REABILITAÇÃO PÓS-COVID: IMPACTO DA EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA NA REDUÇÃO DAS DESIGUALDADES EM SAÚDE

Autores

  • Victoria Avila Martini
  • Luiza Freitas Lopes
  • Rudimar Sodré Alves
  • Patrícia Medeiros Schmidt
  • Rafael Tamborena Malheiros
  • Marta Fioravanti Carpes

Palavras-chave:

Reabilitação, pós, covid, Pacientes, Fisioterapia

Resumo

A pandemia imposta pelo novo coronavírus (SARS-Cov2) causador da Covid-19 trouxe preocupações principalmente no âmbito da saúde, dada a alta taxa de contágio e as variadas complicações decorrentes desta doença. Inúmeras instituições, entre elas as Universidades, reuniram esforços para compreender a ação do SARS-Cov2, desde a sua virulência até as sequelas persistentes. A indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão mostrou ser uma necessidade e a comunidade acadêmica mais uma vez saiu de seus muros para produzir e democratizar o conhecimento, reduzindo desigualdades, no caso, as de acesso à saúde de qualidade e gratuita. Dentre estas complicações, a fraqueza muscular adquirida na internação têm um importante papel no dano neuromuscular, favorecendo outros agravantes clínicos como a permanência na ventilação mecânica e o aumento do tempo de internação, contribuindo para o desenvolvimento de limitações físicas significativas decorrentes da miopatia e da polineuropatia, que podem persistir mesmo após a alta hospitalar. Dessa forma, a fisioterapia atua no período hospitalar, a fim de minimizar tais comprometimentos e no período de alta, com o objetivo de retomar as atividades de vida diária (AVDs) e melhorar a qualidade de vida destes pacientes. O objetivo deste estudo é descrever as limitações funcionais, propostas terapêuticas e dificuldades encontradas no atendimento ambulatorial fisioterapêutico de pacientes com síndrome pós covid. Trata-se de um estudo de cunho descritivo quali-quantitativo vinculado ao Estágio Supervisionado em Fisioterapia Hospitalar e Ambulatorial do Curso de graduação em Fisioterapia e Residência em Urgência e Emergência da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), a partir de um projeto de extensão vinculado ao Hospital Santa Casa de Caridade de Uruguaiana (HSCU). Durante o período de internação os pacientes com maiores limitações funcionais, após o período de transmissão da doença, eram atendidos pelos acadêmicos do Estágio Supervisionado, sendo que, próximo a alta hospitalar, aqueles que não tinham condições de arcar com os custos de um atendimento particular ou não tinham acesso a um serviço de reabilitação da rede de saúde eram convidados a participar do atendimento ambulatorial atrelado ao projeto de extensão. Desde o início dos atendimentos em reabilitação pós covid em abril do presente ano, até o momento, foram atendidos 28 pacientes, sendo 17 homens (55,9 ± 11,3 anos) e 11 mulheres (48,4 ± 16,5 anos), com idades entre 32 e 88 anos. A partir das avaliações realizadas foi possível evidenciar entre os principais déficits encontrados: fraqueza muscular periférica; redução da capacidade física, e limitação para realização de AVDs, sendo que os indivíduos não apresentavam doenças ou limitações prévias; dependência funcional moderada a grave e presença de lesões por pressão oriundas do longo período de internação. Das intervenções fisioterapêuticas realizadas, destacam-se o treino aeróbio e resistido, com o objetivo de restabelecer o condicionamento cardiorrespiratório e promover a reinserção destes pacientes no seu contexto prévio à internação. Alguns agravantes ao processo terapêutico foram encontrados, como: presença de fraqueza muscular grave de tibial anterior em quatro pacientes, achado esse que necessita estudos mais aprofundados; permanência de sequelas pulmonares que ocasionaram alterações nas trocas gasosas e exigiam aporte de oxigênio durante os atendimentos de dois pacientes; presença de estridor inspiratório em três participantes, que sugere um grau de obstrução de vias aéreas extratorácicas e alterações dos níveis pressóricos durante a reabilitação. Nessas duas situações os pacientes foram encaminhados para acompanhamento médico e ajuste das medicações. É importante salientar que apenas um paciente, por iniciativa própria, realizava acompanhamento médico regular, os demais receberam relatório das sessões de fisioterapia e foram estimulados a consultar na Estratégia de Saúde da Família próxima a sua residência a fim de acompanhamento do quadro clínico. Dentre as barreiras encontradas para a realização dos atendimentos destacamos a dificuldade de deslocamento até o ambulatório do HSCU, por questões financeiras dos pacientes. A maioria dos pacientes atendidos restabeleceu suas AVDs ou ainda possuem leves dificuldades para a realização destas. Com isso, concluímos que, os atendimentos fisioterapêuticos ambulatoriais realizados aos pacientes pós covid foram de suma importância para o restabelecimento de sua independência, reduzindo complicações decorrentes da doença e proporcionando uma melhor qualidade de vida e saúde daqueles que abrangeu. Conclui-se também que, apesar de não ser fundamento da extensão universitária a assistência, essa deve estar atenta às necessidades da população e da comunidade acadêmica, sair de seus muros e dar significado à formação.

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Publicado

2021-11-16

Como Citar

REABILITAÇÃO PÓS-COVID: IMPACTO DA EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA NA REDUÇÃO DAS DESIGUALDADES EM SAÚDE. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 13, n. 2, 2021. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/110350. Acesso em: 30 abr. 2026.