JÁ CANTOU PARA UMA CRIANÇA HOJE? AS OUTRAS LINGUAGENS NA RELAÇÃO CRIANÇAS-ESCOLA

Autores

  • Tamara Insauriaga Bueno
  • Alessandra Londero Almeida
  • Juliana Marques de Farias
  • Larissa Soares Priebe
  • Tatiane Mena Silveira Melgares
  • Maiane Liana Hatschbach Ourique

Palavras-chave:

Música, Educação, Infantil, Pandemia

Resumo

O presente resumo, assim como seu título, tem como objetivo principal repercutir o debate sobre o uso de outras linguagens nas e pelas Escolas Municipais de Educação Infantil (EMEIs) durante a pandemia de Covid-19, com foco na música. Nossa discussão é construída a partir das publicações que foram feitas por três escolas do município de Pelotas/RS. Nesse cenário, lançando mão de uma abordagem fenomenológico-hermenêutica, temos como problemática a seguinte questão: como se deu o trabalho das escolas de Educação Infantil com a linguagem da música durante a pandemia? Na busca por entender os desdobramentos da linguagem musical nesse momento, focamos nossa pesquisa nas linhas do tempo, da rede social Facebook, de três EMEIs. Esse recorte deve-se ao fato de as referidas instituições terem adotado o Facebook como principal forma de manter contato com suas respectivas comunidades escolares, ou seja, a maioria das atividades feitas pelas professoras entre o mês de março e outubro do ano de 2020 - período referente ao início do isolamento social e da implementação das atividades à distância para Educação Infantil - foram publicadas nos perfis dessas escolas, bem como mensagens para pais e responsáveis, avisos, publicações referentes a datas comemorativas e também publicações feitas pela comunidade. Através da análise de mais de 220 postagens, foi possível perceber que as propostas envolvendo música e educação musical prevaleceram. Ainda que, majoritariamente, as atividades analisadas sejam estereotipadas e tenham como base a reprodução ou imitação por parte das crianças, sem maiores reflexões ou introduções sobre essas práticas, foi também possível identificar o progressivo aparecimento de propostas de apreciação, composição, interpretação musical, contextualização das narrativas, fomento à ampliação do repertório musical das crianças. Além disso, identificou-se também postagens que compreendem a música a partir de movimentos que Romanelli (2014) caracteriza como contextualista - considerando todos os benefícios que podem ser alcançados com a música - e essencialista - entendendo-a enquanto área de conhecimento, com conhecimentos e objetivos próprios. Observou-se que, com o passar do tempo, as professoras foram se apropriando da música e da educação musical, apresentando gradativamente mais propostas autorais, que traziam a música como linguagem geradora, sensível e potente. Desta forma, compreendemos que as mudanças identificadas nas redes sociais das três EMEIs são um indício dos impactos que a pandemia trouxe para a docência e para prática pedagógica, impulsionando o estudo e a integração de atitudes que antes podiam ser vistas como distantes da realidade local. Além disso, estas mudanças podem se tornar o início de virada de sentido que tinha a música como recurso didático para a percepção da música como linguagem e conhecimento, permitindo que as crianças sejam reconhecidas nos espaços de Educação Infantil a partir de suas múltiplas formas de ser e compartilhar um mundo comum.

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Publicado

2021-11-16

Como Citar

JÁ CANTOU PARA UMA CRIANÇA HOJE? AS OUTRAS LINGUAGENS NA RELAÇÃO CRIANÇAS-ESCOLA. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 13, n. 1, 2021. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/110258. Acesso em: 13 abr. 2026.