PROJETO DERMATOLOGIA: MEDICINA À FLOR DA PELE E SEUS RESULTADOS NA RELAÇÃO ACADÊMICO-COMUNIDADE
Palavras-chave:
Dermatologia, Neoplasias, Cutâneas, Promoção, Saúde, Prevenção, DoençasResumo
A pele - maior órgão do corpo humano - é responsável por delimitar e proteger o organismo, bem como interagir com o meio exterior. Assim como qualquer outro órgão, ela está suscetível a fenômenos patológicos que podem ocasionar alterações microscópicas, que serão representadas macroscopicamente pelas lesões elementares. Dentre as alterações do tipo proliferação, destacam-se as neoplasias. As neoplasias malignas representam uma doença complexa, em que fatores genéticos, como história familiar de câncer de pele e fototipos mais baixos, e ambientais, como exposição à radiação ultravioleta sem proteção adequada, parecem estar envolvidos na sua gênese. O câncer de pele pode ser classificado em: câncer de pele melanoma e câncer de pele não melanoma. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o melanoma é o tipo mais grave, posto que tem elevada possibilidade de provocar metástases; no entanto, se detectado nas fases iniciais, seu prognóstico é considerado bom. Já o tipo não melanoma é o mais frequente no Brasil aproximadamente 30% dos tumores malignos e é representado principalmente pelos carcinomas basocelular e espinocelular, que apresentam altos percentuais de cura. A partir dos dados explicitados, evidencia-se a importância de projetos de extensão que busquem incentivar a prevenção e promoção de saúde, além de possibilitar ao acadêmico um crescimento tanto no âmbito profissional, visto que há uma maior proximidade com doenças de alta prevalência, quanto no âmbito social, devido ao contato com a comunidade. O presente trabalho objetiva relatar a experiência vivenciada por meio do projeto de extensão Dermatologia: medicina à flor da pele, bem como divulgar algumas considerações a respeito de dados coletados ao longo do período de atividade. O projeto é constituído por atendimentos no ambulatório de dermatologia na Policlínica Municipal de Uruguaiana-RS, em que o acadêmico acompanha a médica dermatologista. Tais atendimentos ocorrem todas as quintas feiras nos turnos da manhã e/ou tarde e costumam contemplar uma média de 12 pacientes. Durante as consultas, são observadas características do paciente, tais quais cor da pele, cabelo e olhos, para classificá-lo entre os seis fototipos existentes (escala Fitzpatrick), além de anamnese (em que o paciente é questionado sobre histórico familiar de câncer de pele, sua exposição solar e uso de protetor solar) e exame físico das lesões. Todas essas informações são inseridas em uma tabela para análises posteriores. Caso o paciente apresente alguma lesão suspeita de malignidade, ele é orientado a comparecer à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do município de Uruguaiana, onde será realizada a exérese da lesão e encaminhamento para a biópsia. Os procedimentos na UPA ocorrem nas terças pela manhã e o acadêmico pode auxiliar na retirada dos tumores cutâneos. Importante destacar que em ambos os atendimentos, Policlínica e UPA, o paciente é informado sobre as medidas preventivas para o aparecimento do câncer de pele, tais quais evitar exposição solar em determinados horários e utilizar filtro solar diariamente. A realização do projeto traz benefícios não apenas para a população, que é o objeto das ações de prevenção e promoção, mas também para o acadêmico que está inserido na prática dermatológica, uma vez que o acompanhamento frequente das mais variadas lesões de pele auxilia no correto diagnóstico e tratamento. O reconhecimento de lesões suspeitas de malignidade é de extrema importância para um diagnóstico precoce e possível cura da doença, e, pelo fato de o câncer de pele não melanoma liderar a lista de tumores malignos mais frequentes no Brasil, todo médico deveria estar apto a realizar tal suspeição. Além do impacto e crescimento no âmbito profissional, o acadêmico desenvolve habilidades sociais significativas como uma melhoria no contato com a população e um olhar atento à comunidade. Em relação aos dados coletados durante as consultas, percebe-se uma associação entre o diagnóstico de neoplasia maligna cutânea, menores fototipos e história familiar, dado que todos os pacientes diagnosticados apresentavam fototipo menor ou igual a 3 e apenas 1 não relatou história familiar. Outro ponto digno de nota é o fato de que a grande maioria não tem o hábito de usar o protetor solar e acredita ser necessário fazer uso apenas ao se expor de forma recreativa. Em suma, tendo em vista a alta prevalência das neoplasias malignas cutâneas e a baixa adesão da população às medidas preventivas, percebe-se a importância da manutençao de projetos que objetivam a conscientização da população e que capacitam futuros médicos para a tomada de condutas adequadas.Downloads
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Publicado
2021-11-16
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
PROJETO DERMATOLOGIA: MEDICINA À FLOR DA PELE E SEUS RESULTADOS NA RELAÇÃO ACADÊMICO-COMUNIDADE. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 13, n. 2, 2021. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/110427. Acesso em: 30 abr. 2026.