DIETAS HIPOALERGÊNICAS E SUA IMPORTÂNCIA NO TRATAMENTO DE CÃES

  • Vitória Dotto Ragagnin Prior
  • Priscila Becker Ferreira Burdulis
Rótulo Alergia, Nutrição, Proteína, Sanidade, Tratamento

Resumo

A hipersensibilidade alimentar é a terceira dermatopatia alérgica que mais acomete os cães, causa não somente desconforto ao animal, mas também preocupação nos tutores. É caracterizada por reações adversas de natureza imunológica, levando a desordem cutânea pruriginosa e não sazonal, associada ao material antigênico presente na dieta. Estima-se que 1% de todas as dermatopatias em cães seja representada pelas hipersensibilidades alimentares e que 10% das dermatites alérgicas sejam de etiologia alimentar. Nos casos de hipersensibilidade alimentar não parece haver uma herança genética envolvida e também não há predisposição ao sexo mas sim, há propensão em relação às raças e ao manejo alimentar - desmame precoce de cães - ou o alimento empregado - trofalérgicos. As proteínas são as causadoras mais frequentes das alergias, intituladas de trofalérgenos que são os alérgenos alimentares com peso molecular variando de 10.000 à 60.000 daltons. No desenvolvimento da alergia alimentar, o alérgeno, geralmente uma glicoproteína do alimento, se torna identificável ao organismo mesmo após a digestão e então desencadeia a reação imunológica, estas ocorrem principalmente em função de proteínas de baixa digestibilidade, digestão incompleta da proteína, aumento da permeabilidade intestinal e da diminuição do trânsito intestinal, o que deixaria a mucosa intestinal em maior contato com o alérgeno. A dieta é de extrema importância para tratamento nesses casos desta forma, o objetivo deste trabalho foi avaliar os níveis nutricionais e os ingredientes utilizados, descritos nos rótulos de rações intituladas hipoalergênicas e descrever a importância dos mesmos. Foram analisados quatro rótulos de rações coadjuvantes secas, completas hipoalergênicas para cães. Os níveis nutricionais e a composição básica dos produtos foram obtidos nos sites das empresas. Foram avaliados parâmetros e a frequência de: proteína, nutrientes com propriedades imunomoduladoras como ácidos graxos ômega-3, ômega-6 e antioxidantes. Os dados foram analisados no Microsoft Excel.Nos últimos anos, observa-se o uso de alimentos comerciais com restrição de fontes proteicas, constituídas de ingredientes proteicos hidrolisados. As dietas hipoalergênicas servem para diagnóstico e manutenção dos alérgicos. A sua formulação visa diminuir o tamanho das partículas alimentares antigênicas, diminuindo sua exposição ao sistema imunológico, reduzindo o peso molecular da proteína para menos de 18.000 daltons. Logo, os principais componentes a serem trabalhados nestas dietas são as características das proteínas, em relação aos seus níveis nas dietas variavam de 155 à 220g/kg. Os quatro rótulos contavam com proteínas hidrolisadas, as fontes que apareceram foram proteína hidrolisada de soja, de fígado de ave e suíno e de salmão, juntamente, farinha de salmão, de carne e ossos de cordeiro e fígado de frango, apresentando as características exigidas: baixo teor proteico, número reduzido de fontes proteicas, alta digestibilidade. Além destas nutrientes imunomoduladores, como ácidos graxos e antioxidantes, podem contribuir na redução da resposta imunológica, nestes as variações foram: ômega 3 de 4.000 à 6.000 mg/kg e ômega 6 de 2 à 16 g/kg e os que apareceram foram óleo de peixe, soja refinado, borragem, e gordura de ave e suína. A ingestão de ácidos graxos essenciais assegura a fluidez das membranas, produção de mediadores inflamatórios e fisiológicos, que contribuem para saúde da pele e pelagem. Os antioxidantes melhoram a capacidade funcional do paciente, combatem os radicais livres que são produzidos em excesso dentro do organismo. Os antioxidantes encontrados foram o ácido fólico, biotina, polpa de beterraba, taurina, demais vitaminas e DL-metionina. As vitaminas do complexo B são cofatores necessários em diversas vias metabólicas, sua deficiência afeta a pele e a pelagem. A biotina é necessária nas reações de carboxilação e no metabolismo dos nutrientes, juntamente com complexo B, zinco e ácidos graxos, mostraram redução da perda de água transepidermal. A vitamina E juntamente com selênio, ajuda a manter a estabilidade da célula e da membrana lisossomal. Nestes casos a vitamina A atua no crescimento, diferenciação e manutenção do tecido. A polpa de beterraba melhora a digestão e mantém uma flora intestinal saudável. A taurina aumenta a capacidade antioxidante e reduz o risco de dano celular. A DL-metionina, auxilia sistema imune, retarda o processo de envelhecimento das células e está envolvido na síntese de proteína. Conclui-se que existem poucas rações no mercado destinadas ao tratamento de animais hipoalergênicos, mas que todos os quatro rótulos estavam conforme a legislação e que maioria possuem ingredientes em comum. Logo, é imprescindível ressaltar que a dieta coadjuvante é de suma importância para o tratamento da alergia alimentar.

Downloads

Não há dados estatísticos.
Publicado
2021-11-16
Como Citar
DOTTO RAGAGNIN PRIOR, V.; BECKER FERREIRA BURDULIS, P. DIETAS HIPOALERGÊNICAS E SUA IMPORTÂNCIA NO TRATAMENTO DE CÃES. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.