ACOMPANHAMENTO DA CAPACIDADE FUNCIONAL DE INDIVÍDUOS INFECTADOS PELA COVID-19: A IMPORTANTE RELAÇÃO ENTRE UNIVERSIDADE E SOCIEDADE

Autores

  • Karolina Rodrigues Lopes
  • Marta Fioravanti Carpes

Palavras-chave:

Covid-19, Inclusão, social, Capacidade, Funcional

Resumo

A pandemia da nova Síndrome Respiratória Aguda Grave do coronavírus 2 (SARS-CoV-2) representa uma grande ameaça à saúde pública. Essa doença apresenta diferentes formas de manifestação, variando de assintomática até a forma mais grave, podendo necessitar de internação hospitalar e até mesmo cuidados intensivos. Durante esse processo, pode haver o comprometimento da capacidade funcional dos indivíduos infectados devido a restrição ao leito, o imobilismo e o longo período de internação em muitos casos. Além disso, há sequelas do período de internação que podem se perpetuar por muito tempo e pouco se é falado sobre esses comprometimentos. Nessa situação a Universidade mostra-se essencial, pois tem como uma de suas principais missões a inserção da sociedade em suas atividades, respondendo às demandas sociais. Como instituição, diante de uma pandemia global, mesmo obedecendo ao distanciamento social e às medidas de segurança, trabalhamos, pensamos e executamos medidas importantes para o combate à pandemia da Covid-19, tal como suas possíveis complicações. A exemplo disso, esse estudo tem por objetivo refletir sobre parte dos achados do projeto de extensão: Covid-19 e seus efeitos tardios: conexão entre Universidade e Sociedade na formação de rede de identificação e apoio aos convalescentes, mais especificamente, a capacidade funcional pacientes infectados por Covid-19 e que passaram pela internação hospitalar no Hospital Santa Casa de Uruguaiana. Através da primeira avaliação, realizada de forma presencial no Hospital Santa Casa de Uruguaiana, os pacientes foram selecionados em diferentes grupos funcionais, variando de 1 a 4, correspondendo aos maiores números, as maiores limitações funcionais. Dessa forma, 32 indivíduos apresentaram um maior grau de dependência funcional, variando de semi-dependentes a dependentes e, desses, 16 pacientes foram reavaliados 60 dias após a primeira avaliação através de ligação telefônica, a qual também permitiu a aplicação dos instrumentos selecionados para o estudo, com o intuito de acompanhar a progressão do quadro funcional. A metodologia de avaliação para identificar o grau de dependência funcional foi realizada através do Índice de Barthel (IB) que considera a dependência perante diversas atividades de vida diária (AVDs) e a Escala de Estado Funcional para Unidade de Terapia Intensiva (FSS-UTI), que por mais que seja específica ao ambiente da UTI, permite com que seja utilizada no ambiente clínico, analisando da mesma forma a funcionalidade do avaliado. A Modified medical research council (mMRC) foi instalada para mensurar a sensação de dispneia relatada pelo paciente e por fim, a Escala de Estado Funcional Pós Covid-19 (PCFS) que é uma escala específica a esse público que visa identificar diferentes pontos referentes ao período em que o indivíduo esteve infectado, o quanto isso influenciou em sua vida e o quanto interfere nas AVDs. Esses instrumentos permitiram com que tivéssemos uma visão de como estavam os pacientes que receberam alta hospitalar após internação por Covid-19. Um dos principais fatores analisados foi que após 60 dias da primeira avaliação, 85,71% e 71,42% dos pacientes estavam completamente independentes, mensurado pelo FSS-UTI e pelo IB, respectivamente. Aqueles que seguiram apresentando alguma limitação funcional, 35,71% dos avaliados, são os mesmos que apresentaram os maiores valores na PCFS. Mesmo que tenhamos encontrado que grande parte dos indivíduos eram independentes funcionalmente, quando estes foram especificamente avaliados por um instrumento de covid eles apresentavam um grau de dependência maior do que previamente a doença e, dessa forma, 64,28% dos avaliados relataram diferentes graus de dispneia, indo de desconfortos leves a graves, podendo em algum momento limitar as atividades de vida diária desses indivíduos, sendo dois encaminhados à reabilitação. Ademais, durante o período de acompanhamento, uma das participantes apresentou complicações no quadro, necessitando de internação hospitalar e outro participante evoluiu a óbito. O acompanhamento dessa população permitiu verificar que mesmo após um tempo razoável de alta hospitalar, há limitações físicas, mentais e funcionais. Ademais, o método de avaliação adotado, por ligação telefônica, permitiu com que as avaliações fossem feitas sem que ocorresse o deslocamento de nenhuma das partes. Em contrapartida, encontramos algumas barreiras quanto ao método, alguns contatos não correspondiam ao indivíduo a ser avaliado, bem como alguns números não foram possíveis de contatar e por vezes não conseguimos concluir a ligação, o que acarretou na redução do número de pacientes que foram reavaliados. Independente disso, foi possível analisar a importância de acompanharmos esse público e atentarmos às possíveis complicações que podem surgir após a alta hospitalar, bem como o grau de comprometimento funcional, seja ele envolvendo questões do sistema muscular esquelético ou respiratório.

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Publicado

2021-11-16

Como Citar

ACOMPANHAMENTO DA CAPACIDADE FUNCIONAL DE INDIVÍDUOS INFECTADOS PELA COVID-19: A IMPORTANTE RELAÇÃO ENTRE UNIVERSIDADE E SOCIEDADE. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 13, n. 2, 2021. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/110357. Acesso em: 30 abr. 2026.