ATROPELAMENTO DE ANIMAIS GERANDO LESÃO MEDULAR

Autores

  • Vitoria de Oliveira Rodrigues
  • Matheus Borges Rodrigues Santos
  • Aline de Moura Jacques
  • Sandy Liara Primaz
  • Natalia Horstmann Risso
  • Diego Vilibaldo Beckmann

Palavras-chave:

Atropelamento, Cães, gatos, Trauma, Radiografia, Medula, espinhal

Resumo

No Brasil estima-se que existam cerca de 20 milhões de cães e 10 milhões de gatos abandonados, esses animais são os mais propensos a atropelamentos nas vias urbanas, seguido de animais domiciliados que possuem livre acesso à rua e animais que passeiam sem coleira mesmo com seus tutores. Sabe-se também que mais de 2 milhões de animais silvestres morrem anualmente em decorrência de acidentes automobilísticos em rodovias, causando um imenso prejuízo à fauna. Esses acidentes podem gerar nos animais desde arranhões, fraturas, hemorragias e até mesmo a morte dependendo da intensidade do choque. Podendo ocasionar ferimentos ao motorista, causar novos acidentes e atrair animais carnívoros caso ocorra morte e a carcaça permaneça no local. Atualmente dentro da legislação brasileira não há nenhuma lei específica relacionando animais, prestação de socorro e atropelamento, embora esse tipo de acidente possa se encaixar em maus tratos à animais, é frequente a omissão de socorro e ausência de penalização para os condutores, o que gera cada vez mais animais debilitados nas ruas. Para os animais silvestres existem aplicativos onde os cidadãos podem registrar os casos de atropelamentos que encontrarem e esses dados são usados para planejar medidas de conservação, vias de passagem segura e quantificar o número de animais acidentados. Além da morte uma das consequências mais severas que podem ser geradas para o animal é o trauma na medula espinhal, o qual pode acarretar disfunção neurológica, problemas de locomoção, impedir funções fisiológicas e afetar a vitalidade do mesmo. O objetivo deste relato é evidenciar a severidade de sequelas que acidentes automobilísticos promovem e proporcionar conscientização para que o índice reduza. Devido à importância desta condição em cães e gatos, realizou-se um estudo retrospectivo dos registros de animais que apresentavam histórico de trauma automobilístico e que foram atendidos no Hospital Universitário Veterinário da UNIPAMPA Uruguaiana durante o período de 2016 a 2019. Nesse intervalo de tempo, selecionou-se cinco animais atropelados, abrangendo cães e gatos, os quais apresentavam fichas clínicas completas juntamente com seus exames de imagem auxiliares ao diagnóstico. Em todos estes animais foram realizados exames radiográficos da coluna vertebral nas projeções ventro-dorsal e latero-lateral, sendo 1 animais da região lombar e 4 animais da região toracolombar. Os achados encontrados nestas imagens radiográficas foram de lesões nas vértebras, incluindo desvio cranial ventral da L6, luxação de L4 e L5, fratura do corpo vertebral de L4 com presença de fragmentos ósseos dentro do canal vertebral, fratura simples completa de 3 costelas, fratura em processo espinhoso e articular de T11 e redução do espaço intervertebral entre T13 e L1. A consequência desses achados foi o comprometimento da medula espinhal destes animais, resultando em paraplegia em todos os casos e atonia vesical em dois. O tratamento clínico conservativo foi a escolha para três desses animais, o tratamento cirúrgico com estabilização das vértebras foi a escolha para um deles e a eutanásia foi a escolha para o outro. A possibilidade de sequelas pós atropelamento é altíssima e considerando que cuidados especiais deverão ser despendidos para manter a qualidade de vida dos animais, torna-se então em um complicador para um país no qual já existem animais abandonados em demasia. Dessa maneira conclui-se que é necessário maior atenção para os casos de atropelamento de animais principalmente porque são vidas que devem ser respeitadas. Para isso algumas medidas podem ser tomadas como inserção de placas alertando aos motoristas sobre cuidado com animais nas vias, os tutores devem restringir seus animais não permitindo o livre acesso à rua sem supervisão, incentivar o uso de guias e coleiras mesmo em animais ambientados a passear soltos e devem ser realizadas medidas de conscientização sobre animais abandonados e os riscos que correm. Ainda uma opção viável é efetivar medidas de políticas públicas para reduzir o número de animais abandonados pelas ruas, responsabilizar pessoas que abandonem seus animais e aos tutores que permitem que seus animais andem sem supervisão e causem acidentes, visando assim reduzir o índice de acidentes automobilísticos com animais e mortes decorrentes.

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Publicado

2021-11-16

Como Citar

ATROPELAMENTO DE ANIMAIS GERANDO LESÃO MEDULAR. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 13, n. 2, 2021. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/110320. Acesso em: 1 maio. 2026.