OS DESAFIOS DO APRENDIZADO NO ENSINO SUPERIOR EM TEMPOS DE ENSINO REMOTO EMERGENCIAL
Palavras-chave:
ENSINO, REMOTO, EMERGENCIAL, PLATAFORMAS, DIGITAIS, EDUCAÇÃOResumo
O contexto pandêmico da COVID-19 ocorrido no mundo a partir de 2019, fez com que as diversas relações sociais fossem reinventadas e as instituições educacionais foram desafiadas a lidar com o ensino remoto, e que nos leva a refletir sobre os diversos aspectos que o Brasil enfrenta, devido a sua grande extensão territorial, a complexa diversidade econômica, educacional e social. As instituições educacionais foram colocadas à prova em um momento adverso, com uma nova realidade que se apresentava. Por este motivo, foi preciso compreender como fazer educação em meio ao distanciamento social e encarar o desafio de Ensino Remoto Emergencial (ERE). O presente trabalho busca problematizar as perspectivas dos desafios para a educação no período da pandemia, principalmente os impactos no ensino superior com o processo de implementação do ERE, e as dificuldades encontradas nesse processo. Para a realização deste trabalho utilizamos a metodologia de pesquisa qualitativa onde foi aplicado um questionário com os estudantes do Bacharelado Interdisciplinar em Ciência e Tecnologia (BICT), no qual participaram cerca de 35 estudantes ingressantes no ano de 2020. Um dos principais desafios foi o acesso às plataformas digitais, pois nem todos os estudantes possuíam um notebook ou PC para o ensino remoto, cerca de 40% dos estudantes acompanhava as aulas utilizando smartphone e 48,71% possuía notebook e apenas 11,29% dizia ter um PC. Outro resultados obtidos pela a mesma ferramenta de coleta de dados foi que poucos estudantes utilizam os canais institucionais de comunicação para se informar sobre as diversas demandas da universidade, 91,42% dos entrevistados relataram se informar principalmente pelo Whatsapp e 2,86% utiliza o Instagram como fonte principal de informação, e apenas 5,72% realmente utiliza os emails como canal de comunicação. Estes resultados colaboram para explicar a evasão recorrente dos estudantes do BICT. O percentual de estudantes que ingressaram no semestre 2020/01 e não fizeram matrícula no semestre 2021/01 foi de 59% na turma do período integral e 70% na turma do período noturno. Este trabalho demonstra que tanto a universidade como os estudantes não estavam preparados para o ensino remoto emergencial e que grandes desafios foram encontrados neste caminho. A comunicação é um fator importante para a permanência e também o desenvolvimento do estudante na universidade e talvez seja importante a universidade pensar em novas formas de se comunicar com sua comunidade acadêmica já que poucos estudantes de fato utilizam o email como um canal de informação e de dúvidas. Outra questão que devemos lembrar é que Paulo Freire (1987) defendia a ideia [...] ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para sua própria produção ou construção, onde esta metodologia pode favorecer o docente na tarefa de mediar o estudante no processo de construção do conhecimento sendo um processo de troca entre ambos. Dito isso, devemos refletir se um estudante que está acessando suas aulas e atividades remotas por meio de um smartphone, consegue de fato desempenhar o processo de ensino e aprendizagem. Quando um estudante não obtém um bom desempenho acadêmico, quando o mesmo passou cerca de 2 anos em um ambiente virtual, tendo como única forma de acesso às plataformas digitais o smartphone, nos faz pensar se de fato este estudante conseguiu absorver o mínimo necessário para prosseguir nos seus estudos com o mínimo de qualidade possível. É fundamental ter oportunidades iguais para todos os estudantes e o ensino presencial é importante principalmente para aqueles que não possuem condições adequadas para o ensino remoto.Downloads
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Publicado
2021-11-16
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
OS DESAFIOS DO APRENDIZADO NO ENSINO SUPERIOR EM TEMPOS DE ENSINO REMOTO EMERGENCIAL. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 13, n. 2, 2021. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/110464. Acesso em: 2 maio. 2026.