FORMAÇÃO DE PROFESSORES, EDUCAÇÃO AMBIENTAL E ANTIRRACISTA NA EDUCAÇÃO INFANTIL: POSSIBILIDADES E LIMITES
Palavras-chave:
Educação, Ambiental, Antirracista, Formação, ProfessoresResumo
A escola de educação infantil, primeiro espaço de socialização das crianças, deve se preocupar com a formação de sujeitos capazes de viver em uma sociedade democrática e na construção de um espaço que propicie a escuta, o diálogo, a investigação, a troca, as interações, as relações, as brincadeiras e a utilização de diversas linguagens, ideias, opiniões e visões de mundo. Para alguns educadores, a educação ambiental é entendida como uma educação em valores, modificando hábitos que estão relacionados com o nosso meio ambiente, com o desenvolvimento de conhecimento, atitudes e habilidades, centrados apenas em aspectos da reciclagem do lixo e alimentação saudável. O mesmo acontece com a educação antirracista, no sentido de uma afirmação errônea que não existe racismo entre as crianças e na escola de educação infantil. Promover a educação ambiental e antirracista na educação infantil, é legitimar as relações entre as crianças, os adultos e a natureza, as ações de cuidado de si e do outro, com respeito a diversidade cultural e dos espaços da comunidade, é também ir além da aplicabilidade da Lei 11.645/08, provocando a consciência identitária das crianças negras, quanto mais cedo a criança construir uma imagem positiva de si e de sua história, mais argumentos ela terá para aceitar-se e reconhecer-se como pertencente a sociedade que tenta de todas as formas silenciá-la e excluí-la. O entrelaçamento da educação ambiental e antirracista é a forma de contribuir para a vida das crianças e para a transformação da sociedade. Neste sentido, é necessário oportunizar as crianças, a partir da organização e do planejamento de atividades, explorarem e construírem significados do mundo que as cercam, assim como perceberem as diferenças entre o eu e o outro e suas ancestralidades, cujas diferenças precisam ser respeitadas e acolhidas, esses sentidos e significados devem ser atravessados no currículo cotidianamente na educação infantil. A escola compreende uma mistura étnica, cultural e religiosa. Em tempos de pandemia, as desigualdades sociais agravam os casos de violência, racismo e depredação da natureza. A superação dessas desigualdades acontecerá pelo conhecimento e reconhecimento do outro. Valores como a tolerância, a ética, a honestidade, o respeito, o exercício crítico da cidadania e compreensão das diferenças requerem autonomia intelectual e criticidade em relação à cultura hegemônica. Com o objetivo de contribuir para as reflexões metodológicas nas práticas da educação ambiental e antirracista na formação de professores, foi necessário oportunizar um espaço de discussão nos encontros de formação continuada, para que ocorressem as análises das aprendizagens significativas das crianças através das narrativas das educadoras da Escola de Educação Infantil. A metodologia utilizada foi a pesquisa narrativa, visto que este tipo de pesquisa, permite que os sujeitos transitem por várias territorialidades (lugares de perto ou de longe) privilegiando assim a participação dos diversos segmentos do espaço escolar, os quais elaboram, constroem, produzem e reproduzem as culturas, neste processo, todos aprendem, se modificam e modificam a realidade que estão inseridos. Neste contexto, foram realizados entre 2020 e 2021, três encontros para apresentar as temáticas, autoras e autores da educação ambiental e da educação antirracista na educação infantil e cinco encontros para análise das narrativas das educadoras das turmas de Berçário ao Nível II da Escola Municipal de Educação Infantil Professora Maria da Glória Pinto Pereira da cidade do Rio Grande RS, sobre as práticas realizadas com as crianças. Após a análise das narrativas, observou-se que o entrelaçamento da educação ambiental e da educação antirracista foi de fundamental importância para as relações entre as crianças e os adultos, envolvendo as aprendizagens com os elementos da natureza, as crianças conectaram-se com sua ancestralidade. As relações com a natureza auxiliaram no trabalho de construção da identidade das crianças negras, trazendo elementos culturais e religiosos como a água, as pedras, as plantas e o andar descalço na terra. As atividades foram realizadas fora do espaço escolar devido ao período de pandemia, porém, a cada encontro síncrono e no envio de fotos e vídeos, as crianças e suas famílias puderam demonstrar a felicidade e o encanto na realização das propostas da escola. A partir deste trabalho, evidenciou-se a necessidade do aprofundamento dos estudos sobre educação ambiental e educação antirracista na formação continuada de professores da educação infantil. Refletir a prática pedagógica e buscar conhecer para poder ensinar as crianças, se faz extremamente necessário, especialmente, após a COVID-19, a educação no Brasil terá que reorganizar vários conceitos e práticasDownloads
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Publicado
2021-11-16
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
FORMAÇÃO DE PROFESSORES, EDUCAÇÃO AMBIENTAL E ANTIRRACISTA NA EDUCAÇÃO INFANTIL: POSSIBILIDADES E LIMITES. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 13, n. 1, 2021. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/110222. Acesso em: 14 abr. 2026.