REFLEXÕES SOBRE OS POSSÍVEIS CENÁRIOS APÓS RETIRADA DAS TROPAS AMERICANAS DO AFEGANISTÃO

Autores

  • Filipe Velho Almeida
  • Sandra Marinês de Campos Velozo
  • Carmela Marcuzzo do Canto Cavalheiro

Palavras-chave:

Estados, Unidos, Afeganistão, Ásia, Central, Talibã, Impactos

Resumo

Após os atentados de 11 de setembro de 2001, os Estado Unidos da América (EUA) intensificaram a chamada política antiterrorismo. Resultado disso foi a invasão das tropas americanas em território afegão buscando combater o Estado Islâmico e o Talibã, que perdurou por aproximadamente duas décadas, até a retirada completa dos militares americanos deste território em 2021. Neste intermédio, novos atores estatais e não estatais emergiram ao passo que os tradicionais, outrora hegemônicos, acabaram limitados pela competição de novas potências e pelo surgimento de organizações para fins ilícitos, como é o caso do próprio Talibã, cuja estrutura remete à de uma Organização Não Governamental (ONG). Com isso, torna-se necessário analisar como as recentes mudanças podem ter interferido na decisão estadunidense de retirar suas tropas do Afeganistão e o impacto da decisão, tanto para o país que se via dominado, quanto para geopolítica regional. Este estudo, resultado de um projeto de extensão que visa dialogar com a comunidade externa sobre temas correlatos, tem por objetivo fazer uma reflexão sobre alguns pontos levantados na palestra intitulada Os impactos da retirada das tropas americanas no Afeganistão e na geopolítica regional da Ásia Central, ministrada pelo Prof. Dr. Fernando Padovani, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) ao Ciclo de Palestras sobre temas atuais de Direito Internacional, buscando identificar as possíveis mudanças no cenário internacional que levaram os EUA a retirarem suas tropas do Afeganistão e compreender de que modo esta decisão impactará no contexto regional. Para isso, far-se-á uso do método histórico, através da leitura de artigos acadêmicos e matérias jornalísticas sobre tema afins, disponíveis no meio online, em sites acadêmicos e jornalísticos, comparando estas informações com as perspectivas levantadas na palestra supramencionada, disponível no canal do Ciclo de Palestras no You Tube. Como resultado da análise elaborada, obtém-se que os EUA já vinham desde 2011, durante o governo Barack Obama, delineando uma política de redução dos gastos militares. Isso decorre especialmente de três fatores: 1) a crise ocorrida em 2008 enfraqueceu ainda mais o orçamento estadunidense que já estava abalado pelos altos gastos militares que mantinha, sobretudo com as tropas que se encontravam no exterior; 2) os movimentos nacionalistas começaram a ganhar força em diversas regiões do mundo, inclusive nos EUA, fazendo com que o governo se voltasse para as questões internas e; 3) a China começou a ascender no cenário internacional, ocupando espaços que outrora eram dominados pelos EUA, passando a ser competidora direta deste e, consequentemente, uma ameaça à sua hegemonia. Como consequência destes fatores, tem-se em 2021 a retirada das últimas tropas que ainda estavam ocupando a cidade de Kabul no Afeganistão, reacendendo especulações sobre os EUA estarem voltando as atenções para a China, ou seja, concentrando esforços em conter o avanço desta potência. Não obstante, apesar da política estadunidense de contenção de gastos militares ter se iniciado em 2011, com Obama, e prosseguido durante os Governos de Donald Trump e de Joe Biden, a forma como se deu o encerramento das ações no Afeganistão deixa transparecer que tal política não foi acompanhada de um planejamento de transição que preparasse o governo e as tropas locais para lidarem com possíveis insurgências, levando à tomada do poder pelo Talibã antes mesmo do último contingente americano deixar o país, sob fortes ameaças deste grupo de rebeldes. Todavia, com poucas ONGs atuando na região e com os Estados limitados por questões como soberania, não-intervenção e nacionalismos, observa-se que a estabilização do Afeganistão dependerá em grande medida do posicionamento do Talibã. Por outro lado, esta mudança no controle do Afeganistão poderá ser usada por alguns países, entre eles China e Rússia, como meio de ocupar o espaço deixado pelos EUA, através do auxílio às forças internas do país e investimentos locais. Ademais, com base nos pontos levantados pelo Prof. Padovani na palestra supramencionada, a saída americana do Afeganistão também acabará freando o expansionismo econômico da Índia, aliada dos EUA, que se verá ocupada com a entrada massiva de afegãos em seu território e com prováveis insurgências em busca de direitos não conferidos às classes não hindus. Não muito diferente será o caso da Arábia Saudita, que contava com a ajuda norte-americana no combate às frentes que, de certo modo, pregam outras vertentes do islamismo e ameaçam a permanência da maioria sunita no país. Em vista disso, considera-se que a retirada das tropas americanas do Afeganistão é reflexo das mudanças tanto no cenário internacional, quanto no contexto interno dos EUA e acarretará uma movimentação geopolítica na Ásia Central em busca de maior influência na região, corroborando c

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Publicado

2021-11-16

Como Citar

REFLEXÕES SOBRE OS POSSÍVEIS CENÁRIOS APÓS RETIRADA DAS TROPAS AMERICANAS DO AFEGANISTÃO. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 13, n. 2, 2021. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/110512. Acesso em: 1 maio. 2026.