NECESSIDADE DA ATUAÇÃO MULTIPROFISSIONAL NO TRABALHO DE PARTO: RELATO DE EXPERIÊNCIA

Autores

  • Lauren Pedroso Figur
  • Beatriz Pedroso Vercelhesi
  • Bruna de Macedo Pedroso
  • Silvana Scherer Carré
  • Fernanda Vargas Ferreira

Palavras-chave:

Trabalho, Parto, Promoção, Saúde, Equipe, Multiprofissional

Resumo

O trabalho de parto (TP) é um momento único na vida das mulheres em idade fértil, sendo necessária uma preparação adequada, juntamente com uma equipe multidisciplinar para que a chegada do bebê seja tranquila, proporcionando bem-estar ao recém-nascido e à parturiente / puérpera. Dessa forma, o estágio curricular permite aos enfermeiros e demais profissionais da saúde experienciar vivências voltadas ao TP no contexto das recomendações do Ministério da Saúde (MS) que preconiza humanização e cuidado integral. O TP, como um processo fisiológico, envolve aspectos multidimensionais, sendo a dor na parturição resultado de estímulos mecânicos (eg., contrações uterinas) e hormonais (eg., ocitocina), além de repercutir dimensões psicossociais e culturais. Dentre as recomendações do MS se citam os métodos não farmacológicos (MNFs) que primordialmente objetivam repercutir sobre a percepção dolorosa e diminuição da duração do TP, o que pode resultar em uma experiência humanizada, respeitosa e que priorize a autonomia da parturiente, propiciando conexão dela com seu próprio corpo e suas demandas. Nesse sentido, os MNFs devem ser ofertados de forma segura para o binômio mãe-bebê. Relatar a experiência no acompanhamento de uma parturiente durante o TP em um centro obstétrico e 48h de vivências no alojamento conjunto que é o local onde vão as puérperas e recém-nascidos com boa vitalidade. O estágio correspondeu à disciplina de Saúde da Mulher, no período de 29 de junho a 07 de julho de 2021, das 13h às 18h, sendo realizado no município de Itajaí, Santa Catarina. As docentes responsáveis se dirigiam ao local do estágio e realizavam a paramentação a fim de prevenir possíveis proliferações e infecções de novas bactérias e microorganismos. O centro contava com uma triagem a fim de que os profissionais coletassem os sinais vitais e a história ginecológica-obstétrica antes de serem encaminhadas ao centro obstétrico. As gestantes que apresentavam mais de 5 cm de dilatação e porcentagem adequada de contrações em determinado tempo, eram encaminhadas ao centro para realização do acompanhamento. O acompanhamento foi realizado com uma parturiente que apresentava 7 cm de dilatação, comprovado com o exame de toque, juntamente com a supervisão da equipe, que contava com médicos, enfermeiros e técnicos em enfermagem plantonistas. A parturiente foi acompanhada pelas acadêmicas do Curso de Enfermagem e uma enfermeira supervisora que realizava o exame físico para acompanhamento da dilatação cervical. As discentes utilizaram como MNFs banho com água morna e bola de parto. Concomitante ao acompanhamento, a enfermeira realizava ausculta dos batimentos cardíacos fetais (BCF) os quais devem, fisiologicamente, se situar entre 110 e 150 bpm e avaliava a duração, a ritmicidade e a frequência das contrações uterinas. A parturiente relatava estar com muita dor e por ser multigesta e ter tido uma experiência difícil no primeiro parto, solicitava a realização de cesárea. Às 18h a parturiente referiu estar com uma intensa dor, sendo sua dilatação entre de 8 a 9cm. Por questões médicas, a obstetra plantonista optou pela realização de cesárea, sendo interrompido o acompanhamento das discentes. Não houve intercorrências na realização da cesárea e o recém-nascido apresentou boa vitalidade. O cuidado em relação ao TP deve iniciar já no Pré-Natal através de estratégias de educação em saúde e de informações baseadas em evidências que propiciem maior empoderamento da mulher a fim de ocupar seu papel de protagonista. Nesse sentido, uma equipe multiprofissional (eg., enfermeiras, fisioterapeutas, psicólogas e médicas) que trabalhe sob o prisma da humanização e do acolhimento pode ser altamente impactante sobre o preparo da mulher para e no TP. Infelizmente, nem sempre o Pré-Natal se apresenta como um espaço que oportuniza esse aspecto educativo, entretanto, no TP/parto as orientações são fundamentais para que essa experiência transcorra de forma o mais segura possível e respeitando as preferências da parturiente. Adicionalmente, os MNFs devem ser oferecidos com base na segurança e no conhecimento da equipe, tendo-se em vista a liberdade de escolha da parturiente, já que, fisiologicamente, o TP/parto está em andamento; sendo assim, os profissionais de saúde devem compartilhar o momento. Outrossim, a participação do acompanhante também é importantíssima corroborando o direito da gestante/parturiente em ter uma parceria durante o processo de TP/parto, especialmente, na fase de dilatação. Cabe à equipe acolher e orientar a parceria para que haja tranquilidade e suporte emocional perante o TP/parto.

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Publicado

2021-11-16

Como Citar

NECESSIDADE DA ATUAÇÃO MULTIPROFISSIONAL NO TRABALHO DE PARTO: RELATO DE EXPERIÊNCIA. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 13, n. 2, 2021. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/110404. Acesso em: 2 maio. 2026.