COMPARAÇÃO ENTRE A MORTALIDADE E A SOBREVIDA NAS UNIDADES DE TERAPIA INTENSIVA DURANTE A PANDEMIA DA COVID-19

Autores

  • Pietra de Vargas Minuzzi
  • Guilherme de Freitas Teodósio
  • Marta Fioravanti Carpes
  • Vanusa Manfredini
  • Rafael Tamborena Malheiros

Palavras-chave:

Covid-19, Unidade, Terapia, Intensiva, Mortalidade

Resumo

A Unidade de Terapia Intensiva (UTI) é um ambiente caracterizado pela gravidade e complexidade do quadro clínico do paciente e por vezes associada a uma alta taxa de mortalidade. Em 2019, uma infecção viral causada por uma nova cepa de coronavírus, conhecida como Síndrome Respiratória Aguda Grave Coronavírus-2 (SARS-CoV-2), comumente referenciada como Covid-19, causou um grande impacto na saúde pública e devido a sua rápida transmissão, gerou uma pandemia em poucos meses. A abrupta disseminação viral causou um colapso nos sistemas de saúde, ocorrendo principalmente pela alta demanda por serviços de UTI e a sobrecarga dessas unidades em todo o mundo. Durante esse período, a mortalidade foi o grande foco, entretanto não está clara a relação entre a mortalidade e a sobrevida dos pacientes internados em uma UTI Covid quando comparado àqueles internados em uma UTI geral. Sendo assim, o objetivo desse estudo foi realizar uma comparação entre a mortalidade e sobrevida nas \Unidades de Terapia Intensiva durante a pandemia da Covid-19 no Hospital da Santa Casa de Uruguaiana. Os dados abaixo apresentados fazem parte de um estudo piloto e foram coletados no período de 13 de julho a 16 de setembro de 2021, nas UTIs Covid e Adulto do Hospital Santa Casa de Uruguaiana-RS. O presente estudo está aprovado pelo Sistema de Informações de Projetos de Pesquisa, Ensino e Extensão da UNIPAMPA, sob o número 10.036.21. Trata-se de um estudo retrospectivo, no qual foram avaliados 28 participantes entre a UTI Covid (13) e a UTI Adulto (15), sendo principalmente analisados os índices de mortalidade e de sobrevida desses indivíduos. Os principais métodos de avaliação da predição da mortalidade foram às escalas Simplified Acute Physiology Score (SAPS II) e Acute Physiology and Chronic Health Evaluation (APACHE II), bem como a Sequential Organ Failure Assessment (SOFA) que prediz a mesma através da identificação de disfunções orgânicas que o indivíduo pode desenvolver durante a internação. Além do mais, a Confusion Assessment Method for the ICU (CAM-ICU) foi utilizada a fim de detectar o delirium nesses pacientes, uma vez que esse fator apresenta grande relação com a mortalidade, conforme sugerem os estudos na área. É conhecido que quanto maior o tempo de internação na UTI, maior a probabilidade de um desfecho desfavorável. Nesse estudo, o tempo médio de internação foi de 12 e 7,6 dias, na UTI Covid e Adulto, respectivamente e a taxa de óbito foi de 30,76% e 40%, seguindo a mesma ordem anterior. Através das escalas preditoras, quando analisados os indivíduos que evoluíram a óbito, internados na UTI Covid, a última avaliação pelas escalas SAPS II, APACHE II e SOFA mostrou uma variação dos escores entre 61,9 a 91,2%, 24 a 73% e 33,3 a 95,2%, respectivamente, sendo que quanto maior a porcentagem, maior o risco de mortalidade. Ademais, para as mesmas escalas, pacientes internados na UTI Adulto, apresentaram variação de 70 a 95,4%, 40 a 73% e 20,2 a 95,2%, pela SAPS II, APACHE II e SOFA, nessa ordem. Em ambas as unidades, as escalas foram capazes de predizer de forma eficaz a mortalidade dos pacientes avaliados e todos eles apresentavam delirium no mesmo momento da avaliação, verificado através da CAM-ICU, corroborando ao desfecho desses pacientes. Embora haja grande relação entre o tempo de internação e o risco de morte, houveram óbitos com menos de 7 dias de internação em ambas as UTIs e foi possível analisar que em ambos os casos, pelo menos uma escala conseguiu predizer o evento. Isso mostra a importância da analisarmos diferentes variáveis e não nos atermos apenas a uma. Por maior que fosse a influencia e a ênfase no grande número de óbitos fortemente relatado durante a pandemia, ao compararmos os dados, foi possível analisar que houve uma maior taxa de sobrevida do que de mortalidade na UTI Covid (69,24%). Além disso, o estudo mostra que a mortalidade na UTI Covid foi menor do que na UTI Adulto do Hospital Santa Casa de Uruguaiana. O estudo apresenta limitações devido ao curto período de avaliação e por isso, torna-se inviável generalizar esse dado, sendo sugerido que haja um estudo analisando e comparando esses fatores desde o início da pandemia até os dias atuais. Mesmo assim, um aumento na mortalidade dos indivíduos internados na UTI Adulto pode ser justificado por haver uma grande diversidade quanto ao quadro clínico geral dos pacientes envolvidos na amostra, uma vez que esses foram de baixo risco de óbito, estando em observação pós procedimento cirúrgico, até pacientes de alto risco, com diagnóstico de sepse e choque séptico, demonstrando a grande diversidade quanto ao motivo da internação na unidade.

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Publicado

2021-11-16

Como Citar

COMPARAÇÃO ENTRE A MORTALIDADE E A SOBREVIDA NAS UNIDADES DE TERAPIA INTENSIVA DURANTE A PANDEMIA DA COVID-19. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 13, n. 2, 2021. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/110346. Acesso em: 1 maio. 2026.