OS DESAFIOS DA INCLUSÃO DIGITAL NO ENSINO REMOTO PARA O ALUNO COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL: ESTUDO DE CASO.

Autores

  • Ariely Marques
  • Ariely Venancio Marques
  • Jordana de Abreu Leme da Costa
  • Juan Francs Lima de Moura
  • Vildeir Andreza Lopes de Abreu
  • Liara Londero de Souza

Palavras-chave:

Inclusão, Aulas, remotas, Desafios, Relato, experiência

Resumo

Antes da pandemia, a educação já enfrentava diversas dificuldades no processo de inclusão de alunos com necessidades educacionais especiais. Portanto, com as atividades remotas esses obstáculos foram potencializados, uma vez que, muitos desses alunos não possuem afinidade ou recursos na utilização de plataformas digitais, sendo esse processo ainda mais agravado na inclusão do ensino e aprendizagem de alunos com deficiência intelectual (DI). Esses alunos, além de necessitarem maior atenção no processo de aprendizado, também necessitam da socialização e do ambiente acadêmico, de forma geral, sendo esse, um fator essencial no seu processo de formação que, durante a pandemia, também foi afetado pelo isolamento social. Com isso, nas aulas remotas, além dos desafios de acessibilidade, e a adaptação ao ensino a distância, ocorre também a falta de contato com os professores, e demais colegas, dificultando ainda mais a socialização, adesão de conhecimento e permanência desses indivíduos na universidade. Assim, surge a discussão acerca da importância da inclusão digital para a atuação dos responsáveis pelo discente, e dos servidores da instituição, e de como estão lidando com as dificuldades de aprendizagem que o ensino remoto trouxe para alunos com Dl. Dessa forma, este trabalho objetivou analisar e relatar o desenvolvimento do aluno com DI junto aos desafios das aulas remotas e o processo de inclusão desse aluno no ensino superior, a partir do acompanhamento via mãe do aluno, professores e monitores do Núcleo de Inclusão e Acessibilidade (NInA) da Universidade Federal do Pampa- Campus Caçapava do Sul. Como metodologia, foram realizadas pesquisas bibliográficas, reflexões e relatos de acordo com as experiências dos atendimentos do NInA ao aluno com DI. No geral, as aulas remotas são ofertadas através de ferramentas digitais. Contudo, os impasses apresentados neste caso, abordam, além da falta de equipamentos, as dificuldades de comunicação e interação social do indivíduo. Sendo importante ressaltar que o aluno em questão, já apresentava dificuldades de comunicação, interação social e de manter-se concentrado em suas aulas presenciais, o agravante foi gradativo com o ensino remoto, o que dificultou ainda mais o incentivo para que o mesmo assistisse às aulas e participasse das atividades síncronas e assíncronas. Diante disso, e após diversas tentativas frustradas da criação de um vínculo, ou até mesmo um contato diretamente com o aluno em questão, só foi possível recorrer a alternativas de terceiros (mãe do aluno) para efetivação de diálogos e informações acerca do caso, além da disponibilização de apoio e incentivo a permanência do educando na universidade. Com isso, tendo em vista a falta de ambientação digital do aluno e responsáveis, a monitora planejou e desenvolveu vídeos com tutoriais do passo a passo que o aluno poderia utilizar para acessar as ferramentas de contato com a instituição, bem como as utilizadas em aula. Após esse período, o discente conseguiu acessar as aulas pela primeira vez. Contudo, surgiram outras dificuldades no que se refere a utilização desses recursos, como microfones abertos, câmeras ligadas, a não participação, realização de atividades e trabalhos e a indisponibilidade de contato do aluno com o corpo docente. Todavia, por meios legais e de direito, não existe na universidade a sistematização de um processo de acompanhamento de forma institucional. Entretanto, foi discutido entre professor, responsável e monitor, o que poderia ser utilizado como estratégia de solução, sendo sugerido ao responsável pelo monitor que realizasse gravações de áudio com o aluno explicando sobre o entendimento de determinadas aulas e conteúdo. Porém, apesar dos esforços de monitores, professores e responsáveis, não foi possível obter retorno do aprendizado do aluno, visto que o mesmo aparentemente abandonou as aulas. É possível constatar que fatores como a falta de aproximação entre monitores e aluno/familiares ou correspondente ocasionadas pelo formato remoto tenha impedido o auxílio necessário para que o mesmo permanecesse na universidade, mesmo que ainda presencialmente esse cenário fosse possível, fica visível os prejuízos provocados por esta modalidade de ensino. É possível destacar, que o não engajamento do grupo familiar é preocupante, tendo em vista todos os fatores abordados, essa ocorrência pode acontecer devido à falta de tempo, estrutura tecnológica, espaço, dentre muitos problemas refletidos na desigualdade social. Portanto, os desafios da inclusão digital no ensino remoto para alunos com deficiência intelectual ainda são muitos, e requerem a utilização dos mais diversos mecanismos de atuação profissional especializada como importante fonte mantenedora desses alunos na graduação, garantido seus direitos de educação e fomentando sua importância na sociedade.

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Publicado

2021-11-16

Como Citar

OS DESAFIOS DA INCLUSÃO DIGITAL NO ENSINO REMOTO PARA O ALUNO COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL: ESTUDO DE CASO. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 13, n. 1, 2021. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/110257. Acesso em: 13 abr. 2026.