INTERVENÇÃO PEDAGÓGICA EM CENÁRIO DE ENSINO REMOTO-EMERGENCIAL: DISCUSSÕES CRÍTICAS SOBRE SUBSTÂNCIAS PSICOATIVAS
Palavras-chave:
Intervenção, Pedagógica, Co-docência, Substâncias, PsicoativasResumo
A pandemia da Covid-19 trouxe desafios para os mais diversos setores sociais, no contexto educacional, pontuamos as dificuldades encontradas pelos professores atuantes e em formação, sendo a falta de conhecimento para utilização das plataformas digitais uma das maiores problemáticas no início da pandemia. Nesse momento, as escolas começam a retomar suas atividades presenciais e os docentes são mais uma vez desafiados, pois precisam aplicar suas aulas em dois momentos diferentes, sendo um presencial e outro através de plataformas digitais, aumentando ainda mais a demanda de trabalho e dificultando o planejamento. Partindo desse princípio, os acadêmicos do curso de Licenciatura em Ciências Biológicas da Universidade Federal do Pampa, Campus São Gabriel, desenvolveram uma proposta de intervenção pedagógica, seguindo as orientações da componente curricular de Práticas Formativas e Educativas V. A intervenção desenvolvida tinha como critério mediador o requisito de abordagem da temática Corpo Humano dentro das diferentes etapas da Educação Básica (Fundamental e Médio) na disciplina de Ciências e Biologia. Sendo assim, o presente trabalho tem como objetivo relatar a aplicação desse plano de aula, que foi desenvolvido para alunos do 9º ano do Ensino Fundamental, com o tema Drogas e o Sistema Nervoso, bem como os desafios encarados para a realização e aplicação da proposta. De acordo com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), os conteúdos Substâncias psicoativas e Sistema Nervoso não estão entre as habilidades estabelecidas para o 9º ano do Ensino Fundamental, no entanto, indo ao encontro da proposta estabelecida pela docente responsável pela componente curricular, a intervenção buscou insurgir frente às imposições da normativa. Desta forma, o plano de aula foi elaborado e aplicado em dois momentos: pelas professoras em formação, através da plataforma Google Meet aos estudantes que continuam de forma remota e, posteriormente pela professora regente da turma, com os alunos em presencialidade, evidenciando e oportunizando a prática de ensino em co-docência. Para ambas aplicações foi utilizado o mesmo material, slides organizados pelas acadêmicas com opiniões da regente da turma e Mentimeters para levantamento de conhecimentos pré e pós abordagem. A intervenção teve como objetivo que os estudantes conhecessem as substâncias psicoativas, seus efeitos no sistema nervoso e os danos causados pelo uso contínuo das mesmas, no entanto, foi planejada com uma abordagem diferente do que normalmente é pensado quando o assunto é drogas, destacando além das substâncias psicoativas ilícitas, as substâncias lícitas, para que os alunos refletissem a presença delas no nosso cotidiano, através do acesso às informações e curiosidades no decorrer da aula, bem como fizessem reflexões acerca das realidades sociais que levam ao uso e ao tráfico de drogas lícitas e ilícitas. Tendo em vista que a temática é delicada, um dos desafios foi montar um plano de aula com uma pedagogia focada no aluno, a fim de incentivar a capacidade crítica de cada um, sem que a questão fosse incentivá-los para o uso e sim para o conhecimento dos efeitos causados na saúde física e emocional do indivíduo. Ao final da aula, um vídeo disponível na plataforma Youtube abordando o tema da legalização da Cannabis foi usado como aliado na intervenção, para que cada aluno pudesse refletir sobre a temática e produzir uma escrita argumentativa de forma livre sobre sua opinião a partir do tema apresentado. No que diz respeito ao vídeo, os alunos se mostraram favoráveis a legalização da Cannabis para uso medicinal, porém com restrição ao uso em outros casos. No entanto, com a participação dos alunos em aula, respostas aos Mentimeters e as devolutivas em escrita, foi possível concluir que apesar dos jovens terem conhecimento do impacto da gravidade do consumo e abuso de substâncias psicoativas ilícitas, a maioria não têm conhecimento das substâncias psicoativas lícitas que fazem uso diariamente, bem como suas consequências a longo prazo. A partir dessa interação, podemos confirmar que a escola desempenha um papel importante na formação humana e precisa estar aberta para discutir e debater assuntos importantes, junto com os alunos e familiares, a partir de um diálogo aberto, franco e honesto, além de respeitar e conhecer a realidade dessas famílias. Nesse sentido, o ideal é fugir de discursos moralistas, a fim de levar aos alunos uma abordagem leve e reflexiva.Downloads
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Publicado
2021-11-16
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
INTERVENÇÃO PEDAGÓGICA EM CENÁRIO DE ENSINO REMOTO-EMERGENCIAL: DISCUSSÕES CRÍTICAS SOBRE SUBSTÂNCIAS PSICOATIVAS. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 13, n. 1, 2021. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/110226. Acesso em: 14 abr. 2026.