VOZES ESCOLARES EM UM MOMENTO AINDA PANDÊMICO
Palavras-chave:
Aulas, presenciais, pandemia, sentimentos, sensaçõesResumo
O texto a seguir trata sobre os resquícios da pandemia de Covid-19 que, desde março de 2020, no Brasil, vem solicitando modificações profundas nas instituições escolares e nas suas práticas. E nos dois últimos meses do ano corrente, professores, gestores e alunos vêm tentando se adaptar às diferentes demandas e decisões dos órgãos responsáveis, ao que se refere à volta opcional das aulas presenciais, especificamente nas escolas estaduais do Rio Grande Sul. Convocadas por esta discussão, como professoras da rede pública de ensino, de escolas públicas da zona sul do Rio Grande do Sul, decidimos encaminhar um questionário online para pais, responsáveis e alunos, a fim de compreender a seguinte macro questão: Quais são os sentimentos dos pais, responsáveis, crianças e jovens que optaram ou não por frequentar o espaço físico da escola? Pensamos que tal questão seja pertinente diante de um contexto local que não imunizou as crianças e os jovens contra a Covid-19. Logo, os objetivos deste trabalho são: verificar de que forma os alunos e os pais estão sendo considerados, enquanto sujeitos do processo educativo, nas decisões governamentais ao que se refere à volta presencial e opcional ao contexto físico da escola; identificar como essa condução para um retorno das aulas presenciais pode estar fomentando alguns sentimentos nesses sujeitos. Sobre a metodologia do trabalho, para a busca de resultados, destacamos que ela foi pensada a partir de uma abordagem qualitativa. O instrumento escolhido para a busca de dados da pesquisa foi um questionário digital, elaborado através da ferramenta Google forms, que foi encaminhado para dezesseis pessoas (treze pais ou responsáveis por alunos do ensino fundamental e do ensino médio) e três alunos com 18 anos ou mais, que frequentam o ensino médio. Dentre as principais questões encaminhadas, buscamos o posicionamento de pais e alunos sobre a volta presencial e opcional à escola (física), já que eles não tiveram nenhum tipo de espaço efetivo de discussão para contribuir ou interferir nas decisões dos órgãos responsáveis pela escola pública com relação à retomada das aulas, mesmo que de modo opcional. Diante desse cenário percebemos, de acordo com as respostas do questionário, que mais da metade dos participantes optou por continuar com as atividades remotas, justificando em outra questão, que esta decisão foi tomada em função da não imunização de crianças e adolescentes contra a Covid-19. Sobre os sentimentos dos pais e alunos em relação à volta para escola, citamos os seguintes: insegurança (medo do vírus), dificuldade em cumprir protocolos sanitários, insegurança no desenvolvimento do trabalho docente. Em relação ao posicionamento dos pais e alunos que optaram pela volta presencial à escola, a maioria justifica que só presencialmente a escola dá conta de atingir satisfatoriamente os objetivos do ensino e da aprendizagem. Já os pais e alunos que optaram por continuar no ensino remoto, (a maioria), embora reconheçam que esta modalidade não seja suficiente para dar conta desses objetivos, justificaram que a insegurança em relação ao vírus é maior, por isso fizeram essa opção. De acordo com os resultados apontados, concluímos, de forma temporária, que a decisão exclusivamente governamental em relação a volta ao ensino presencial aconteceu de uma forma, talvez, equivocada, já que a manifestação da maioria dos sujeitos nas respostas do questionário indicam que essa precipitação proporciona uma volta às aulas de forma frágil, pois os alunos estão sendo atendidos de forma parcial e variada por parte do professor. Muitos, como já era sabido antes do período pandêmico, ainda continuam sem acesso ao mínimo de ferramentas tecnológicas para acompanharem o ensino remoto. Outros, aqueles que optaram pela volta presencial, e conforme relato nas respostas do questionário, mencionam que o trabalho do professor dá-se de forma ainda fragilizada, talvez pela insegurança do próprio professor que, apesar de imunizado, tenta adaptar-se aos protocolos, regras de convivência que restringem as relações entre todos os atores da escola e atender uma demanda de trabalho duplicada, já que alguns alunos estão sendo atendidos de forma remota. Finalizamos este resumo frisando que ao lado da questão inicial do texto, não tivemos a intenção de destacar um posicionamento a favor ou contra a volta às aulas presenciais e, sim, compreender os modos pelos quais, os sentimentos, as emoções e as sensações são fomentados e contornados pelos sujeitos nos contextos escolares neste momento ainda pandêmico.Downloads
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Publicado
2021-11-16
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
VOZES ESCOLARES EM UM MOMENTO AINDA PANDÊMICO. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 13, n. 1, 2021. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/110220. Acesso em: 14 abr. 2026.