chave:

Oftalmologia, veterinária, Entrópio, espástico, Ocular, Clínica, médica, Felina

Resumo

O entrópio se caracteriza por inversão da margem palpebral, permitindo com que os cílios entrem em contato com a córnea, sendo responsável por causar desconforto, epífora, fotofobia, lesões conjuntivais (conjuntivite e ceratite), bem como as lesões de córnea. O mesmo pode ser de origem congênita, espástico ou até mesmo cicatricial. O blefaroespasmo é uma contração involuntária dos músculos orbiculares dos olhos que provoca fechamento repetitivo das pálpebras. O entrópio espástico é um quadro agudo, transitório, resultante de blefaroespasmo severo como resposta à dor, irritação crônica ou inflamações oculares. O objetivo do presente trabalho é descrever o diagnóstico e terapêutica utilizada para o tratamento de um felino apresentando blefaroespasmo por entrópio espástico. Foi atendido no Hospital Universitário Veterinário (HUVet) da Universidade Federal do Pampa, um felino SRD, fêmea, 3,5 kg, com dois anos de idade, castrada, apresentando os seguintes sinais clínicos à cerca de 10 dias: blefaroespasmo unilateral, presença de secreção mucopurulenta e hiperemia conjuntival sugerindo um processo inflamatório. Ao exame oftálmico, observou-se a presença de inversão da pálpebra, sendo então compatível com um entrópio espástico, normalmente associado ao blefaroespasmo. Visando a possibilidade de lesão de córnea como causa do entrópio espástico, realizou-se o teste de coloração com fluoresceína, sendo este negativo. Foi recomendado a realização também do teste de Schirmer para a avaliação da produção lacrimal, todavia o mesmo não foi realizado por falta de insumos. Para o tratamento receitouse Tobradex Tobramicina 3mg/g + Dexametasona 1mg/g suspensão oftálmica à cada oito horas, pensando no quadro inflamatório e possivelmente bacteriano haja vista a secreção mucopurulenta. A escolha do anti-inflamatório esteroidal foi possível devido ao fato do animal não apresentar úlcera de córnea. O entrópio espástico é corrigido quando se elimina a etiologia base, caso contrário, quando persiste por um longo período de tempo, pode tornar-se cicatricial devido à existência de fibrose do tarso. Após 10 dias de tratamento, houve redução completa do caso de entrópio espástico e ausência de sinais de inflamação. Se for realizado o teste com uma gota de anestésico local no olho do paciente e o entrópio permanecer, indica que o entrópio é de causa congênita, já se o entrópio desaparecer momentaneamente devido à ação do anestésico, indica que é entrópio espástico, ou seja, em resposta à dor, irritação ou inflamação ocular.Esse teste com anestésico local não se fez necessário pois o tutor relatou a ausência de alterações oftálmicas anteriores no histórico do paciente com mais de 2 anos de idade. Caso o entrópio do paciente fosse congênito, a apresentação clínica das alterações oftálmicas citadas durante a consulta pelo tutor acompanhariam o paciente desde os primeiros dias de vida. Em casos de entrópio congênito, geralmente o tratamento requer a correção cirúrgica, a qual chama-se blefaroplastia, a técnica cirúrgica consiste na remoção de uma pequena cunha elíptica de pele e pelos na região das pálpebras, com a finalidade de corrigir a anormalidade que gera o desconforto ocular ao animal. O tratamento cirúrgico posiciona a pálpebra para baixo, o que seria seu posicionamento anatômico, proporcionando assim que os cílios não entrem em contato direto com os olhos do paciente. A realização desse procedimento normalmente apresenta uma excelente taxa de sucesso. É importante lembrar que cada paciente é um e todo caso deve ser tratado de acordo com as necessidades do animal, sendo assim nem sempre a intervenção cirúrgica é necessária. Conclui-se que a conduta diagnóstica e terapêutica de escolha foi a melhor opção para garantir a melhora rápida e eficiente do paciente, visando que a provável etiologia base do entrópio espástico agudo do presente relato seja de causa bacteriana.

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Publicado

2022-11-23

Como Citar

Entrópio espástico por blefaroespasmo em um gato. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 14, 2022. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/112379. Acesso em: 17 abr. 2026.