USO DE SOLUÇÃO SALINA SATURADA NA CONSERVAÇÃO DE PEÇAS CADAVÉRICAS

  • Erick Candiota Souza
  • Micaela Ramos do Amaral
  • Daniel Marques Leopoldino Gerra
  • Amarílis Díaz de Carvalho
  • Paulo de Souza Junior
Rótulo Anatomia, peças, cadavéricas, formaldeído, cloreto, sódio, solução, salina, saturada

Resumo

Anatomia é uma ciência básica nos cursos da saúde. O uso de peças cadavéricas no estudo e na pesquisa da disciplina é de suma importância para o aprendizado dos alunos e a expansão de conhecimento na área. Outros métodos estão sendo utilizados para o ensino da anatomia, como modelos sintéticos e virtuais. Embora auxiliem no processo de aprendizagem, precisam ser usados em conjunto com as peças cadavéricas, e não substituí-las. Atualmente a fixação de cadáveres em solução de formaldeído é o principal método de conservação. Ao mesmo tempo que este método possua excelentes características antifúngicas e antibacterianas, também é irritante aos olhos e vias aéreas, tem propriedades carcinogênicas e é um contaminante ambiental. Além disso, a formalina possui a característica de ser volátil, deixando as peças sujeitas a contaminação fúngica e acarretando maiores custos com as frequentes reposições, requer que as peças sejam lavadas em água antes das aulas e demanda descarte adequado. Tendo em vista tais aspectos, objetiva-se testar métodos alternativos ao uso do formaldeído para a conservação de peças cadavéricas. Após revisar a literatura, a técnica de preservação cadavérica com solução salina saturada (SSS) foi escolhida para verificar sua viabilidade como substituta ao formaldeído nas condições do Laboratório de Anatomia Animal da UNIPAMPA. Foram escolhidas peças em diversas condições: antigas, novas, de diferentes espécies, sistemas, texturas e tamanhos. A SSS foi preparada diluindo sal em água em uma concentração de aproximadamente 26%, ou seja, nas proporções de 2,8 litros de água para cada quilo de cloreto de sódio. A técnica de SSS consiste em fixar o espécime com injeção de formol 10% no sistema arterial, submergi-los na mesma solução por 5 dias e colocar de molho em água para remover o excesso de formol por 3 dias. Após isso, as peças são colocadas submersas na SSS. Por ser uma solução densa, as peças tendiam a ficar na superfície da solução nos primeiros dias, sendo necessária a utilização de pesos para manter as mesmas submersas no início do processo. Ao decorrer de um ano as peças foram avaliadas quinzenalmente. Nenhum sinal de contaminação foi observado, o aspecto das peças continua semelhante às conservadas em formalina e apresentam as mesmas características de textura e coloração ao serem dissecadas. Ademais, foi notado que as peças expostas ao ambiente por períodos prolongados apresentam cristais de cloreto de sódio na sua superfície e os mesmos precisam ser removidos com auxílio de um pano umedecido.  A peça não deve ser lavada, pois com o tempo as concentrações de cloreto de sódio na cuba podem diminuir. Também é importante destacar que, devido às propriedades oxidativas da SSS, os materiais não inoxidáveis devem ser bem limpos após contato com a solução. Dessa maneira, diante dos resultados obtidos, a solução salina se mostrou eficiente para a conservação de peças cadavéricas de animais nas condições locais. A adoção desse método em laboratórios de anatomia pode trazer diversos benefícios. Entre eles, podemos citar: maior segurança à saúde, possibilitando o acesso de mulheres grávidas e pessoas com sensibilidade a formalina, além de tornar a manipulação das peças mais agradável pela ausência de odor; maior praticidade, já que as peças não precisam ser lavadas antes da exibição; baixo custo para a manutenção da SSS, pois a redução de volume decorrente da evaporação é corrigida com a reposição de água; maior facilidade e menor impacto ambiental no descarte de peças danificadas. Em razão dos resultados obtidos, pode-se concluir que a SSS pareceu viável em substituição ao formaldeído na conservação das peças cadavéricas de animais no laboratório da instituição.

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Publicado
2021-11-16
Como Citar
CANDIOTA SOUZA, E.; RAMOS DO AMARAL, M.; MARQUES LEOPOLDINO GERRA, D.; DÍAZ DE CARVALHO, A.; DE SOUZA JUNIOR, P. USO DE SOLUÇÃO SALINA SATURADA NA CONSERVAÇÃO DE PEÇAS CADAVÉRICAS. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.