LAMINECTOMIA DORSAL MODIFICADA ASSOCIADA A DISCECTOMIA COMO ALTERNATIVA TERAPÊUTICA PARA SÍNDROME DA CAUDA EQUINA EM CÃO: RELATO DE CASO

Autores

  • Maria Eduarda Rodrigues Costa
  • Aline de Moura Jacques
  • Sandy Liara Primaz
  • Leticia Guilhermina dos Reis Butarello
  • Matheus Borges Rodrigues dos Santos
  • Diego Vilibaldo Beckmann

Palavras-chave:

síndrome, cauda, equina, neurocirurgia, descompressão

Resumo

A síndrome da cauda equina é uma enfermidade neurológica causada por estenose congênita (rara) ou adquirida do canal vertebral lombossacro, relacionada à compressão das raízes nervosas das vértebras L6-L7 ou L7-S1. Em cães, acomete majoritariamente raças de grande porte e, de acordo com os sinais clínicos apresentados pelo animal, a intervenção terapêutica pode ser conservadora, cirúrgica e/ou alternativa. Uma das abordagens cirúrgicas é a laminectomia dorsal, a qual pode ser classificada em: Funkquist A, Funkquist B e laminectomia dorsal modificada (LDM). Assim, o presente relato tem por objetivo descrever um caso de laminectomia dorsal modificada associada a discectomia em labrador com síndrome da cauda equina. Foi atendido no serviço de neurologia e neurocirurgia veterinária do Hospital Veterinário da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA, campus Uruguaiana) um canino, macho, da raça Labrador, de 10 anos, com queixa de dor. Ao exame neurológico, constatou-se hiperestesia em região lombossacra, paresia acentuada de membro pélvico, hiperreflexia patelar e diminuição do reflexo de retirada sendo que todos os sinais eram consistentes com lesão na medula espinhal no segmento de L4-S3. Por conseguinte, suspeitou-se de estenose lombossacra, discoespondilite, mielopatia degenerativa ou alteração ortopédica. Para auxílio diagnóstico, o paciente foi anestesiado e submetido a exame radiográfico simples da coluna vertebral lombar, no qual observou-se formação de entesófitos ventrais em L1-L2, L2-L3, L3-L4, L6-L7 e L7-S1 e diminuição da radiopacidade em vértebras sacrais. Na sequência, realizou-se exame radiográfico contrastado (mielografia), o qual revelou parada abrupta do contraste entre L7-S1. Desse modo, as imagens foram sugestivas de compressão da cauda equina entre as vértebras L7-S1. Optou-se pela realização de tratamento cirúrgico através de laminectomia dorsal modificada, a fim de possibilitar descompressão das raízes nervosas formadoras da cauda equina. Realizou-se tricotomia e, com o paciente posicionado em decúbito esternal e com os membros pélvicos direcionados cranialmente, foi realizada antissepsia prévia do sítio cirúrgico utilizando clorexidina solução degermante e clorexidina solução alcoólica. Incisou-se pele e subcutâneo paramediano esquerdo à linha média dorsal do processo espinhoso de L5 até a base da cauda, utilizando as cristas ilíacas e o processo espinhoso dorsal de L6 como referência anatômica. A gordura foi divulsionada a fim de expor a fáscia lombodorsal. Uma vez a fáscia exposta, esta foi incisada em torno dos processos espinhais de L7-S1. Os músculos paralombares foram elevados para expor a lâmina dorsal de L7 e o sacro. Após, foram removidos os processos espinhosos dorsais e a lâmina, preservando o processo articular cranial. Após, realizou-se o desgaste ósseo até a cortical interna ter sua espessura diminuída e estar apta a remoção. Então, afastou-se a cauda equina para inspeção das bordas do defeito da laminectomia e verificou-se elevação do disco intervertebral tornando necessária a realização da discectomia. Assim, associou-se à técnica cirúrgica, discectomia entre L7-S1. Posteriormente, realizou-se a síntese das estruturas (fáscia, subcutâneo e pele) de forma rotineira. O animal ficou internado e, após 2 dias, recebeu alta hospitalar. A terapia pós operatória consistiu em meloxicam (0,1mg/kg; SC; TID), dipirona (25mg/kg; SC; TID) e tramadol (2mg/kg; IV; TID). O mesmo apresentou recuperação progressiva, ao 2º dia de pós operatório não apresentava hiperestesia e estava deambulando sem dificuldade. Recebeu alta médica aos 14 dias de pós operatório. O tratamento da síndrome da cauda equina é baseado nos sinais clínicos, idade do paciente e presença de doenças concomitantes. Em pacientes idosos com outras condições concomitantes, o tratamento conservativo apresenta resultados satisfatórios. Já em pacientes com déficits neurológicos ou dor refratária ao tratamento conservativo, a cirurgia é a opção terapêutica de eleição. Entre as opções cirúrgicas, há a LDM, técnica com abordagem menos invasiva, no intuito de diminuir a possibilidade de fibrose compressiva . Tal técnica pode ser associada à facetectomia e/ou foraminotomia quando, sozinha, não realiza completa descompressão ventral, bem como discectomia quando há envolvimento de disco intervertebral. Ainda que idoso, o paciente em questão não cursava com alterações sistêmicas ou ortopédicas, de modo que não houveram complicações pós-operatórias e a melhora foi progressiva. Com intervenção cirúrgica, o prognóstico da condição é favorável e o percentual de recidivas relatas é pequeno, ocorrendo principalmente em cães muito ativos. Assim, pode-se concluir que a laminectomia dorsal associada à discectomia foi efetiva como alternativa terapêutica para correção da síndrome da cauda equina.

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Publicado

2021-11-16

Como Citar

LAMINECTOMIA DORSAL MODIFICADA ASSOCIADA A DISCECTOMIA COMO ALTERNATIVA TERAPÊUTICA PARA SÍNDROME DA CAUDA EQUINA EM CÃO: RELATO DE CASO. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 13, n. 2, 2021. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/110321. Acesso em: 13 maio. 2026.