AFRONTEIRAS NEGRAS UNIPAMPA: DESAFIOS E CONQUISTAS EM TEMPOS DE COVID-19
Palavras-chave:
Palavras-chave, Intelectuais, Negras, AFROnteiras, Pós-graduaçãoResumo
O presente trabalho tem como objeto de estudo o Grupo de Estudos e Pesquisas AFROnteiras Negras Unipampa, é um grupo de estudos que está na fronteira, que afronta e que ultrapassa as fronteiras. Idealizado no ano de 2017 e coordenado pela Professora Doutora Giane Vargas, da Universidade Federal do Pampa, campus Jaguarão/RS. Esse projeto nasce da necessidade de pesquisar e estudar sobre temas que afetam mulheres negras dentro e fora das universidades, pois a academia naturalizou mulheres negras como um objeto de estudo e não como sujeitas da pesquisa. Levando em consideração que as mulheres negras são as mais prejudicadas na sociedade e que cada uma tem a sua história, o grupo tem como centralidade se apropriar dos conceitos forjados por intelectuais negras brasileiras, estadunidenses, latinas, ocorrendo em encontros presenciais quinzenalmente com mulheres negras e não negras graduandas, graduadas e do ensino básico. O objetivo principal deste trabalho é relatar as conquistas e os desafios enfrentados pelo Grupo no período da COVID-19 e ressaltar que foi necessário se reconfigurar, tendo em vista as demandas que vieram com o ensino remoto e que, mesmo nos momentos difíceis, o Grupo permaneceu unido, se ressignificou no ano de dois mil e vinte com a pandemia fazendo com que os encontros acontecessem de forma virtual, viabilizando o acesso de pesquisadoras de países como o Uruguai e Portugal pudessem participar. Visando também olhar o espaço de mulheres negras na sociedade contemporânea e sua inserção no mercado de trabalho educacional e suas dificuldades na realização de diversos conteúdos relacionados à cultura negra em instituições de ensino. O grupo também instrumentalizou e possibilitou a entrada de mulheres negras na pós-graduação, uma conquista coletiva. Um espaço que ainda é difícil encontrar um maior número de mulheres negras doutoras, o grupo de estudos instrumentalizou que seja possível as pesquisadoras a ingressarem em espaços que sempre foram negados à população negra. O grupo de estudos é um espaço no qual as mulheres negras se sentem acolhidas e que, além de estudar sobre a temáticas, elas podem compartilhar as suas dores e alegrias. É de suma importância que o projeto de ensino sirva como um modelo para que outras instituições se inspirem nesses espaços seguros e confortáveis para mulheres negras em sua trajetória acadêmica e pós-acadêmica. A metodologia usada para a elaboração deste trabalho foi através de pesquisas e questionários às participantes sobre a importância do grupo dentro da universidade, foi questionado a cada integrante do projeto a importância do grupo AFROnteiras, tendo um retorno positivo de cada uma delas e de como após a entrada no grupo, melhorou a percepção de se reconhecer como uma mulher negra intelectual pesquisadora acadêmica. A pesquisa alia-se às ideias sobre a importância de colocar a mulher negra como sujeito da sua própria história. Ressaltando a importância do lugar de fala, operacionalizando categorias teóricas como racismo, sexismo e desigualdade no Brasil nos, para abordar racismo estrutural e institucional. As mulheres negras estão na base da pirâmide social em termos de desigualdades de todas as ordens. Este estudo demonstra que nós mulheres negras podemos e devemos estar em todos os espaços e a importância da existência de Projetos de Ensino como AFROnteiras dentro das Universidades para que outras intelectuais negras possam se sentirem acolhidas e se fortalecerem para seguirem nas suas graduações e pós-graduação, com vistas a ampliar a presença ainda muito baixa de docentes negras no ensino superior.Downloads
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Publicado
2021-11-16
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
AFRONTEIRAS NEGRAS UNIPAMPA: DESAFIOS E CONQUISTAS EM TEMPOS DE COVID-19. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 13, n. 1, 2021. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/110261. Acesso em: 13 abr. 2026.