RETALHO AXIAL DA ARTÉRIA GENICULAR PARA RECONSTRUÇÃO APÓS CIRURGIA ONCOLÓGICA
Palavras-chave:
Cirurgia, reconstrutiva, oncologia, padrão, axialResumo
O hemangiopericitoma é uma neoplasia mesenquimal maligna que necessita ressecção com ampla margem de segurança, gerando defeitos que dificultam a dermorrafia após sua excisão. Nesse sentido, o presente relato tem como objetivo descrever a técnica reconstrutiva após exérese tumoral em paciente canino, da raça Pastor Malinois de 7 anos. O animal apresentava aumento de volume superficial, bem delimitado, aderido e não ulcerado de aproximadamente 4x3cm em região lateral proximal da perna direita. A massa foi submetida à citologia aspirativa, inconclusiva, com indicação de análise histopatológica. Ao exame físico, o paciente se encontrava dentro dos parâmetros fisiológicos e notou-se ausência de dor na região afetada. Optou-se por realizar exérese completa, com margem de segurança ampla, uma vez que não se tinha suspeita citológica da origem neoplásica. Para reconstrução foi utilizado retalho em padrão axial da artéria genicular. A medicação pré-anestésica consistiu em dexmedetomidina (3 mcg/kg), meperidina (3 mg/kg) e cetamina (1 mg/kg) via intramuscular, indução com propofol (4 mg/kg) via intravenosa e manutenção com isofluorano (via inalatória), além de bloqueio infiltrativo da região com lidocaína. Em decúbito lateral, realizou-se antissepsia com clorexidina degermante de 2% e alcoólica de 0,5%, em sequência à ampla tricotomia. Após posicionamento estéril dos campos, foram demarcadas as bordas do tumor com o auxílio de caneta dermográfica estéril, bem como sua margem de segurança de 3 cm nas direções cranial, caudal, proximal e distal e o mesmo foi resseccionado, com margem profunda de um plano (fáscia crural). Na sequência, o retalho foi delimitado com as seguintes margens: linha proximal partindo aproximadamente a 1 cm proximal a borda proximal da patela; linha distal iniciando 1,5 cm distal à tuberosidade da tíbia. Ambas linhas convergindo até a altura do trocânter maior de modo com que a base do retalho (região do joelho) foi mantida mais larga do que a extremidade proximal. A pele foi incisada seguindo a pré-delimitação e, com o auxílio de suturas de arrimo, realizou-se divulsão do tecido a fim de possibilitar a mobilização distal do retalho até o leito receptor. A fixação do retalho deu-se em padrão isolado simples subcutâneo sepultado com polidioxanona 2-0 em locais estratégicos para o posicionamento do retalho, o restante do subcutâneo foi reduzido em padrão zigue-zague com poliglecaprone 3-0 e a pele suturada em padrão isolado simples com polipropileno 3-0. Após fixação do retalho, notou-se demasiada tensão e decidiu-se pela realização de incisões de alívio de tensão nas suas regiões cranial e caudal. A terapia medicamentosa pós-operatória consistiu em dipirona (25 mg/kg/TID/5 dias), tramadol (2 mg/kg/BID/3 dias), meloxicam (0,1 mg/kg/SID/4 dias) e cefalexina (30 mg/kg/BID/7 dias). Os cuidados com a ferida operatória consistiram na limpeza da mesma com solução fisiológica 0,9% e troca do curativo 2 vezes ao dia, com aplicação de pomada à base de polissulfato de mucopolissacarídeo sobre o retalho, a fim de evitar possível formação de hematomas e auxiliar no fluxo sanguíneo do retalho. Além disso, o membro foi mantido com bandagem compressiva por 7 dias, em decorrência do espaço morto gerado pela exérese tumoral. A análise histopatológica diagnosticou hemangiopericitoma de grau 2 e atestou margens laterais e profunda livres de células neoplásicas. O paciente apresentou boa resposta de cicatrização, não sendo encontradas demais intercorrências no pós-operatório e a sutura de pele foi removida ao 10º dia. Conclui-se, portanto, que a técnica utilizada foi eficaz na reconstrução pós exérese tumoral com margens livres. Ainda, destaca-se a importância de conhecimento prévio de anatomia e adequado planejamento cirúrgico para possibilitar reconstruções bem sucedidas, bem como a realização de exame histopatológico para estabelecimento da eficácia da técnica cirúrgica adotada e acompanhamento adequado do paciente.Downloads
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Publicado
2021-11-16
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
RETALHO AXIAL DA ARTÉRIA GENICULAR PARA RECONSTRUÇÃO APÓS CIRURGIA ONCOLÓGICA. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 13, n. 2, 2021. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/110319. Acesso em: 1 maio. 2026.